terça-feira, 2 de março de 2021

ENTREVISTA COM A MUSICISTA E EDUCADORA MUSICAL CAROLINA SACCOMANO - revista STATTO



Como você ingressou no mundo da música? Quais pessoas te influenciaram?

Sou a terceira geração de uma família de músicos. Meus avós maternos e minha mãe eram coristas da Igreja Presbiteriana e meu tio avô paterno era violinista e professor de música. Meu pai era músico autodidata, tocava de tudo e tinha muitas influências de diversos estilos musicais. Foi ele que ensinou aos meus irmãos e a mim os primeiros acordes de violão. Meus pais e meus irmãos foram minhas primeiras influências.

Aos nove anos iniciei os estudos de música com minha prima pianista e aos onze anos passei a tocar piano em cantatas e igrejas. Nessa fase fui muito influenciada pela música erudita e sacra com nomes como Bach, Beethoven, Chopin, Clementi e Czerny. Na adolescência ingressei no Conservatório de Música e além do erudito fui em busca de outras sonoridades e assim, absorvi diversos estilos musicais e nomes como Ron Kenoly, Yanni e Joe Satriani foram de grande peso nesse período. Sempre eclética, ouvia de tudo e essa miscelânea ganhou força quando passei a dar aula numa escola de música de uma amiga violonista onde conheci o choro e o rock brasileiro. E nomes como Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e diferentes bandas de rock popular se juntaram a esse balaio.

De toda essa musicalidade expressa em diversos estilos, o choro e o rock passaram a ocupar um tempo maior dos meus estudos. Participei de um regional de choro e de uma banda de rock por um curto espaço de tempo, mas intenso o suficiente para solidificar uma boa estrutura do que eu realmente queria para minha carreira como pianista.

E sua trajetória de vida até os dias de hoje. Conte-nos um pouco sobre você e sua história pessoal?

Eu sempre fui da música, embora já tenha tentado sair dessa profissão por inúmeras vezes, pois viver de música em nosso “país musical” é um paradoxo! Então, seguindo o exemplo de minhas primas, migrei para a educação onde passei a dar aulas particulares de música e a lecionar em escolas particulares. Além de tocar em alguns eventos.

Com o passar do tempo a rotina de um profissional independente, o convívio familiar e algumas pressões acabaram sugando a vivacidade de tocar e ensinar. Assim, liguei o piloto automático e acabei me engessando musicalmente. Fechei-me e desisti do som interno. Deixei a música mesmo vivendo dela. Não tinha mais prazer em tocar e meu ouvido também foi se distanciando tanto da musicalidade quanto dos parâmetros fundamentais para um profissional da música.

Fui vivendo uma vida sem muita perspectiva e o brilho da arte acabou se apagando. Cheguei a ter “amusia” e até os outros sentidos como olfato e paladar não eram tão aguçados como antes. As cores também perderam suas informações para mim e a falta de sensibilidade artística havia ocupado o lugar. Dava aulas, mas não tinha prazer.

Toda essa pressão e uma vida desequilibrada contribuíram para o desenvolvimento de uma doença silenciosa, psicossomática e degenerativa, além da obesidade. Retomar ao início e recomeçar o caminho que eu havia perdido foi crucial para que eu pudesse buscar uma melhora física dos sintomas degenerativos e me encontrar novamente como musicista e como mulher. Esse caminho não foi fácil, pois tive que abrir mão de muitas coisas e romper crenças limitantes. Manter o foco em minha fé e o apoio do meu filho e familiares foi fundamental.

Eu não estou fisicamente curada, pois essa degeneração ainda persiste, mas a “amusia” se foi! Ter a mente sadia, sentir o perfume de uma rosa, ter paladar ou me emocionar com uma música são pequenas sensações que eu achava não mais conseguir sentir. Poder sentar em frente ao meu piano, tocar, ter o prazer da sonoridade e do timbre do instrumento, praticar um estudo da minha adolescência ou até me desafiar em tocar uma música que nunca fez parte do meu repertório é de uma felicidade e satisfação que me motivam a continuar no caminho da arte.

Quais os principais desafios como uma educadora musical? Com quais idades você atua?

Ser um educador musical requer muito estudo não só do instrumento, mas da pedagogia em si. De como você passará o conteúdo para seu aluno e como esse aluno está preparado para receber essa informação e assim, aprender e não apenas compreender. Ser um educador é transformar vidas! Você precisa entender que está diante de um ser humano com histórias e emoções. Ensinar música não é apenas pegar um instrumento e repassar uma música para o aluno tocar. Você mexe com a sensibilidade dele, você o incentiva a estudar e a acreditar em si.

Também há a estrutura que envolve uma aula como local, instrumentos, equipamentos que muitas vezes são improvisados. Esse lado do educador é pura criatividade e um pouco de alquimia, pois transformar uma aula sem recursos em aprendizado é para poucos.

Atualmente, minha profissão se divide em educação musical num colégio particular para a educação infantil e ensino fundamental e as aulas particulares de instrumento onde leciono para várias faixas etárias. Destaco a alegria em ensinar um instrumento para a melhor idade. É uma turma deliciosa de se trabalhar! Sem pressa em aprender, são dedicados e as aulas sempre são cheias de ensinamentos. Ambas as partes saem ganhando em conhecimento. Constantemente vencem obstáculos como, por exemplo, da conexão e do celular numa aula por vídeo chamada.

E quanto aos desafios de ser mãe de um adolescente nos dias de hoje, o que poderia nos contar? Ele também é ligado à música?

Digo que voltei a ser adolescente com ele. Ser mãe nessa fase de adolescente é uma total aventura! Ele gosta sim, dos rocks dos anos 70/80 e tem sua guitarra, mas a música não é sua vocação. Ele ama carros e tem me ensinado muito sobre esse universo de motores, drifts, carros tunados e carros antigos…

Acredito que, como toda mãe, as redes sociais me assustam um pouco. Mas tenho conversado muito com ele e procuro ficar a par das suas publicações e dos amigos que ele conversa por vídeo chamada. Ele é um garoto muito inteligente e ao contrário da mãe, extremamente caseiro. Muitas vezes parece o Professor Pardal inventando coisas e procurando soluções para algumas situações rotineiras.

Como é participar de um ministério musical na igreja? Você ainda atua nesse sentido?

Participar do ministério musical e manter minha fé viva foi o reservatório de onde pude me alimentar nessa fase tão difícil que vivi. Ser um ministro é mais que tocar, você precisa imergir em águas profundas, viver uma intimidade com Deus para entender a atuação do Espírito quando estamos ministrando. Muitas vezes presenciei curas e manifestações sobrenaturais durante as músicas tocadas num momento de adoração. Saber conduzir esse momento estando conectado com aquilo que, na outra dimensão está acontecendo é ser o instrumento afinado para o Autor usar.

Algumas pessoas pensam que é só tirar uma música, ensaiar e pronto! Mas é mais que isso, requer muito tempo de estudo não só musical, mas bíblico e de um caminhar com Jesus. Não é só o momento de estar com sua banda tocando. Vai além…

Por isso eu prefiro os caminhos que poucos percorrem: tocar na rua onde muitas pessoas passam e se sensibilizam, visitar pessoas levando a música e, na atual situação, as “lives” onde você consegue atingir gente de diversos lugares.

Atualmente não participo ativamente do ministério musical, mas faço da minha vida um constante ministério exercendo uma função que fui escolhida desde criança.

Quais suas principais influências musicais no Brasil e no mundo?

Constantemente sofro influências que meus amigos mentores me indicam. As maiores de todas, sem dúvida, são Egberto Gismonti e Arismar do Espírito Santo, mas quem também me apresentou esses grandes nomes me influenciaram em estilos inusitados e maneiras de enxergar a música de um prisma totalmente distorcido, haha!

Outro nome que, ultimamente, tenho reaprendido a ouvir é Jacob do Bandolim. Mas também trago nomes de minha infância que não abro mão como João Alexandre, Jorge Redher, Nelson Bomilcar e o maravilhoso Jorge Camargo! Ao piano levanto nomes como Hércules Gomes, Duo Gisbranco, Amilton Godoy, Turi Collura e Cezar Elbert.

As influências internacionais vêm de bandas como Queen e Dream Theater, músicos como M. Shvangiradze e A. Holdsworth, o produtor Ramises B, o compositor M. Nyman e o maestro E. Morricone são nomes que você encontrará na minha playlist. É um balaio com estilos variados!

Quais instrumentos você toca e leciona? Quais métodos você utiliza?

Eu ensino piano, violão, ukulele, escaleta e flauta doce. Sobre métodos, gosto muito do Sistema CLASP de Keith Swanwick. Procuro entender a necessidade do aluno e apresentar os fundamentos da música de maneira mais natural possível. É incrível você ensinar seu aluno a ter intimidade com o instrumento e, somente depois, aprender as estruturas musicais ou executar uma técnica mais aprimorada. É uma satisfação ensinar a música preferida de seu aluno e vê-lo tocar. É realizador ver seu aluno emocionado em ler uma partitura quando, por suas próprias crenças, achava-se incapaz de conseguir.

É possível dar aulas virtuais? Como funciona e até que ponto isso é válido?

Sim! Quando surgiu a pandemia, migrei todas as minhas aulas para o modo virtual. Se o aluno tem um celulares e dados móveis já há possibilidade de se fazer uma aula com qualidade.

Além do material dinâmico, disponibilizo vídeos e suportes para dúvidas. Procuro uma interação constante com o aluno e ele não se sente abandonado ou inseguro em realizar seu estudo virtual. Essa conectividade transforma o aluno em amigo e assim, me conecto com pessoas de todas as idades e de muitas cidades do Brasil e até do exterior.

A personalidade de uma pessoa que toca ou canta é refletida através da música? Fale-nos um pouco sobre isso?

Wittgenstein (1968) disse: “Os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo”. A música é uma linguagem, ela é a expressão do que sentimos e vivemos. Quando você toca/canta, você transmite o que está intrínseco em sua alma e por mais simples que seja, não deixa de ser uma manifestação artística. Ao aprender música e desenvolver sua habilidade, você adquire bagagens e ferramentas para trabalhar suas emoções e assim, transmitir sua personalidade.

É através da música que muitos compositores manifestam suas inquietações políticas e sociais e os músicos transmitem suas ideias, crenças e alegrias. As mesmas músicas tocadas por músicos de diversos estilos têm efeito diferente para quem ouve. Ela se torna uma assinatura para alguns e um escape para outros.

O que poderia deixar como mensagem ao público em geral nesse momento de pandemia? O que é essencial e o que é supérfluo?

São tempos de total incerteza, muitas opiniões e diferentes maneiras de enxergar a pandemia. Eu tenho evitado aglomerações, mantido o isolamento social e as normas sanitárias para a prevenção. Conversando com um amigo que uma vez disse estar com medo da Covid-19, questionei se o que ele estava sentindo realmente era medo ou cautela. Ter a responsabilidade de não contaminar seus parentes e amigos não é medo, mas respeito ao próximo. É o princípio do amor e da essência do cristianismo. Eu deixo a mensagem do Apóstolo Paulo: “Que cada um de vocês esteja seguro de estar fazendo o melhor”. (Gálatas 6.4)

Deixe seus contatos para divulgação (redes sociais, YouTube, WhatsApp e etc.):

WhatsApp: https://api.whatsapp.com/send?phone=5511945595336

SoundCloud: https://soundcloud.com/carolinasaccomano?ref=clipboard

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extraído: ENTREVISTA COM A MUSICISTA E EDUCADORA MUSICAL CAROLINA SACCOMANO | Revista Statto

ENTREVISTA COM O CASAL ROLANDO E SANDRA ZAPATA DO BRASIL PARA O CHILE! - revista STATTO



Entrevista com o pastor Rolando da “Iglesia Presbiteriana de Chile” e sua esposa Sandra que atua como agente educativo na “Fundación Integra”! Ele, chileno de nascimento, voltou para a terra natal com a família constituída no Brasil. Ela, precisou se adaptar a uma nova realidade superando desafios! Veja o que o casal nos contou sobre os inúmeros percursos vividos, sempre buscando a direção de Deus e as principais diferenças entre os países.

Rolando e Sandra, contem-nos um pouco sobre a trajetória de vida de vocês, como se conheceram e o que os motivou a escolherem cada um a carreira que tem hoje?

(Rolando): Falamos de uma história que começou em 1990. Venho de uma família cristã, mas que nesse momento estava afastada da comunhão com a igreja. Eu tinha acabado de ter um encontro com o Senhor e isso motivou meus pais a procurar um lugar para congregarmos.

Certo dia meu pai, andando pelo Jardim Consórcio, em São Paulo, encontrou uma pequena congregação da Igreja Presbiteriana. Ele começou a ir e me chamou para acompanhá-lo, com toda família.

Era uma igreja pequena, mas muito acolhedora, de pessoas que realmente amavam ao Senhor. Aí estava minha futura esposa, e eu não sabia. Nunca mais saí da igreja. Procurávamos viver o evangelho e crescer. Nos dirigia um presbítero, já que não tínhamos pastor nesse momento.

Pouco tempo depois, a igreja sede enviou um pastor para trabalhar conosco. Eu tinha terminado o ensino médio e estava pensando em seguir a carreira na agronomia. Mas comecei a observar e encantar-me com o trabalho pastoral. Era fascinante que seu trabalho fosse estudar a Bíblia, ajudar as pessoas, aconselhar, etc. Aquilo foi incendiando meu coração, até que conversei com meus pais.

Meus pais se alegraram muito com a minha inclinação, e eu tomei como uma resposta de Deus para mim. Meu bisavô tinha sido pastor aqui no Chile e isso dava um “toque” ainda mais especial. Depois disso conversei com meu pastor, fui examinado pelo conselho da igreja e enviado ao Seminário.

No meio disso tudo estava Sandra. Me admirava do seu amor pelo Senhor, seu trabalho, seu sorriso, sua alegria em falar do seu Salvador. Comecei a vê-la com “outros olhos” e começamos a namorar no dia 12/02/91.

Estudei no seminário da igreja por seis anos. Depois dos exames, licenciatura, fui ordenado ministro presbiteriano no dia 11/12/99. Um longo processo. Depois disso fiz a convalidação na Universidade Mackenzie. Comecei mestrado em divindade aqui no Chile, o que ainda estou fazendo.

Hoje sirvo ao Senhor como pastor na cidade de Concepción, há 500 Km de Santiago. Estou unido à “Iglesia Presbiteriana de Chile”, dou aula no seminário de nossa denominação, além de outras atividades desenvolvidas regionalmente.

(Sandra): Dou graças a Deus por sua providência em nossas vidas. Conhecemo-nos servindo ao nosso Salvador e isso se fortaleceu com o tempo.

No pessoal, sou apaixonada pela educação. Ensinar, compartilhar conhecimento. Uma vocação que desenvolvo na minha vida profissional e na igreja também. No Brasil, fiz curso do magistério e a faculdade de Pedagogia e aqui no Chile, continuo com o magistério no coração servindo na igreja.

O ministério pastoral possui inúmeros desafios. Na sua visão de pastor e provedor do lar, é possível nos dias de hoje conseguir se dedicar exclusivamente ao ministério? Quais os principais desafios?

Aqui no Chile, o Senhor tem-me dado vários desafios. Dentre eles, tenho ajudado à minha igreja como professor no Seminário. Uma das matérias que ensino justamente fala da vocação e do trabalho ministerial.

O trabalho pastoral é muito amplo. Eu tinha uma visão muito pequena quando observava meu pastor e cria que tudo era estudar a Bíblia, orar, pregar e coisas relacionadas à visitação.

A verdade é que o cuidado pastoral requer muito tempo. Pastorear implica em presença, preocupação, fazer seguimento, encontrar-se, isso individualmente, além do trabalho de ensinar, capacitar e treinar.

Como professor indico aos meus alunos que o ministério deve ser desenvolvido, em seu ideal, com exclusividade. No entanto, os tempos são difíceis e lamentavelmente isso não é sempre possível.

Por isso temos tantos ministros que devem buscar seu sustento em outras atividades, além de dedicar-se ao pastoreio. É necessário ter uma boa equipe de trabalho. Líderes comprometidos que possam auxiliar no trabalho para poder alcançar a todos.

Na igreja cada um é chamado para desenvolver seu dom para a edificação do corpo de Cristo. A Escritura deixa claro que aqueles que se dedicam exclusivamente ao ministério devem ser cuidados e amparados pelas suas comunidades.

Esse é um tema delicado, já que por tantos escândalos envolvendo abusos de alguns líderes religiosos, falar dessas questões é quase que proibido. Cuidar daqueles que nos cuidam é um bom princípio que, além de bíblico (o que seria suficiente), é lógico e esperado.

A igreja deve reconhecer o chamado de seus pastores e respaldá-los para que possam fazer e desenvolver o ministério que o Senhor os chamou a realizar. Às vezes a igreja dificulta esse processo e o desgaste na vida e família pastoral é muito grande.

Você e Sandra estão juntos a bastante tempo. Namoraram, noivaram, depois planejaram o casamento e filhos. Qual é a base do relacionamento de vocês? Como conseguiram fazer as coisas com tanto empenho, disciplina, o que os motivou?

As coisas não são sempre como planejamos. Começamos a namorar e sempre pensamos em algo sério, mas não tínhamos condições. Eu estava estudando, Sandra trabalhava e estudava. Deixamos as coisas nas mãos do Senhor.

Sempre pautamos nossa vida em relação a Deus. Sabíamos que Ele sempre foi o responsável pela nossa união e orávamos para que nos dessas condições de unir-nos em matrimônio.

Por volta de 1996 meu pai voltou ao Chile para trabalhar. Depois de alguns meses já havia tomado a decisão de que a família devia segui-lo e começar a vida ali.

No meio disso tudo vimos a mão de Deus. Em poucos meses tínhamos casa mobiliada, porque minha família se mudava ao Chile e eu poderia casar-me, já que ficaria no Brasil. Isso ocorreu em 1997.

Com relação aos filhos, Sandra tinha recebido a “sentença” de que não poderia ser mãe. Não tinha condições físicas, segundo o médico. Ela teve um aborto espontâneo e isso foi causa de muita tristeza.

Além disso, temos incompatibilidade sanguínea. Nossos sangues não “casam”. No entanto, Deus nos deu dois maravilhosos filhos. Quando Yasmim nasceu os médicos diziam que ela devia ter o mesmo sangue de Sandra, porque o problema é que o seu organismo entende o feto como um “corpo estranho” e o ataca.

No entanto, ela tem o meu tipo sanguíneo. Só Deus para intervir dessa forma e nesse nível tão delicado. Com Daniel já foi mais fácil porque ela tomou uma “vacina” para não ter problemas de incompatibilidade. Nosso filho também tem meu tipo sanguíneo. Milagres por todo lado.

Como podem ver, nós tínhamos planos, mas Deus sempre o concretizou de “Sua forma” e no “Seu tempo”. Só tínhamos desejos, ideias, sonhos, mas foi Deus sempre que o fez, de forma singular e tremenda.

Sandra você deixou a terra natal, familiares e muitas coisas para trás, para poder se mudar com sua nova família para o Chile. Como planejaram essa mudança? E como foi especialmente para você?

Confio plenamente que cada passo que damos como família, tem o respaldo da vontade boa, perfeita e agradável de Deus.

Nunca imaginei mudar de país, deixar minhas raízes e ainda em um momento maravilhoso da minha carreira profissional.

Rolando me contou que lhe haviam feito o convite para pastorear uma igreja no Chile, esperando ouvir o mesmo de sempre: “NUNCA”, mas dessa vez para nossa surpresa, terminamos essa conversa decididos a orar e saber a vontade de Deus.

Passamos um tempo orando, com a ajuda de nossa igreja. Rolando veio ao Chile sozinho, conhecer a cidade, a igreja que nos estava convidando e voltou ao Brasil.

Então, depois de um tempo chegou o “VAMOS”! Senti-me tranquila, não pareceu tanta loucura, ainda que a gente não falasse nada do idioma e não tínhamos ideia de tanta mudança que iríamos enfrentar…. Desde o clima, ao sabor de uma fruta, a inexistência de um bom café, as diferenças culturais, e toda solidão e tristeza que tivemos que ver no coração de nossa pequena filha, Yasmim que aos seis anos foi levada para longe de seu entorno seguro: primos, avós, tias e tios. Logo, ser levada ao colégio com uma extensa jornada, já que aqui no Chile, existe a jornada escolar completa e os alunos tem aula o dia todo.

Yasmim, aos seis anos entrava ao colégio desde 08h30minhrs e ficava até as 17h30minhrs, sofreu discriminação por ser estrangeira e isso nos afetou muito como família. Foram momentos em que nos foi difícil encontrar o bom, agradável e perfeito, ainda que não somos chamados a viver pelas circunstâncias, mas vencê-las por fé. Isso fizemos e ensinamos nossa filha a fazer… Confiar que qualquer lugar será bom e seguro, quando Deus está!

Quais os pontos fortes do Chile comparando-o ao Brasil? Educação, trabalho, qualidade de vida? O que os motivou a mudança de país?

Estivemos recentemente no Brasil e parece que agora é mais fácil ver as diferenças. Claro que o Chile tem 10% da população do Brasil, e isso não pode ser desconsiderado, mas vemos o nível de organização do Chile.

Aqui no Chile, apesar de ser um país do terceiro mundo, como o Brasil, é possível ver muito mais organização, cuidado com a população que aí. Há processos melhor definidos e políticas mais claras. As pessoas sabem o que tem que fazer.

No entanto, creio que aqui as diferenças sociais se percebem com mais clareza e definição. O Brasil é muito homogêneo, os tons estão bem mais misturados, se confundem, aqui no Chile há mais distinção.

Por isso, se você não tem recursos, é difícil conseguir uma boa educação, acesso à universidade, etc. O ensino público não é bom, como no resto da América Latina, e a maioria das famílias sabem desde cedo qual será a progressão dos seus filhos e ao que, mais ou menos, podem aspirar. Ainda que se tem lutado por uma educação mais acessível, isso ainda está em processo, mas espero que seja mais igualitária em um prazo médio.

Trabalho não é fácil. Ultimamente, na realidade que vivemos, há muito desemprego e muitas pequenas empresas sendo afetadas. É comum ver jovens recém-saídos da faculdade que não conseguem trabalho.

No entanto, o Chile é mais estável que o Brasil, em termos econômicos. Não há tanta inflação, e é possível planificar-se em projetos pessoais. Claro que a pandemia vai reestruturar muitas coisas que ainda não estão contempladas ou que não consideramos, e é por isso que devemos ser sábios, entender os tempos, orar pelos nossos governantes e rogar a misericórdia do Senhor.

Nós chegamos aqui em 2009. No ano anterior fui contatado para conhecer uma igreja na cidade de Chillán que precisava de pastor, ha 400 Km de Santiago. Estive uns dez dias conhecendo a estrutura da cidade, o trabalho, a igreja e tudo mais.

Ao voltar ao Brasil tivemos um tempo de oração e depois recebemos oficialmente a proposta para vir trabalhar. Ficamos até janeiro de 2018 em Chillán e depois assumimos o trabalho em Concepción, que fica a 100 Km de Chillán. Permanecemos por aqui desde então.

Quanto tempo faz que estão em terras chilenas? Qual a idade que cada um tinha quando retornaram? Já estão bem adaptados?

Já faz doze anos que estamos no Chile. Eu e Sandra tínhamos trinta e cinco anos, Yasmim tinha seis e Daniel um ano e meio. E uma coisa é certa. Sempre há elementos em que somos mais brasileiros que chilenos.

Eu nasci aqui no Chile, mas desde os dois anos e meio de vida e até os trinta e cinco, vivi no Brasil. Só faltou naturalizar-me. Tudo mais em nós é brasileiro. Eu sempre pensei que, pelo fato de ser de família chilena, isso tornaria mais fácil a adaptação. A verdade é que a cultura é algo tremendo e não se pode desconsiderar a pressão que exerce sobre as pessoas.

O chileno é muito diferente. Mais reservado, impermeável, não tem muito humor e é desconfiado. No Brasil as pessoas são muito mais abertas, te contam a vida, abrem suas casas. Creio que essa é a principal diferença e nos custou tempo aprender a viver nestes moldes.

Nesta última viajem, agora em janeiro 2021, tive a impressão de que sou um pouco mais chileno do que antes. Creio que quando a gente começa a viver e ver as coisas em outros lugares, com os padrões de onde vivemos, significa que algo daquele lugar é parte sua.

As pessoas aqui no Chile sempre nos verão como “estrangeiros”, porque nossos hábitos são outros, as comidas são as do Brasil, mas vamos nos tornando mais chilenos a cada ano que passa, essa é a verdade.

Como são as igrejas e comunidade cristã no Chile? É muito diferente do Brasil?

Cada igreja está intimamente ligada à sua cultura. Não tem como desvencilhar. Trabalho na mesma denominação a que pertencia no Brasil, mas as mudanças são perceptíveis.

Aqui no Chile são muito mais formais, pouco dados à emoção, embora isso esteja mudando pouco a pouco. O que percebo é que o fenômeno da imigração tem afetado muito a cultura chilena. Os imigrantes que chegam aqui (venezuelanos, haitianos em sua maioria) são muito diferentes. Trazem consigo alegria e uma perspectiva de vida diferente. Isso tem mudado o chileno, influenciado, embora ainda não se perceba isso tão claramente.

As igrejas pentecostais são bem parecidas às do Brasil, só que aqui no Chile não há muito espaço para exageros emocionais. Algumas denominações neopentecostais que são tão dominantes aí no Brasil, aqui não têm muita expressão. Outras nem sequer conseguem estabelecer-se. Como disse, o chileno é mais desconfiado, e não se deixa manipular tão facilmente, porque não é muito dado às emoções.

As maiores denominações aqui são as Pentecostais “históricas”. Os metodistas têm grande expressão no meio evangélico. Também existem os líderes que exploram o povo, mas não o fazem por meio de milagres, campanhas, ventas de unguento ou outros elementos.

O bom é reconhecer que o Senhor não atua com base às expressões culturais, abertura ou não das emoções. Ele criou todas as culturas e povos.

Por essa razão, sabemos que os seus filhos serão chamados e perfeitamente conduzidos ao seio de Sua Igreja. As diferenças existem, mas Deus continua sendo o Soberano Senhor.

O Rolando passou recentemente por problemas de saúde, poderiam nos contar um pouco sobre esse testemunho?

Passei pela COVID-19 no mês de janeiro. Estivemos no Brasil para as festas de fim de ano e férias. Não sabemos ao certo onde nem como, mas acredito que nos contagiamos aí.

Daniel teve febre um dia e eu no dia seguinte. A dele durou dois dias, a minha doze. Tinha debilidade, estava decaído, nada mais. Depois de uma semana assim, Sandra me levou ao médico e me receitaram antibióticos e outros remédios, numa possível gripe forte.

A febre continuou mais fraca, mas ainda me sentia debilitado. Passaram os dias e chegou o momento de voltar ao Chile. Como há exigência do PCR para entrar no país, nós fizemos o teste, dando todos negativos.

Pegamos o avião no dia 20 e eu já estava muito mais cansado. Não aguentava meu corpo, não tinha fôlego.

Chegamos ao Chile e cada passo custava muito, precisava descansar, tomar ar. Nos fizeram outro PCR aqui e me deu positivo. Chegamos a Santiago e devia chegar a Concepción, que fica há mais de 500 Kms de distância. Foi uma viajem muito difícil. Cansado, com muito desgaste chegamos em casa naquela noite.

No dia seguinte Sandra chamou a ambulância, depois que recebi o resultado do exame. Já sabíamos que era COVID-19 e que todo meu mal-estar era pelo vírus e a pneumonia. Fui levado ao hospital e fiquei ali por seis dias.

Tenho hipertensão e sou asmático. Esses antecedentes não são bons no que diz respeito à COVID. Estive conectado ao oxigênio por três dias. Graças a Deus não precisei ser entubado.

Muitos irmãos, não só da nossa igreja, mas de todo país, além de queridos de outras congregações e também no Brasil, estiveram intercedendo e o Senhor escutou o nosso clamor.

Há muita incerteza em como seu corpo vai reagir ao vírus. Não sabemos se o sistema imunológico vai ter condições de combater o vírus ou não. Eu tive pneumonia e vi as coisas complicadas em alguns momentos.

Os temores nessa hora são naturais, a gente pensa em tudo, na família, trabalho, amigos, etc. Há muita informação também. Você vê gente mais jovem falecendo, atletas perdendo a batalha, outros pastores, e pensa: Será minha hora?

Tive tempo para derramar todas essas questões, sentimentos, temores na presença do Senhor. Ainda estou aqui e isso significa que a misericórdia do Senhor foi derramada sobre nós.

Tenho plena convicção de que não sou mais fiel do que muitos queridos irmãos que o Senhor decidiu levar. Isso significa que seus planos, sua vontade para minha vida é que eu continue por aqui, desenvolvendo o meu trabalho, o que Ele me chamou a fazer.

Estou em processo de recuperação. Apesar de todo o contato, Sandra não foi contagiada e Daniel está bem. Entender e viver no centro da vontade de Deus é o melhor que podemos fazer.

Muitas vezes nossa relação com o Senhor é utilitarista. Precisamos d´Ele, sabemos que Ele é Todo-poderoso e por isso o buscamos, para que Ele nos ajude em nosso projeto pessoal, abra umas portas, impeça que os inimigos nos atrapalhem e etc. Nessa relação, não entendemos quando Deus não responde afirmativamente, ficamos buscando entender o que fizemos para que Ele não nos ajudasse, e às vezes, até beiramos a incredulidade.

No entanto, quando a relação se estabelece na direção correta, é você que está vivendo o Plano de Deus para sua vida. Ele é o Senhor, que controla, dirige e tem o projeto mais santo, justo e digno.

Falo isso porque devemos construir nossos projetos e aspirações sempre a partir da vontade de Deus. Você vê o amor de Deus em Cristo, mandando seu Filho por nós, para ter-nos como seus filhos, e isso deve ser suficiente para que nos rendamos e descansemos no Seu querer.

Se permanecemos aqui, é porque há algo que devemos ainda cumprir em Sua vontade. Não tenho outra explicação. Entender e encontrar essa razão dá sentido à sua vida e te motiva a continuar.

Sou agradecido a Deus, da sua Graça, esse favor imerecido que Ele insistiu em dar-me, não porque seja melhor, porque não há nada em mim que o obrigue a fazê-lo, mas só pela Sua soberana vontade que sempre é a mais excelente e sublime para todo ser humano.

Onde e como vocês (incluindo os filhos) se imaginam daqui a dez anos?         

Yasmim está no Brasil. É um processo difícil ver um filho seguindo seu caminho, e isso implicando em que se vá de sua casa. Estamos ainda nos adaptando à essa nova realidade. Nossa oração constante e diária é que Deus dirija seus passos e abençoe em todas os momentos e lugares.

Se uma coisa Deus me tem ensinado é a não fazer muitos planos. O amanhã pertence ao Senhor, bem como o hoje. Na nossa finitude, podemos sonhar, idealizar, mas tudo deve ser submetido e entendido sob a ótica da eternidade e do plano de Deus para nós.

Deus tem se encarregado em manter-me no ministério, ainda quando pensei em outras atividades e ocupações, então estou certo de que daqui a dez anos, se estivermos com vida, continuaremos no trabalho pastoral. O lugar não sabemos, a princípio nos mantemos aqui no Chile, mas sempre rendidos ao querer do Senhor.

Que mensagem gostariam de deixar as pessoas nesse momento delicado em que estamos vivendo devido a pandemia?

A pandemia nos tem ensinado muitas coisas. Uma delas é a nossa fragilidade, como as coisas mudam repentinamente e coisas habituais, cotidianas e comuns deixam de sê-lo, transformando nossa realidade.

Ficamos esperando a cura, vacinas, etc. Colocamos nossa esperança nos avanços tecnológicos e farmacêuticos, mas, estaremos seguros?

A verdade é, como diz a Escritura, somos como um sopro e nossos dias como uma sobra passageira (Salmo 144.4). Isso nos leva à necessidade de contemplar a eternidade.

Isso não é religião, não se trata de uma forma de enxergar as coisas, de ver a vida, mas daquilo que permanece, do que realmente persistirá.

Buscar a Deus e viver com Ele, de acordo à Sua Palavra não é somente uma decisão espiritual, é a possibilidade da transcendência, de não ficarmos presos às circunstâncias, de não estarmos submetidos e esperançosos de ações de outras pessoas, tão finitas e desnorteadas como qualquer um de nós.

Se você percebe sua pequenez, debilidade e incapacidade de controle, como tem sido manifesto por esse vírus, creio que a melhor decisão de sua vida será buscar conhecer a Deus, relacionar-se com Ele, conhecê-lo e ser conhecido por Ele.

Todas essas coisas passarão, a COVID pela graça de Deus será superada, outras surpresas chegarão, mas tudo fica aqui. Tentamos atrasar esse dia o mais que podemos, mas um dia nossos olhos se fecharão neste lugar e a vida seguirá o seu caminho na eternidade. E aí não tem ponto final, só a continuidade. Como estaremos? Onde estaremos? Isso depende da nossa relação com Deus.

Como Ele diz: “Busquem o SENHOR enquanto é possível achá-lo; clamem por Ele enquanto está perto”. Isaías 55.6.

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extraído: ENTREVISTA COM O CASAL ROLANDO E SANDRA ZAPATA DO BRASIL PARA O CHILE! | Revista Statto

O NOME DELA É CLAUDIA! - revista STATTO

 



Claudia é uma mulher guerreira que mora em Taubaté, na região do Vale do Paraíba/SP!

Mãe de três filhos com nomes bíblicos: Midiã, Joás e Abner. E avó de Thiago Mateus (duplamente bíblico!). Mas ela alega que não é assim tão devota da bíblia (imaginem se fosse).

Trabalha como cuidadora de idosos, mas já fez de tudo. E se precisar fará de novo…

Aos 44 anos, Claudia diz que é dona de si mesma e não espera nada de ninguém. Mas todos sabem que isso é papo furado: ela está à espera de um grande amor! De alguém que venha para somar.

É uma pessoa que gosta de estar envolvida em assistência social ao próximo, sempre ajuda a arrecadar cestas básicas ou coisas que precisam em campanhas que aparecem no seu bairro.

Já andou muito a pé, mas hoje prefere não se desgastar demais. Gosta de uma cervejinha com as amigas, ama desabafar em rede social e depois diz que era só para chamar a atenção (de quem?).

Tem muitos amigos e pessoas que já se acostumaram com sua companhia, mas mesmo assim às vezes se sente sozinha…

Adora se maquiar e tirar fotos para o “crush” do momento. Tira fotos junto com sua filha adulta, que mais parece sua irmã, Xerox!

É trabalhadora, batalha para manter a casa e as coisas nos eixos, faz o que pode! Mas às vezes só gostaria de fechar os olhos e relaxar numa praia em Ubatuba com o boy magia a tiracolo…

É uma mulher como muitas brasileiras, que segura à peteca, se vira nos trinta, é mãe, pai, o que for preciso, para mostrar seu amor aos filhos. Ela não é perfeita, como muitas já cometeu suas falhas, mas é apaixonada pela vida, pelos filhos e amigos…

E se você precisar pode contar com ela, mesmo que ela pareça indiferente, pareça ter sumido, pareça ter surtado. Vi isso em poucas pessoas, mesmo com suas incongruências, é uma pessoa que se importa com o próximo! E isso não é pouco…

O nome dela é: Claudinha (como dizem os filhos)!

Obs.: Contatos para quem precisar de cuidadora de idosos para a região de Taubaté, São José dos Campos, Pinda ou Caçapava: Whats (12) 9.9149-0151.

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extraído: O NOME DELA É CLAUDIA! | Revista Statto

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

LOUCURAS DE LADY LITA - revista STATTO

 




Eu cresci mirando sua beleza. Parecia uma estátua que tinha em nossa sala, uma deusa do Olimpo. Circulava pela sala com seu “penuar” amarelo florido e era chamada de “madame” pelo marido. Dá para entender como se criam os mitos…

A criança cresceu e notou que aquela deusa era um tanto excêntrica. Temperamental, ora dando risadas e outras esbravejando por algum motivo, enfim como uma mulher comum.

Tempos depois surgiram outros filhos que roubaram a brisa de filha única e o castelo da deusa ficou cada vez mais tumultuado (risos). Pois a vida cotidiana é bem distinta das séries que a criança assistia com sua mãe. “Jeannie é um Gênio”, “Samanta a Feiticeira”, “Barco do Amor”, “Os Imigrantes”, “Mulher Maravilha” e etc.

Embaladas por B-52 (The B-52’s – Legal Tender (Official Music Video) – Youtube) e outros sons típicos da década de 80, elas viviam numa espécie de mundo mágico, mesmo com as loucuras do dia-a-dia.

Para incrementar ainda mais o cenário, no apartamento do andar de baixo vivam alguns parentes próximos com crianças, então era realmente tudo que uma criança queria! Momentos mágicos e turbulentos embalados a muita brincadeira e sonhos…

Mas sua mãe tinha algo diferente, talvez por ser muito jovem, dizia coisas engraçadas mesmo sem querer. Do tipo “só se eu virar bolacha”, quando a criança teimava que queria comer bolacha mesmo que a mãe dissesse que já tinha acabado aquele pacote. E não era falta de condições para comprar outra, era o jeito juvenil (da mãe) de se expressar mesmo!

O tempo passou, os filhos cresceram, a vida mudou. Mas hoje mesmo que cada um more em sua própria casa, quando olho para trás acho graça de muitas fases de nossa convivência. Na adolescência, meus irmãos “alugavam” a Lady dizendo que ela estava muito roqueira, muito isso, muito aquilo. Sempre achando graça de alguma faceta sua.

Pessoas exóticas mesmo que o tempo passe, as intempéries da vida ocorram notamos lá no fundo sua essência diferente.  Sempre lendo algo interessante, estudando, ou fazendo cursos breves, assistindo algum documentário, ela é curiosa, inquieta.

Quando mais nova era uma apaixonada por piscina e ensinou aos quatro filhos a nadar! Nadava muito e sempre caminhou bastante. Tenho fortes lembranças de nossas andanças quando criança. Hoje ela está um pouco menos ativa fisicamente, mas ainda ama a natureza, passear ao ar livre, flores, paisagens…

Fez curso de pintura, pintou várias telas, virou avó, e está concluindo a faculdade de pedagogia, pois sempre é tempo de recomeçar e fazer algo que se goste ou deseje de verdade.

Mudou-se de residência várias vezes com o marido e filhos, trabalhou em alguns negócios da família, e vamos combinar que não é fácil, mas criou quatro filhos (dois homens e duas mulheres), se renovando, adaptando-se a cada geração (filhos) e diferenças de idade e personalidade entre eles.

Eu só desejo que você conquiste ainda mais coisas de que sente vontade e sei que tem muitos sonhos ainda! De coração leve, renovado e pronto para novos desafios sempre!

Obrigada pela avó preocupada e sempre presente que você é. Parabéns por sua vontade de se manter atualizada e de alguma forma em movimento, mesmo dentro dos seus limites físicos devido às dores de fibromialgia e artrose. Você ainda é bem gata e nova! Ficou uma coroa de sessenta, enxuta hein… (risos).

Despeço-me com outra música que me lembra muito de você: Talking Heads – The Lady Don’t Mind (Official Video) – Youtube

E agradeço por tudo que fez e ainda faz por todos nós, minha mãe!

Você é Lady, mas não é a Gaga! Ufa…

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extraído: LOUCURAS DE LADY LITA | Revista Statto


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