sexta-feira, 6 de maio de 2022



Para Warren Buffett, o que separa pessoas medianas das bem-sucedidas é apenas uma palavra...

O conselho é tão poderoso que também já foi tema de um discurso de Steve Jobs!

Uma frase dita pelo investidor bilionário Warren Buffett há alguns anos se tornou famosa e foi amplamente replicada – inclusive por ele mesmo. É uma frase curta, mas que resume bem a sua visão sobre sucesso: “A diferença entre pessoas bem-sucedidas e pessoas realmente bem-sucedidas é que as pessoas realmente bem-sucedidas dizem não a quase tudo.”

O intrigante conselho inspirou o empreendedor norte-americano Marcel Schwantes a escrever um artigo com uma reflexão sobre o assunto, sobretudo nesta nova fase da pandemia, em que compromissos surgem a todo momento e o ‘não’ torna-se quase impensável. É praticamente a era do FOMO (sigla em inglês para ‘medo de ficar de fora’).

Apesar de ser compreensível querer abraçar todas as aparentes oportunidades que se apresentam nesse momento, o acúmulo de tarefas, compromissos e atividades pode simplesmente tirar o foco do que realmente importa – além de levar a um esgotamento mental. Quem costuma ter dificuldade para negar convites sabe o quanto pode ser desgastante e frustrante tentar atender tudo e a todos e não executar nenhuma das tarefas por completo.

Schwantes diz que, à medida que nos aproximamos da metade de 2022, pode ser um bom momento para repensar as prioridades para o restante do ano. “Se você ainda está dizendo sim para tudo o que vem em seu caminho, você ficará surpreso com o que pode acontecer quando você finalmente começar a dizer não”, escreve.

Essa mensagem de Buffett também já foi dita por outro empreendedor famoso: Steve Jobs, falecido em 2011. Em um discurso em 1997, durante um evento da Apple, ele disse: “As pessoas pensam que foco significa dizer sim para o que você precisa se concentrar, mas não é isso. Significa dizer não às centenas de outras boas ideias que existem. Você tem de escolher com cuidado. Na verdade, estou tão orgulhoso das coisas que não fizemos quanto das coisas que fiz. Inovação é dizer não a 1.000 coisas.”

Para o segundo semestre de 2022, reavalie bem o que é, de fato, uma oportunidade ou algo que pode apenas te trazer um esgotamento mental. Saber dizer não é uma forma inteligente de simplificar sua vida – e focar nas coisas certas.


Extraído: https://revistapegn.globo.com/Empreendedorismo/noticia/2022/04/para-warren-buffett-o-que-separa-pessoas-medianas-das-bem-sucedidas-e-apenas-uma-palavra.html





sexta-feira, 19 de novembro de 2021

 

AMOR DE CROCODILO DESCENDO O RIO NILO – REFLEXÕES FILOSÓFICAS

21/10/2021 às 09h50


Sempre gostei de buscar entender as mensagens por trás de uma informação. Mensagem subliminar ou informação, que podem vir através de um filme, uma letra de música, um desenho animado, propaganda, um discurso filosófico, político, social e etc…

Hoje a música (letra) a ser analisada é a do Capital Inicial: Descendo o Rio Nilo!

“A Europa está um tédio

Vamos transar com estilo

Nós só temos um remédio

Descendo o Rio Nilo

Descendo o Rio Nilo

Eu fico pensando no que você faria

Se tivesse visto aquilo

O quê? O quê?

Amor de crocodilo descendo o Rio Nilo

Amor de crocodilo descendo o Rio Nilo

A Europa está um tédio

Vamos transar com estilo

Nós só temos um remédio

Descendo o Rio Nilo

Descendo o Rio Nilo

Eu fico pensando no que você faria

Se tivesse visto aquilo

O quê? O quê?

Amor de crocodilo descendo o Rio Nilo

Amor de crocodilo descendo o Rio Nilo

Estou ouvindo tambores

Tremores vindos da África

Canibais passando fome

Cadê o Dr. Livingstone?

Estou ouvindo tambores

Tremores vindos da África

Canibais passando fome

Cadê o Dr. Livingstone?

Estou ouvindo tambores

Tremores vindos da África

Canibais passando fome

Cadê o Dr. Livingstone?

Estou ouvindo tambores

Tremores vindos da África

Canibais passando fome

Cadê o Dr. Livingstone?”

Claro que nem toda letra deve ser levada a sério no sentido literal, mas sabemos que existem expressões que podem nos dar algumas pistas de um engajamento político ou social, ou somente despertar uma reflexão sobre algum tema.

Essa é de autoria do “Fê Lemos” – Antônio Felipe Villar de Lemos, o baterista e fundador da banda Capital Inicial. Inclusive o próprio compositor deu uma breve entrevista que está disponível no Youtube sobre a criação da música.

Para quem quiser ver na íntegra depois, segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=7ALuOStrQbY

Mas voltando para a reflexão filosófica, um dos trechos que mais me chamam a atenção é:

“Estou ouvindo tambores

Tremores vindos da África

Canibais passando fome

Cadê o Dr. Livingstone?”

Existem rumores antigos de que na África existem ou já existiram canibais. Talvez tenha havido sim em algum momento muito antigo (em algumas aldeias), mas o fato é que a África é um dos continentes com maior índice de miséria e fome. E essa incoerência na crença é colocada na música. Como pode um lugar populoso e “cheio de canibais” é um dos lugares com maior índice de falta do que comer?

Dr Livingstone – David Livingstone era um missionário Metodista e se opunha ao tráfico de escravos, entrando em choque com os traficantes holandeses. Em 1855, atravessou a África Meridional de um extremo a outro, encontrando rios, lagos e cataratas. Em 1858, é homenageado pela Rainha Vitória, sendo nomeado cônsul britânico na costa Oriental da África. Faleceu em Old Chitambo, Zâmbia, África, no dia 1 de março de 1873. Nasceu em Blantyre, Escócia, no dia 19 de março de 1813.

Estudou medicina e levado por ideais humanitários e pela sede de aventuras, oferece seus serviços à Sociedade Missionária de Londres.

Embarcou para a Cidade do Cabo, a serviço da Sociedade das Missões (1840), e seguiu para o norte até Kuruman, pregando o cristianismo e ensinando os nativos a continuar seu esforço evangelizador. Sua habilidade no tratamento com os negros permitiu-lhe chegar até a região do Kalahari (1842), onde aprendeu as línguas locais. Recuperado de um grave ataque de um leão (1844), tornou-se conhecido no Reino Unido (1849) pela descoberta do lago Ngami e do deserto de Kalahari, que lhe valeram uma medalha da Real Sociedade Geográfica Britânica.

Outro trecho muito marcante e no mínimo intrigante é:

“A Europa está um tédio

Vamos transar com estilo

Nós só temos um remédio

Descendo o Rio Nilo”

Como o lançamento da música deu-se em 1985, são os anos que antecedem a ela que dão um cenário de como estava o clima europeu.

Em 1981, a Grécia torna-se o décimo Estado-Membro da UE, seguindo a Espanha e Portugal cinco anos mais tarde. A queda do muro de Berlim que simboliza o desmoronamento do comunismo na Europa Central e Oriental só viria em 1989.

O rio Nilo é um dos mais extensos do mundo, atravessa o norte da África e é famoso por sua história antiga e pelos sítios arqueológicos que existem nas suas margens. O fértil Baixo Nilo deu origem às primeiras civilizações egípcias e ainda abriga as Grandes Pirâmides e a Esfinge de Gizé, perto do Cairo. Belo cenário para quem precisa fugir de um clima insatisfatório, como estava ocorrendo no outro continente mais próximo (a Europa).

Outra cena:

Descendo o Rio Nilo

Eu fico pensando no que você faria

Se tivesse visto aquilo

O quê? O quê?

Amor de crocodilo descendo o Rio Nilo

Amor de crocodilo descendo o Rio Nilo

O maior Crocodilo-Do-Nilo pode chegar hoje a mais ou menos uns 6 metros de comprimento. O réptil continua sendo o maior predador africano de água doce. Seu hábitat já foi bem mais amplo e abrangia toda a bacia do Rio Nilo, incluindo o delta do rio e a costa do Mediterrâneo. Hoje ele é encontrado na África Subsaariana, da África do Sul ao Sudão e do Senegal a Moçambique, incluindo a Ilha de Madagascar.

Existem relatos de embarcações que já naufragaram no Nilo, e imagine isso não é nada animador. É um lugar lindo, porém exige cautela!

Muitas músicas por aí podem esconder diversos significados, ou não (como diria Caetano Veloso, risos!). E é muito interessante desvendar o momento histórico, sociológico e até político em que ela se insere. É uma forma de conhecer a história e seus múltiplos significados. Pois a humanidade embora sinta que ainda precise evoluir e muito, já percorreu um caminho.

Meu desejo é que possamos aprender com o passado, viver melhor o presente e sonhar com um futuro mais otimista, mesmo que esse exija esforço!

Segue aqui o link da música “Descendo o Rio Nilo”, que é muito interessante no meu ponto de vista: https://www.youtube.com/watch?v=SfI7E65me5g

Assim me despeço: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo”.  – JESUS em (João, 16:33).

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VOCÊ CONHECE AS MODALIDADES DE PLANOS DE SAÚDE?

03/06/2021 às 09h29


Os atendimentos em saúde hospitalar tiveram um grande avanço nos últimos anos. Com atendimentos tanto pela rede pública quanto privada, você sabe as vantagens de se ter um convênio médico particular além de ser atendido pelo SUS?

Muitos brasileiros vêm sofrendo com as incertezas em meio à pandemia provocada pelo novo Coronavírus. Incertezas que vão desde “quando as vacinas serão finalmente disponibilizadas para todos, incertezas quanto aos altos e baixos que vêm sofrendo a parte econômica do país e incertezas de ser bem atendido caso necessite buscar um centro hospitalar”.

Já é sabido que a rede pública do Sistema Único de Saúde – SUS, sempre esteve à beira de um colapso por não existirem vagas e recursos suficientes disponibilizados pelo próprio sistema.

Sabemos também que ter um convênio médico particular tem sido uma opção para não ficarmos tão dependentes da saúde pública.

Porém, muitas pessoas têm dúvidas sobre os convênios particulares, e tentarei explanar um pouco sobre isso nesse artigo.

Existem algumas modalidades de planos e contratações, a saber:

Planos pessoa física: onde o indivíduo faz a contratação no próprio nome e CPF. Geralmente são planos regionais, que dão direito ao atendimento apenas numa determinada região. A rede credenciada (rede de atendimento) geralmente é mais enxuta. E seu preço mensal costuma ser mais acessível.

Planos pme / plano empresa: é uma modalidade de contratação onde pessoas que possuem CNPJ (seja Mei, Ltda, Eireli e etc) conseguem fazer a contratação de um plano um pouco mais vantajoso em termos de rede credenciada e preço. Mas o CNPJ só é aceito se tiver no mínimo 180 dias (seis meses) de abertura. E geralmente são planos que só podem ser contratados a partir de 2 vidas. Cada operadora de saúde tem suas particularidades e regras, mas em geral são aceitos funcionários com vínculo CLT, parentes mais próximos e prestadores de serviços.

Planos empresa / de 29 a 100 vidas ou mais: São planos empresariais de porte médio a grande. Onde a rede credenciada geralmente é mais ampla e quem faz a contratação do plano para seus funcionários são grandes empresas.

Planos por adesão: São planos que podem ser contratados através de uma entidade de classe (por profissão, formação e etc.…). São planos que permitem a pessoa fazer a contratação que geralmente não conseguiria se fizesse como pessoa física, num plano de saúde melhor. Possibilitando uma maior variedade de opções de operadoras de saúde.

E quanto às modalidades dos planos, existem planos regionais básicos, regionais mais amplos e nacionais (que atendem em todo o território nacional). Isso no que se refere à rede de atendimentos: hospitais, clínicas, laboratórios e etc. E sim, quanto maior a rede credenciada, maior o valor do investimento mensal.

E os planos de saúde empresariais, podem ser com coparticipação (onde o funcionário paga uma taxa mínima em cada utilização e a mensalidade maior é paga pelo empregador), e planos sem coparticipação (onde já estão inclusas todas as taxas e não é cobrado nada além do valor mensal).

Mas sem dúvida para quem tem possibilidades de optar por uma contratação de convênio, existe uma melhor chance de atendimento, principalmente nesse momento tão delicado em que estamos enfrentando.

Algumas pessoas não abrem mão do cabeleireiro, academia, passeios caros, mas nunca pensam na possibilidade de fazer uma pesquisa para contratar um plano de saúde. E às vezes não é por falta de recursos, mas por não se preocupar com uma possível necessidade de ser atendimento prontamente caso necessite. E isso pode custar caro demais. Por isso, se você dispõe de recursos, faça sim uma pesquisa, por você, por sua família e/ou por seus colaboradores (caso você seja um empresário).

Para saber um pouco mais sobre o assunto acesse o link no blog abaixo e fique por dentro. Forte abraço e boa saúde a todos!

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ENFERMEIRA SANDRA, DE SOUSA PEREIRA LIMA

24/05/2021 às 09h22


IN MEMORIAM + 1965 – 2020

Há quase um ano, perdemos uma profissional de enfermagem que ganhou destaque na cidade de Diadema, SP. Sandra era Coordenadora do Pronto Socorro do Hospital INNOVA que fica próximo ao terminal da cidade.

Lecionou por anos na Escola Paulista de Enfermagem, localizada atualmente na Av. Nossa Sra. das Vitórias, no centro.

Tinha um vasto currículo e inúmeras especializações. Lecionava aulas teóricas, estágios e cursos livres. Era muito conhecida também no Lar do Ancião, onde lecionava cursos de cuidador de idosos e outros.

Como muitos profissionais da saúde, contraiu o novo Coronavírus e infelizmente não resistiu. Sandra nasceu em São Paulo (SP) e faleceu em Diadema, aos 55 anos de idade em junho de 2020.

Sem dúvida uma grande perda para a área da saúde e para todos que a conheciam e a estimavam.

O Trecho a seguir é um tributo escrito a partir de testemunho concedido pela filha de Sandra, Victoria Pereira Lima. E extraído do portal “INUMERÁVEIS” – Memorial dedicado à história de cada uma das vítimas do Coronavírus no Brasil. Memorial Inumeráveis, Dedicado às Vítimas Do Coronavírus (inumeraveis.com.br)

“Sempre com uma risada feliz, um abraço aconchegante e um coração enorme disposto a ajudar.

Esta é uma carta de Victoria para sua mãe, Sandra:

Tinha alegria em viver, sempre ajudando o próximo, acreditando em Deus e em Suas vontades acima de tudo.

Constituiu uma família linda com seu esposo Jués e tiveram filhos, que sempre foram muito amados: Tatyellen, Victoria Tabata e João Victor. Depois de alguns anos, nasceu a Sophie, sua neta, pela qual ela era totalmente apaixonada e dedicada.

Sempre viveu por nós, sempre fez tudo que estivesse ao seu alcance para nos fornecer o melhor estudo, educação e amor. Ensinou-nos a lutar, a ter dignidade e honra. Nunca nos abandonou, sempre esteve ali quando era preciso acolher em seus braços.

Uma mulher amada por todos, que sempre honrou a Deus e seus propósitos, fazia o bem; sua profissão era seu maior prazer, exerceu a enfermagem com amor e dedicação, esteve na linha de frente ajudando o próximo e com um pensamento de que tudo ficaria bem em breve.

Deixou um legado enorme de ensinamentos sobre o que é ser bondosa, humilde, amorosa, ter fé e nunca desistir.

Obrigada por nos ter ensinado tanto e por nos ter proporcionado muito amor.

Obrigada por tudo, mãe!

Sentiremos saudades eternamente.

Te amamos!”

Victoria Pereira

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ENTREVISTA COM DULCE MORELL – DO BRASIL PARA A ESPANHA!

17/05/2021 às 14h38


Conversamos com Dulcelena do Nascimento, de Piracaia São Paulo, hoje empresária da indústria moveleira, Comercial Morell, na Espanha. Mas nem tudo são flores… Dulce saiu do país para tentar a vida num país diferente, preocupada com os três filhos pequenos. Devido ao plano Collor no Brasil, muitas famílias na década de 90 tiveram suas economias confiscadas de uma hora para outra! Não deixe de ver essa interessante entrevista!

Conte-nos um pouco sobre sua trajetória e o que te motivou a sair do país?

Eu vivo na Espanha desde 1990 quando o então presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello, fez o Plano Brasil Novo: congelando as contas bancárias de todos os cidadãos. Como muita gente, fiquei sem trabalho, sem dinheiro e com três filhos pequenos para criar.

Buscando opções encontrei uma saída, vindo para a Espanha.

Aqui trabalhei em diversos empregos como na colheita da fruta, cuidadora de idosos, garçonete entre outros.

Casei-me novamente e tive filhos aqui na Espanha também, mas recentemente fiquei viúva.

Hoje em dia tenho uma fábrica de móveis sob medida (https://comercialmorell.com), e estamos trabalhando a 150%.

Depois do primeiro lockdown cada um viu as deficiências do seu lar, e quem conseguiu fez reformas.

O estilo de vida aqui é muito diferente. O ritmo é uma correria tremenda, se comparamos com o Brasil que é mais sossegado.

Como é o custo de vida, salários, estrutura de saúde e etc. na Espanha?

O salário mínimo é de 950€, porém dependendo do sindicato este pode ser maior. O custo de vida também é muito mais alto. Na questão da saúde e educação funcionam muito bem. A cobertura é bastante ampla inclusive os remédios, em muitos casos, recebemos uma subvenção da “Seguridad Social”, ou seja, da Previdência Social, segundo o nível de renda de cada um.

Onde você mora na Espanha e quais os trabalhos mais acessíveis para estrangeiros?

Vivo no estado da Catalunha, numa cidade pequena de quase 4mil habitantes que se chama El Morell. Cabe destacar que aqui é frequente municípios de menos de 10 mil habitantes. Uma cidade grande tem em torno a 100 mil habitantes.

Em relação ao trabalho agora os setores com maior demanda de estrangeiros são as colheitas e o cuidado de anciãos.

O que você pode dizer com relação a uma ida para o exterior nesse momento? Tendo em vista uma mudança permanente?

Eu acho que hoje em dia viver no exterior e encontrar trabalho é muito difícil, e caro. É preciso pensar muito bem antes de dar o passo. Na Espanha mesmo o desemprego já está em torno de 18%, sendo este muito elevado afetando especialmente os jovens e pessoas sem experiência.

Dada à situação atual convém vir com contrato de trabalho já que nada garante o acesso a uma vaga, ainda que não seja qualificada. Pensem que infelizmente muita gente se vê forçada a voltar ao país de origem com pouco tempo fora. Essa é a situação atual.

E fazendo uma análise do início em relação aos dias de hoje. Valeu à pena imigrar?

Eu já estou aqui já faz meia vida, agora mesmo não me arrependo de ter vindo. Mas quando cheguei chorava muito de saudades por ter deixado meus filhos no Brasil (na época), por ter eles longe. Ainda hoje, tenho muitas saudades da família, porém a minha vida está aqui. Ainda que a saudade bata no peito, e bate, já não tem muito sentido voltar.

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segunda-feira, 17 de maio de 2021

ENTREVISTA COM MERIKOL DUARTE

 19/04/2021 às 09h18



Se você pensa em transição de carreira, superação de desafios físicos, maternidade versus trabalho. Ama práticas de Yoga, Comunicação Não-Violenta (CNV), Programação Neurolinguística (PNL), Reiki, Mindfulness, conheça a interessante história, cheia de nuances e mudanças de Merikol Duarte!

Conte-nos um pouco sobre sua jornada pessoal e profissional?

Minha jornada começou cedo, desde pequena sempre tive alguns questionamentos, não entendia certas coisas, sempre fui muito curiosa e lembro que perguntava muitas coisas para os meus pais e algumas vezes o meu pai dizia: tudo tem a hora certa, tem certas coisas que ainda é muito cedo para você entender e me deu um dicionário de presente (risos)!

Comecei a trabalhar cedo e isso fez com que eu amadurecesse mais rápido. Comecei a dar aulas de informática aos 14 anos. Com quase 17 anos, já cuidava de uma das escolas de informática, coordenava, gerenciava e dava aulas. Fiquei muitos anos ali, mesmo na época em que sofri acidente de carro, com quase 17 anos, após me recuperar, voltei à ativa. Depois de algum tempo, nem todo ouro me seduzia e senti que precisava buscar outras experiências e fui morar em Arraial d´Ajuda. Passei uma temporada lá, com o namorado, cunhado e irmão. Foi uma experiência interessante.

Tive que voltar para Sampa, pois tive um problema nos olhos e ao chegar em SP, descobri que o ceratocone havia avançado (em um dos olhos) e teria que entrar na fila do transplante de córneas e ai começou outra jornada. Fiquei alguns anos em Sampa, fui cursar faculdade de Comunicação Social com especialização em Publicidade e Propaganda e fui trabalhar numa construtora.

No terceiro ano da faculdade tive que trancá-la e recebi uma proposta de trabalho numa gráfica multinacional no Rio de Janeiro e então decidi me mudar com mala e cuia. Foi uma aventura e tanto. Lembro-me que nessa época eu tinha uma autoestima um pouco baixa e morar sozinha no Rio me ajudou a me conhecer um pouco mais, e foi ali que começou minha jornada voltada ao autoconhecimento.  Durante os primeiros meses que trabalhei na gráfica, fiquei estudando sobre a área de Ti, voltei para a faculdade de Publicidade e através de uma prima minha que morava lá e trabalhava numa empresa de tecnologia, tive a oportunidade de participar de um processo seletivo para atuar como coordenadora de Help Desk na PUC.

Como eu tinha experiência na área de informática, consegui passar no processo seletivo e trabalhei durante um período na PUC. Foi incrível a experiência. E nesta mesma empresa, fui convidada para fazer um curso de auditoria da ISO 9000, para atuar como coordenadora na área de qualidade e lá fui eu fazer o curso em Petrópolis. Migrei de área, fui coordenar a área durante alguns meses, mas senti que tinha algo mais, que esse não era o meu caminho, então resolvi sair da empresa e fiquei durante um período prestando consultoria para pessoas físicas e jurídicas na área de informática. Conheci pessoas incríveis, e com amigos latinos criamos um projeto voltado à música latina e passei um período produzindo eventos latinos por lá.

Voltei pra São Paulo, fui trabalhar na área comercial numa empresa de engenharia e reencontrei o primeiro amor da minha vida, engravidei, nos casamos, me mudei para o sítio, mas decidi que continuaria a trabalhar, então durante dois anos, a cada 15 dias, a minha vida foi entre Sampa e Águas de Lindóia. Um momento intenso, mãe de primeira viagem, viajando com o bebê, trabalhando, lidando com questões da vida…. Trabalhei um período com produção de shows de bandas (RPM, Tihuana) numa produtora… E passados alguns anos, me separei, me divorciei, tive crises de stress e senti que precisava de ajuda para saber o que estava acontecendo comigo. Fiz terapias, mas senti que não era esse o caminho, então decidi me inscrever num curso de formação e autoconhecimento em yoga e parece que ali a chave começou a virar.

Atuei durante mais de 20 anos no corporativo como Gerente de Negócios, Coordenadora, Produtora de shows e saraus, passei por empresas dos segmentos de Engenharia, Construtoras, Tecnologia da Informação (TI), Escolas de Informática, Produtoras. E em 2013, num momento de transição, resolvi mergulhar no caminho do autoconhecimento, onde participei de imersões, retiros, fiz vários cursos voltados ao desenvolvimento humano e autoconhecimento para ampliar o meu conhecimento.

Criei em 2015 o Inspirar Ser, um projeto voltado às práticas integrativas, onde ofereço práticas de Yoga, Comunicação Não-Violenta (CNV), Programação Neurolinguística (PNL), Reiki, Mindfulness…. Para empresas, escolas, espaços e eventos.

E desde então, sou estudante de CNV, Mindfuness, Aprendizagem Ágil, Agile Learning, Design Thinking, Teoria U, Sociocracia, Pedagogia.

Facilito vivências, onde utilizo ferramentas que ajudam no processo de desenvolvimento e florescimento das pessoas que também queiram trilhar por este caminho do autoconhecimento. Já realizei vivências, workshops, aulas, em diversos lugares da capital de São Paulo e interior.

Atualmente, decidi seguir esse caminho, utilizando o meu próprio nome para divulgar os serviços que ofereço.

Você enfrentou diversos desafios após um acidente de carro sofrido na adolescência. Conte-nos um pouco sobre sua recuperação e o que mudou em sua vida?

Sofri acidente de carro, junto com meus irmãos (na época estavam no carro comigo, duas irmãs e um irmão, pois o outro irmão era criança e estava em casa), eu iria completar 17 anos dali a alguns dias. Foi bem desafiador, pois fiquei vários dias no hospital, pois estava com anemia, tive que tomar transfusão de sangue e só poderia realizar a cirurgia no fêmur, após me recuperar da anemia. Foram dias difíceis. No ano seguinte tive que refazer a cirurgia e novamente recebi transfusão de sangue, pois quando os médicos foram fechar os pontos, começou a vazar sangue pela perna e fui transferida para o CTI para ficar em observação durante alguns dias. E durante esses dias, eu vi a minha vida passar em segundos, bateu um medo de nunca mais poder andar, bateu o medo de morrer e não ter vivido metade da vida…

Vários questionamentos surgiram. Lembro-me que quando ouvi um “crec” na perna e senti dor, e ir a alguns médicos para saber se estava tudo bem com a minha perna, antes de fazer a segunda cirurgia. O médico foi bem seco e me disse que não tinha jeito, que a placa havia quebrado e que deveriam amputar a minha perna. Na época, com 18 anos, quase pirei, então meu pai, minha mãe e meus irmãos, decidiram que iríamos encontrar uma solução. Foi quando num dia com muita dor, fomos a um hospital e um médico resolveu me internar e disse que faria a cirurgia e rolou tudo o que citei acima. Foram aprendizados difíceis, mas que anos depois, fui entendendo que tudo aquilo aconteceu para me tornar mais forte. E não amputei a perna.

Você foi mãe pela primeira vez aos 30 e depois por volta dos 40 anos. Como tem sido essa experiência com as meninas? E quais as diferenças entre as gestações e criação?

Ser mãe me tornou uma pessoa melhor, pois é total entrega. Sei que tenho muitos defeitos e muitas qualidades, que sou um ser imperfeito, mas que busca melhorar a cada dia e a maternidade me traz, a cada dia, este olhar de buscar a melhoria continua. Não só para mim, mas para as minhas filhas, familiares, amigos e para as pessoas que cruzam o meu caminho.

A minha primeira gestação foi mais tranquila, o parto foi normal, foi lindo, regado a muito amor, velas, incenso, mantras e na época, eu nem conhecia muito sobre os mantras. Já a minha segunda gestação, foi um pouco mais delicada, pois foi de risco, tive que diminuir o ritmo e tive que fazer uma cesárea para não comprometer a vinda do bebê. A recuperação foi tensa. Durante meses sentia dores, e por recomendação médica não podia fazer exercícios, nem praticar yoga para me recuperar. Foi desafiante.

É uma benção poder sentir crescer uma vida dentro de nós. Ouvir o coração pulsar, sentir pele a pele o bebê mamar e te olhar com ternura. E mesmo as noites mal dormidas, as preocupações e grilos que batem às vezes, com perguntas como “será que estou fazendo isso certo?”, eu olho pra mim mesma e digo, está tudo sempre certo, do jeito que está. Você está fazendo o seu melhor, continue. Viva um dia de cada vez. Aprenda a aceitar o que não pode ser mudado e transformar o que pode e siga em frente. E assim tem sido. E a diferença de idade entre elas, é muito boa. Pois em cada fase, sinto que cresci um pouco mais e que posso entregar o meu melhor a cada uma com amor, cuidado, proteção. Comprometimento e apoio.

Você sempre foi muito intensa e viveu um bom período de experiências em terras cariocas. Como foi sua vivência no Rio de Janeiro? E qual o período?

Como disse anteriormente, a vida no Rio para mim, foi um divisor de águas, pois me ajudou a entender um pouco mais sobre quem eu sou na essência. Foi um período libertador, de experiências intensas. Conheci pessoas e lugares interessantes. Fortaleci amizades que nutro até hoje, pessoas que conheci por lá e que algumas delas se tornaram como irmãos. Cresci muito ali, foi ali que tive o primeiro contato com o yoga, comigo mesma. Foi o cenário propício para fazer brotar em mim sementes da transformação que viriam anos mais tarde.

Quem é a Merikol hoje? Quais são suas prioridades?

Merikol hoje é uma pessoa que busca a simplicidade, viver com cada vez menos. O meu ditado tem sido: “Menos é mais”.  O caminho da espiritualidade, do autoconhecimento e florescimento do Ser me mostrou que em cada um de nós existem camadas e assim como a cebola, a cada camada que a gente tira, a gente vai descobrindo um pouco mais e se quisermos podemos chegar às profundezas de nós. Já aviso, que quando a gente começa a descascar essas camadas, o processo não é tão bonito assim, pois a gente fica de cara com o melhor e o pior de nós, a gente fica de cara com as nossas sombras e as nossas luzes. A gente nunca é mais o mesmo e que bom. Sinto que o processo de transformação e transmutação aproxima quem está na mesma vibração que você e afasta aqueles que não estão mais na mesma sintonia. A gente vai afinando o instrumento de nosso espírito, de nossa alma. É libertador e ao mesmo tempo pode ser assustador, pois nos revela quem nós somos na essência, no entanto, sigo cada vez mais descascando o meu Ser e mergulhando profundamente nesse caminho, pois somente assim, faz sentido para mim, viver e seguir de alguma forma. Podendo me inspirar a ser melhor e quem sabe, poder inspirar outras pessoas.

Você acha possível conciliar uma carreira na área comercial, com outra mais voltada às terapias holísticas e afins?

Acredito que é possível sim. Após o nascimento da minha segunda filha, fiquei um tempo em stand-by para me recuperar de uma gestação de risco. E recentemente, voltei a trabalhar na área comercial em Home Office. As práticas voltadas ao desenvolvimento humano ainda não retornei, pois, a bebê demanda bastante e com a pandemia, ainda não foi possível retornar, mas em breve, aos poucos, pretendo voltar às atividades, mas oferecendo práticas online.

Hoje você é casada com um artista plástico, músico e designer. Fale um pouquinho sobre o Beto Boaretto para o público? E o que mudou em sua trajetória com essa união?

Eu me casei novamente e temos uma filha desta união. O Beto é publicitário e também atua como músico, artista plástico e designer. O interessante da minha vida, é que não planejei a trajetória. No passado, já fiz alguns planos e imaginava como seria a minha vida com essa idade, mas o universo tem a sua magia. E muitas coisas mudaram. Aprendi a aceitar o que é. Sei que é importante seguir na direção de nossos sonhos, no entanto, sei também que não temos o controle de nada, então aprendi a fortalecer a minha fé e a confiar cada vez mais na providência divina e no tempo das coisas. Vou plantando as sementes, regando, nutrindo e sei que aquilo que planto colherei no tempo certo. Maktub.

O que você espera para o futuro? Como se vê daqui há alguns anos com relação à família, trabalho, vida?

Estamos vivendo uma transição planetária rumo a um mundo de regeneração e temos visto que a pandemia veio para transformar tudo aquilo que conhecíamos. Temos visto grandes empresas quebrarem, novos negócios surgirem, a humanidade tomando outros rumos, alguns acordaram e outros permanecem dormindo, anestesiados e acreditando que o mundo voltará ao normal (o problema era o normal).

Tenho aprendido a viver um dia de cada vez. É claro que vislumbro um futuro, no entanto, não crio tantas expectativas, pois tudo pode mudar a qualquer segundo, por isso, o meu lema tem sido, viver um dia de cada vez, respirando, agradecendo, aceitando, soltando, perdoando e sendo uma pessoa melhor para mim e para o mundo.

Você pensa ou já pensou em morar no exterior? O que tem enxergado no Brasil em termos de estrutura no geral?

Já pensei em morar no exterior, no entanto, sinto que a minha jornada, pelo menos por alguns anos, ainda é por aqui. Temos visto o momento delicado que o Brasil e o mundo estão passando. No entanto, acredito que as coisas vão melhorar. Ainda passaremos por alguns momentos desafiadores, mas os ajustes são necessários para essa mudança que está acontecendo. Somente quem “tem olhos consegue ver e quem tem ouvidos consegue ouvir”.

Que mensagem poderia deixar às pessoas que sentem dificuldades em fazer transição de carreira, ou se sentem engessadas de alguma maneira, mas gostariam de mudar suas vidas?

É importante estarmos conectados ao nosso core (mente, espírito e coração), cultivando a atenção plena, permitindo observar o que está acontecendo dentro e fora de nós e ouvir a voz interior, a essência de nosso Ser. Sugiro que faça algo que faça sentido para você. Algo que tenha um propósito, que você saiba qual é a intenção real. Não faça algo apenas pela grana, poder, status. Faça algo que você acredita que está em consonância com a essência de quem tu és, pois somente assim, a encarnação neste planeta terá valido a pena.

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extraído: ENTREVISTA COM MERIKOL DUARTE | Revista Statto

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ENTREVISTA COM O TERAPEUTA GUILHERME YANAGIDA - revista STATTO

 08/04/2021 às 14h34



Conte um pouco sobre sua trajetória profissional. O que te fez escolher psicologia?

Dificilmente encontramos pessoas que estão realmente dispostas a nos escutar, a prestar a atenção no que realmente queremos dizer. Durante a minha adolescência, percebi que era um bom ouvinte, que gostava de escutar e de tentar ajudar as pessoas de alguma forma e as pessoas que estavam mais próximas de mim, me davam esse feedback. No fim do colégio, esses fatos me fizeram pensar em psicologia. Entrei na faculdade de psicologia logo depois de me formar, em 2010 quando tinha 17 anos de idade. Depois de cinco anos de faculdade, já formado, logo iniciei minha atuação atendendo adolescentes e adultos em psicoterapia. No final do mesmo ano comecei a trabalhar também em uma clínica de hemodiálise. Durante esses anos de formação, além da área da saúde e trabalhar em uma equipe multidisciplinar, passei por experiências na área acadêmica, realizei palestras, orientações e iniciei minha pós-graduação em terapia cognitiva comportamental.

Existem diversas formas de se fazer uma terapia. Conte para nós as mais utilizadas e como funcionam?

Sim existem várias formas de atuação no campo da psicologia, e a psicoterapia é apenas uma delas e é a mais conhecida, mas esse profissional também tem capacidade de desenvolver trabalhamos eficazes atuando no âmbito escolar, jurídico, organizacional, do esporte, do consumidor, entre outras. Vale ressaltar que todas elas devem ter um embasamento teórico, um bom psicoterapeuta, por exemplo, é aquele que leva a sério as técnicas que se propõe a estudar e a praticar, afinal a psicologia é uma ciência!

Acredito que as formas mais conhecidas de um psicólogo atuar em psicoterapia são a psicanálise, a junguiana e a cognitivo comportamental. A TCC – Terapia Cognitivo Comportamental, linha da qual atuo, trabalha basicamente com o princípio de que a nossa cognição (crenças, pensamentos, percepções) influencia nossas emoções e nossos comportamentos. Portanto, o tratamento nessa forma de atuação, trata de aspectos que não estão saudáveis e funcionais dentro dessa tríade: cognição, emoções e comportamentos.

Se você pensa de forma distorcida ou não realista, por exemplo, esse tipo de pensamento pode gerar emoções negativas e comportamentos prejudiciais. Suponhamos que você e seus colegas vão ter uma reunião de urgência, e seu chefe não disse o motivo. A forma de cada um interpretar essa chamada para reunião será muito pessoal, enquanto alguns colegas podem estar tranquilos esperando por ela, outros podem ter reações de ansiedade, supondo que coisas ruins podem acontecer, extremas (mesmo sem evidências). Naturalmente a ansiedade é gerada nesse tipo de situação, mas provavelmente aqueles que terão reações acima do esperado, estarão tendo algum tipo de distorção cognitivo: “tenho certeza que só teremos problemas”, “acredito que eu vou ser mandado embora”, “eu sempre fiz tudo certo, e coisas ruins sempre acontecem comigo”, esses pensamentos distorcidos de catastrofização, prever o futuro, e pensar de forma negativa, tem a capacidade de mudar nosso estado emocional, ficando ansioso. Fisiológico como sudorese, taquicardia, alteração no sono e apetite e comportamental, você pode, por exemplo, pedir demissão antes mesmo de saber o que irá acontecer na reunião. 

Os principais focos da TCC são: foco no problema e no presente, o terapeuta e paciente trabalham juntos e de forma mais objetiva e prática.

Por que você optou por trabalhar com a chamada TCC – Terapia Cognitivo Comportamental? 

Porque é uma das linhas que mais existe comprovação científica, isto é, essa forma de atuação nasceu de pesquisas muito sérias de estudos com pacientes com ansiedade e depressão e foi se desenvolvendo em técnicas práticas e objetivas, que fazem com que a psicoterapia seja mais eficaz em um tempo mais curto. Eu me identifiquei com essa linha ainda no início da faculdade, exatamente por esse dinamismo e objetividade, apesar de gostar também de outras, como a psicanálise.

Quais as necessidades mais comuns aos que procuram por uma terapia? É para todos?

Com certeza a psicoterapia é para todos nós! Afinal, todos nós temos algum problema ou alguma dificuldade, mesmo que minimamente. Além disso, a psicoterapia também é para aqueles que estão bem consigo mesmos, e por conta disso, desejam ir além e se desenvolverem, criarem novas habilidades, descobrirem novas possibilidades e se conhecerem ainda mais. Fazendo um panorama dos casos em que atendi desde a época da minha formação, ainda nos estágios, os casos mais comuns são os de ansiedade, seja relacionado com algum estado pessoal ou nos relacionamentos.

Com a atual pandemia aumentou muito o número de pessoas nos consultórios? Por que?

Pelo que tenho visto sim, exatamente por conta da ansiedade. É esperado que em uma sociedade como a que temos vivido, com tantas escolhas, tem nos bombardeado com informações o tempo todo. E nos leva a uma ideia de que estamos conectados com muitas pessoas 24h por dia e que nos diz que precisamos estar felizes, bonitos, e ter relacionamentos perfeitos. Naturalmente nos leve constantemente a ansiedade.

Agora, se acrescentarmos mais uma pandemia em tudo isso, que nos obrigou a nos isolar e ter mais incertezas, sim, as pessoas vão procurar mais formas de aliviar essa tensão, e que bom! As pessoas precisam buscar mais ajuda, e ajuda especializada. A COVID-19 não só trouxe mais problemas, como nos fez encarar aquilo que mais tememos: a nós mesmos e as nossas reais dificuldades.

O que o paciente que busca pela TCC (Terapia Cognitivo Comportamental) deve levar em conta antes de iniciar o tratamento? E o que ele deve esperar após o término? 

Deve levar em conta que o tratamento precisa do engajamento e da responsabilidade dele, a psicoterapia é formada por técnicas e não por fórmulas milagrosas, por isso a eficácia depende da ajuda mútua entre o psicólogo e o paciente, e não só de uma parte. Após o tratamento, o paciente deve estar preparado para ser o seu próprio terapeuta. Na linha da TCC, é ensinado para o paciente as técnicas necessárias para que ele possa lidar com suas dificuldades, presentes e futuras, isso não quer dizer que em algum momento ele não possa retornar ao processo psicoterapêutico, mas que ele terá mais autonomia para lidar com suas próprias questões, de forma prática e eficiente.

Nós seres humanos enfrentamos diversas fases no decorrer da vida. Uma pessoa que já fez terapia no passado poderá novamente sentir a necessidade de buscar essa ajuda no futuro? É comum?

Sim, como disse anteriormente, pode acontecer de alguém querer voltar para terapia, e isso inclusive pode ser muito saudável. Assim como você disse, como seres humanos enfrentamos diferentes fases na nossa vida, e, portanto, somos mutáveis. As coisas mudam constantemente e com elas nossas dificuldades. Há casos bem específicos em que os pacientes ficam durante anos no mesmo processo terapêutico, porém, na maioria dos casos a alta da psicoterapia é necessária para que o paciente caminhe com suas “próprias pernas” e crie essa autonomia. Quando é realizado um bom trabalho, no futuro ele terá ainda mais consciência de quando e porque precisa retornar para psicoterapia.

Ainda existe muito preconceito por parte da população para buscar esse tipo de ajuda. Em sua opinião por que isso ocorre?

Acredito que esteja melhorando, mas ainda existe. Isso ocorre por conta de um problema que está em todos os âmbitos da nossa sociedade, falta de informação. Hoje por conta da liberdade de expressão, que sem dúvida é importante, também fez com que surgissem vários “donos da razão”, as pessoas afirmam sobre algo que muitas vezes nem conhecem a fundo. O preconceito vem exatamente da falta de informação.

Como lidamos com algo muito delicado que é a saúde mental, o “olhar para si”, é mais confortável que eu nem queira entender o porquê devo pedir ajuda. Expressões como: “tenho amigos” e “tenho uma religião” e por isso não preciso de psicólogo, mostra claramente a falta de informação. Entendo por exemplo, que a terapia cognitiva comportamental é uma linha criada a partir de estudos que compravam sua eficácia, e, portanto, científica, o psicoterapeuta jamais pode ser comparado com um amigo ou uma religião, e não que estas não sejam importantes para a qualidade de vida do indivíduo, mas possuem um papel totalmente distinto.

Nós profissionais da saúde, não só os psicólogos, precisamos conscientizar as pessoas ao nosso redor sobre a seriedade e o verdadeiro motivo em procurarmos ajuda de um profissional da psicologia. Eu pessoalmente fico feliz em ver que grande parte das pessoas ao meu redor mudaram seu “pré-conceito” sobre o assunto, porque eu fui o canal de informação, muitos inclusive fazem psicoterapia hoje.

Quais as principais diferenças entre o psicoterapeuta (psicólogo) e o psiquiatra? Atendem as mesmas demandas?

A diferença basicamente está que enquanto o psicólogo trabalha questões emocionais e comportamentais, o psiquiatra trata de aspectos patológicos dessas questões. A psicologia é uma ciência que estuda o homem e seus aspectos mentais e comportamentais, a psiquiatria é uma área da medicina voltada para transtornos e doenças psíquicas. Como psicólogo preciso entender das alterações psicológicas e suas implicações na vida da pessoa, ao analisar, porém, que essa alteração passa para o âmbito patológico (doença) devo encaminhar ao psiquiatra para que tenha um diagnóstico e se necessário o uso medicamentoso para que o paciente tenha mais qualidade de vida. Na maioria dos casos, é recomendado para esse tipo de paciente o tratamento conjunto dos dois saberes, psicologia e psiquiatria, tendo um resultado com mais qualidade. 

Terapia é coisa de “gente rica”? É possível fazer terapia pelo SUS, ou até mesmo ser atendido com preços diferenciados de acordo com a faixa de renda nos consultórios particulares?

Durante muito tempo na história da psicologia, a psicoterapia foi entendida popularmente como algo para pessoas mais elitizadas. Hoje, porém, existem diferentes formas de encontrar esse serviço, dentro do Sistema Único de Saúde, por exemplo, existem profissionais da área. No nosso município, estudantes de psicologia da Unitau (Universidade de Taubaté) e Anhanguera, contam com a supervisão de ótimos profissionais para atender a população. Há alguns consultórios particulares que também flexibilizam seus preços, dependendo do caso.

Cito aqui também o projeto “Foco na mente” do qual faço parte, em que estudantes da Universidade de Taubaté dos cursos de medicina e psicologia se uniram para criar uma rede de apoio a população com foco na saúde mental. O projeto oferece acolhimento, palestras e aulas práticas. Para mais informações acesse a página do instagram: @projetofoconamente

Em sua opinião, terapia online funciona em quais situações e perfis de pacientes?

Esse tipo de modalidade já é autorizado pelo conselho de psicologia e agora na pandemia o número de atendimentos online aumentou expressivamente. Por se tratar de uma forma de atuação ainda recente, existem questões sendo levantadas sobre a ética e a forma mais adequada de se realizar, porém já existem normas e estudos que comprovam que esse tipo de atendimento pode ser tão eficaz quanto o presencial. Tenho realizado atendimentos online desde o ano passado, e confesso que me surpreendi com a eficácia mesmo estando distante fisicamente dos meus pacientes. Ela é indicada para pacientes que estejam impossibilitados de sair de casa (problemas de locomoção ou como agora com a pandemia) ou que morem em locais distantes.

Estamos na era digital, precisamos nos adaptar constantemente, ainda mais no quadro atual que temos enfrentado, é sem dúvida uma tendência que veio para ficar.

Que mensagem você como profissional poderia deixar as pessoas nesse momento de grandes incertezas, angústias e transtornos devido a pandemia?

Resiliência! Precisamos criar aspectos de resiliência, que é a forma saudável que lidamos com nossas dificuldades e aquilo que não temos controle, como agora na pandemia. Precisamos encontrar coisas no nosso dia a dia que nos façam nos sentir mais tranquilos e nos ajude a lidar com a ansiedade que nos encontra diariamente.

Ao encontrarmos um problema, seja interno ou externo, precisamos em seguida pensar: posso fazer algo para resolver esse problema? Se a resposta for não, precisamos tomar um cuidado com nossos pensamentos, e lidarmos com isso de forma realista e não aumentar ainda mais esse problema na nossa mente. Se a resposta for sim, que conseguimos resolver esse problema, crie alternativas para aliviar essa questão e não deixe de praticá-las!

Dentro dos aspectos resilientes, não deixe de cuidar da sua saúde física, faça exercícios em casa, leia livros, assista um bom filme ou série, cuide do seu sono, da sua alimentação, e lembre-se de que precisamos ficar afastados uns dos outros, mas não isolados do mundo, use as ferramentas que a tecnologia nos dá para se conectar com quem você gosta, as nossas relações são essenciais para nosso bem-estar e nossa resiliência.

Não esqueça também que todos nós precisamos de ajuda, caso sinta necessidade, busque um profissional da psicologia e faça psicoterapia, se não puder sair de casa existem psicólogos autorizados pelo conselho para atender no formato online.

E por último, não deixe de se mover, precisamos estar em constante crescimento e aprendizado, independente dos problemas que temos enfrentado, não esqueça que o nosso maior limitador ainda continua sendo nós mesmos.   

Entre em contato pelo meu instagram @yanagida.psicologia

extraído:ENTREVISTA COM O TERAPEUTA GUILHERME YANAGIDA | Revista Statto

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