Blog de variedades da jornalista e escritora Daniela Duarte da Silva. Publicações você encontra na UICLAP, CLUBE DE AUTORES e AMAZON. Seja bem vindo! Danny Doo
sexta-feira, 27 de março de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
Por que você escreve? LEIA ATÉ O FINAL...

Ele perguntou a ela por que ela escrevia e ela respondeu que escrevia porque tinha vontade, e ele falou, muita gente tem vontade, vontade não basta, e ela disse mas então você está me perguntando como eu consigo escrever, é isso?, e ele ficou em dúvida e ela, eu achei que você tinha perguntado por que eu escrevo e não como eu faço para escrever o que eu escrevo, aí ele ficou um tempo em silêncio e depois riu e disse tá certo, touché, então ela olhou para baixo e notou que ele estava se assanhando outra vez, ah, a juventude, tocou nele e disse, como se fosse um eco na caverna, touché, e pronto, começaram tudo de novo, e só bem mais tarde, de madrugada, o apartamento já quase sem provisões, quando estavam bebendo o vinho velho que ela tinha separado para cozinhar e sorvendo por um buraco na lata o leite condensado encontrado por milagre no fundo da despensa, aquela mistura sensacional de caldo ultradoce e vinho avinagrado, mas um bom vinho avinagrado, chileno, só então ela disse, com os olhos bem encaixados nos dele, eu escrevo porque isso faz homens bonitos e gostosos que nem você gostarem de mim, quererem me comer, aí cruzou os olhos, língua roxa, e falou me come, e ele até que tentou, tentou bastante, mas tinha acabado a pilha.
* * *
Outra...
O repórter, um garoto espigado, um Clark Kent mais moreno, quase mulato, óculos redondos, beiços fartos, perguntou de gravador estendido por que ele escrevia. Era a mais tolinha das perguntas do manual, mas o velho escritor famoso olhou para o garoto em silêncio, e continuou olhando até ele desviar os olhos e começar a suar no buço. Então pegou o gravador da mão dele, desligou-o e, após devolvê-lo, disse:
― Eu escrevo porque tenho um monstro dentro de mim que, se eu não escrever, vai pular em cima de todos os meninos tesudos feito você que cruzarem o meu caminho, e aí já viu. Para acalmar a fera só tem duas coisas: escribir y joder, ou melhor, ser jodido.
E o jovem repórter ficou respirando forte e olhando para o escritor um tempão. Aí guardou o gravador na bolsa e disse:
― Vamos?
* * *
Em Parati:
― Escrevo porque sou testemunha. Escrevo para dar voz a quem não tem voz. Escrevo porque meu país está aprendendo a ler ― respondeu um baixinho grisalho, provavelmente comunista.
― Escrevo porque não sei tocar saxofone ― disse o quarentão barrigudo que estava ficando careca, mas ainda tentava disfarçar. Provavelmente brocha.
― Não tenho the slightest fucking idea! ― gritou a jovem paulistana de roupa fashion e cabelos picotados. Provavelmente idiota.
― Engraçado, nunca ninguém me fez essa pergunta ― rosnou o gringo entediado. ― Acho que escrevo porque sou muito bom nisso. ― Certamente babaca.
― Escrevo porque escrevo porque escrevo porque escrevo ― mas isso ela já nem lembra quem falou, porque a essa altura desistiu de impressionar seu novo namorado intelectual e partiu sozinha para Trindade numa traineira que tinha o seu nome, Anna O., até a inicial era a mesma, e por dois ou três meses não teve vontade de escrever nem bilhetinho para colar na geladeira.
Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no blog Todoprosa, de Sérgio Rodrigues, que integra o portal iG.
― Escrevo porque sou testemunha. Escrevo para dar voz a quem não tem voz. Escrevo porque meu país está aprendendo a ler ― respondeu um baixinho grisalho, provavelmente comunista.
― Escrevo porque não sei tocar saxofone ― disse o quarentão barrigudo que estava ficando careca, mas ainda tentava disfarçar. Provavelmente brocha.
― Não tenho the slightest fucking idea! ― gritou a jovem paulistana de roupa fashion e cabelos picotados. Provavelmente idiota.
― Engraçado, nunca ninguém me fez essa pergunta ― rosnou o gringo entediado. ― Acho que escrevo porque sou muito bom nisso. ― Certamente babaca.
― Escrevo porque escrevo porque escrevo porque escrevo ― mas isso ela já nem lembra quem falou, porque a essa altura desistiu de impressionar seu novo namorado intelectual e partiu sozinha para Trindade numa traineira que tinha o seu nome, Anna O., até a inicial era a mesma, e por dois ou três meses não teve vontade de escrever nem bilhetinho para colar na geladeira.
Nota do Editor
Texto gentilmente cedido pelo autor. Originalmente publicado no blog Todoprosa, de Sérgio Rodrigues, que integra o portal iG.
E VC... POR QUE ESCREVE???
quarta-feira, 18 de março de 2009
SER UMA FLOR DE LÓTUS...

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Proteção
Pense na imagem de uma flor-de-lótus.
Ela é encontrada na lama, na água estagnada.
Porém, como suas pétalas são revestidas de uma espécie
de cera, nada pode tocar sua superfície -
a sujeira simplesmente escorrega.
Eu também posso criar esta camada de proteção de
forma que minha pureza e estabilidade permaneçam
imunes às influências externas. Só assim posso ser
verdadeiro comigo, caso contrário me torno uma
marionete das circunstâncias e situações criadas pelos outros.
BK Jayanti
Coping wiyh Negativity, The World Renewal, 29 (3), 1998
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segunda-feira, 9 de março de 2009
Me leve pra conhecer o mundo!
sexta-feira, 6 de março de 2009
Hadouken! rsrsrs só pra matar as saudades...
**antes de iniciar desligue a música do blog no vídeo ao lado
segunda-feira, 2 de março de 2009
Flagrantes da vida real: “Quatro loucas em um conjugado”

Tudo começou quando resolvi me mudar para o apartamento conjugado de uma amiga no bairro do Flamengo. A idéia surgiu quando me vi exausta demais para voltar do Catete, onde fazia faculdade, até Jacarepaguá todos os dias. Enfim, era uma idéia para ganhar mais qualidade de vida.
No início tudo caminhou muito bem, a idéia tinha sido aceita pela dona da casa e pelas 2 amigas que dividiam o ap. Uma das amigas é minha prima, que na época já estava lá há 1 ano com as outras duas. Todas estávamos animadas com a idéia das festas e coisas em comum que desfrutaríamos, e apesar do apartamento ser bem pequeno, nos divertimos muito lá.
Mas nem só de festas, risadas e diversão vivem as mulheres. E tudo começou a ficar maluco quando uma de nós, ou duas de nós (ai ai ai) começou a ficar na famosa “tpm”, hora de ligar o sinal de alerta. (risos)
Imagine você, o que é ser acordado as duas da manhã, por nossa amiga (dona da casa) sempre bem falante, chegando da casa de amigos hiper animada para bater papo. E isso quase sempre acontecia. E como nossa anfitriã tem muitos amigos e é bem animada, sempre queria trazer mais uma amiga para dormir. Ou seja, estávamos sempre fazendo sala.
A faculdade e o trabalho estavam me deixando um pouco cansada, porém a proximidade de dormir por lá ajudava muito. Mas tinha que enfrentar a dinâmica de horários diferentes das outras amigas. A Joana trabalhava na parte da tarde, então sempre estava com pique de papear as 2 da manha com a Julia (dona da casa). Minha prima Melissa dava aulas de informática, num esquema free-lance e eu estava sempre com sono! (rsrsrsrs)
Então começamos a enlouquecer! Eu brigava por umas horas tranqüilas de sono, enquanto a Jô queria ver tv. A Melissa apesar de ser minha prima não queria tomar partido (e estava certa, pois era amiga de todas). Todas que estavam ali pagavam um pequeno aluguel e fazíamos compra. Então as obrigações e direitos eram iguais. Uma loucura! E pra piorar, a dona da casa estava cada vez mais irritada com a situação, pois nos queria por perto, porém num lugar maior. O que não era possível.
Entre brigas, caras feias, reconciliações, todas se salvaram e somos amigas até hoje. Passaram-se 2 anos já e cada uma seguiu seu rumo. E quando olhamos para trás fica uma lembrança engraçada e intensa. Como cabíamos as quatro naquele conjugado maluco? Quatro mulheres, quatro mundos.
Passamos por momentos difíceis também e nos apoiamos muito. Eu fiquei doente fisicamente na época, tive problemas no pulmão. A Joana tinha um problema no rim e estava para fazer uma arriscada cirurgia. A Julia (a dona da casa) faz terapia e toma remédio controlado, porém andava faltando nas sessões; o que a deixava mais agitada. E minha prima estava se aborrecendo com a falta de grana pelo trabalho instável e relacionamentos afetivos insatisfatórios. Enfim, éramos todas muito frágeis e sobreviventes. Na verdade éramos fortes e não sabíamos.
A vida andou e hoje cada uma seguiu seu caminho. Joana fez a cirurgia, se recuperou lentamente e hoje está muito bem. Mora no interior, um lugar bem mais tranqüilo e está mais feliz. Minha prima deu uma guinada de 360 graus. Voltou para a casa dos pais no início. Reencontrou um antigo amor, se casou e hoje tem uma filhinha linda. Eu finalmente terminei a faculdade e estou terminando a pós. Minha saúde está muito melhor e estou com planos de ir para o exterior até o final do ano. A Julia, nossa querida maluca anfitriã, está mais calma e se concentrando mais em cuidar de si mesma. Enfim, o destino sempre encontra uma resposta perfeita para tudo...
Mas hoje quando me lembro de nós, vivendo tudo aquilo, percebo como a vida é incrível! Pois nossa perspectiva sonha, mas o coração nem sempre acredita que se torne realidade. E dou graças à Deus por ter cuidado de nós em tudo. É óbvio que a vida nunca será redonda, mas ela pode sim, se tornar a cada dia um grande milagre!
Obrigada às 3 doidinhas que conviveram com a doidinha aqui, naquele mini-mundo rosa.
Daniela Duarte ou Danny Doo para os amigos
– Diretamente da DOOlãndia
* os nomes de minhas amigas e prima foram trocados para preservar a identidade, porém o meu é real
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QUAL O SEU MUNDO?