CONTARDO CALLIGARIS
Intervir ou não
Os injustiçados, mundo afora, esperam a chegada da cavalaria. E a cavalaria, bem ou mal, somos nós
NA FOLHA de 6 de março, um médico líbio, Mohammed Ahmad, entrevistado pelo correspondente Marcelo Ninio, desabafa: "É um massacre, estão atingindo civis, estão nos atacando de todas as direções. Por que a comunidade internacional não intervém?".
A Líbia é apenas um exemplo. A cada dia, junto com as notícias, chega até nós o grito dos que estão sendo perseguidos e exterminados, dos que apodrecem nas masmorras, dos que, indefesos diante de poderes abusivos e absolutos, estão sendo pisados, escravizados, torturados. Eles colocam sua última esperança na improvável chegada da cavalaria. E a cavalaria com a qual eles sonham, bem ou mal, somos nós -somos também nós.
Vamos brincar de Pôncio Pilatos? Ou vamos à luta pelos injustiçados que moram longe de nossa rua, de nosso país e de nossa cultura? E, nesse caso, quais injustiçados escolheremos?
Por temperamento, sou intervencionista -embora muito menos hoje do que no passado, talvez por confiar menos na minha força física. De qualquer forma, se vejo uma briga, tendo a me meter -para afastar os que estão brigando e também para tomar partido. Mas tomo partido como?
Admito que, na maioria das vezes em que decidi me meter, eu realmente não tinha como saber de que lado estava a razão. Por isso mesmo, os supostos "nobres" motivos de minha escolha permanecem sob suspeita. Por exemplo, escolhi o lado do mais fraco: é uma opção generosa, mas quem garante que o mais fraco tinha razão? E se, de fato, eu tivesse escolhido o lado dos que mais se pareciam comigo, como se a razão só pudesse estar com alguém que tivesse a minha cara?
A dificuldade de intervir decorre de contradições que são inseparáveis do próprio espírito da modernidade ocidental.
a) Acreditamos na universalidade da espécie humana; para nós, ser "homem" é mais importante do que pertencer a uma nação ou a uma etnia. Em tese, o que acontece na Líbia ou em Ruanda nos é próximo e nos concerne tanto quanto o que acontece no quintal de casa -portanto, interviremos, não é?
b) Certo, interviremos e pesaremos na balança em nome de nossos valores. Apoiaremos quem quer democracia e escutaremos o grito da mulher que tenta fugir de sua tribo porque não quer que seu sexo seja mutilado ou da adúltera que será apedrejada.
Mas o fato é que a defesa dos valores nos quais acreditamos será hesitante e, de uma certa forma, culpada pelo seguinte sofisma: se todos, por diferentes que sejam de nós, são tão homens quanto a gente, qual seria o mérito especial de nossos valores, salvo o mérito (duvidoso) de eles serem os nossos?
c) Desde o começo da modernidade, acreditamos também que o que acontece no mundo não é efeito da vontade divina, mas da ação dos homens. Por exemplo, não somos dominados pela Providência, mas pela vontade de tiranos contra quem podemos, portanto, nos rebelar.
Há uma contrapartida: assim que a razão moderna reconhece que tudo vem dos atos e das intenções dos indivíduos, ela se torna desconfiada e paranoica. Em suma, a notícia boa é que podemos modificar o curso da história, a notícia ruim é que somos sempre suspeitos de modificá-lo pelas piores razões.
Somos condenados a uma alternativa entre duas posições igualmente incômodas. Quem não intervém é um covarde que renega sua humanidade e deixa os indefesos sem defesa e os injustiçados sem justiça.
Quem intervém é provavelmente um aproveitador que, sob o manto de uma certa grandeza moral, está promovendo interesses escusos ou, no mínimo, impondo ao mundo seus valores particulares. Algumas consequências disso? Aqui vai.
Desde o sítio de Sarajevo, em 1992, até o massacre de Srebrenica em 1995, a imprensa ocidental denunciou a covardia das potências que não impediam o genocídio. Depois dos bombardeios da Otan em 1998, os mesmos comentaristas denunciaram o imperialismo das potências que se atreveram a intervir.
Se amanhã as botas dos soldados da Otan ou mesmo da Liga Árabe pisarem o chão da Líbia, aposto que Mohammed Ahmad será entre os primeiros a se indignar e eventualmente a lutar contra o ocupante estrangeiro.
Nota: Quem puder (o filme está em poucas salas, infelizmente) assista a "Restrepo", documentário de S. Junger e T. Hetherington. É uma extraordinária lição de sobriedade na hora de pensar em intervenções militares "civilizatórias".
ccalligari@uol.com.br
Blog de variedades da jornalista e escritora Daniela Duarte da Silva. Publicações você encontra na UICLAP, CLUBE DE AUTORES e AMAZON. Seja bem vindo! Danny Doo
sábado, 19 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
Naqueles dias de aflição, estivemos à beira da extinção...
Começo o texto, dizendo que a vida é mais breve do que pensamos...O dia é um presente, mas não nos cabe saber o final.
Algumas coisas podemos controlar, diria que bem menos do que supomos.
As vítimas do último terremoto no Japão que o digam.
A vida é em tempo real, vivida somente no hoje.
Nós é que insistimos em pensar que podemos garantir o futuro.
Nada nos cabe, a não ser o agora.
O agora que passou já não é nosso...
Perdemos tempo tentando racionalizar problemas, mas a metade deles não existe.
Apenas em nossa mente...
E nossa mente, mente para nós!
Um beijo! Saúdo à todos numa tarde vivida com muito suor cerebral.
Obrigada Senhor do Universo, por mais um dia!
Danny Doo - diretamente do templário imaginário da Doolãndia...
segunda-feira, 7 de março de 2011
So Pure - Alanis Morissette
So Pure
You from New York,
You are so relevant.
You reduce me to cosmic tears.
Luminous more so than most anyone.
Unapologetically alive.
Knot in my stomach,
And lump in my throat.
I love you when you dance,
When you freestyle in trance,
So pure, such an expression.
(x2)
Supposed former infatuation junkie.
I sink three pointers,
And you wax poetically.
I love you when you dance,
When you freestyle in trance,
So pure, such an expression.
(x2)
Let's grease the wheel over tea.
Let's discuss things in confidence.
Let's be outspoken, let's be ridiculous,
Let's solve all the worlds problems.
I love you when you dance,
When you freestyle in trace,
So pure, such an expression.
(x2)
So pure
Tão Puro
Você é de Nova York.
Você é tão importante.
Você me reduz a lágrimas cósmicas.
Mais luminoso do que qualquer outro.
Impecavelmente vivo.
Preso ao meu estômago
E dando um nó na minha garganta.
Eu te amo quando você dança.
Quando você se solta em êxtase.
Tão puro quanto uma expressão.
(x2)
Suposto ex-viciado em se apaixonar.
Eu caio três posições
E você sobe poeticamente.
Eu te amo quando você dança.
Quando você se solta em êxtase.
Tão puro quanto uma expressão.
(x2)
Vamos engraxar o pneu em cima do chá.
Vamos discutir coisas em confidência.
Vamos ser francos, vamos ser ridículos.
Vamos resolver os problemas do mundo.
Eu te amo quando você dança.
Quando você se solta em êxtase.
Tão puro quanto uma expressão.
(x2)
Tão puro...
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