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terça-feira, 2 de março de 2021

ENTREVISTA COM A MUSICISTA E EDUCADORA MUSICAL CAROLINA SACCOMANO - revista STATTO



Como você ingressou no mundo da música? Quais pessoas te influenciaram?

Sou a terceira geração de uma família de músicos. Meus avós maternos e minha mãe eram coristas da Igreja Presbiteriana e meu tio avô paterno era violinista e professor de música. Meu pai era músico autodidata, tocava de tudo e tinha muitas influências de diversos estilos musicais. Foi ele que ensinou aos meus irmãos e a mim os primeiros acordes de violão. Meus pais e meus irmãos foram minhas primeiras influências.

Aos nove anos iniciei os estudos de música com minha prima pianista e aos onze anos passei a tocar piano em cantatas e igrejas. Nessa fase fui muito influenciada pela música erudita e sacra com nomes como Bach, Beethoven, Chopin, Clementi e Czerny. Na adolescência ingressei no Conservatório de Música e além do erudito fui em busca de outras sonoridades e assim, absorvi diversos estilos musicais e nomes como Ron Kenoly, Yanni e Joe Satriani foram de grande peso nesse período. Sempre eclética, ouvia de tudo e essa miscelânea ganhou força quando passei a dar aula numa escola de música de uma amiga violonista onde conheci o choro e o rock brasileiro. E nomes como Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e diferentes bandas de rock popular se juntaram a esse balaio.

De toda essa musicalidade expressa em diversos estilos, o choro e o rock passaram a ocupar um tempo maior dos meus estudos. Participei de um regional de choro e de uma banda de rock por um curto espaço de tempo, mas intenso o suficiente para solidificar uma boa estrutura do que eu realmente queria para minha carreira como pianista.

E sua trajetória de vida até os dias de hoje. Conte-nos um pouco sobre você e sua história pessoal?

Eu sempre fui da música, embora já tenha tentado sair dessa profissão por inúmeras vezes, pois viver de música em nosso “país musical” é um paradoxo! Então, seguindo o exemplo de minhas primas, migrei para a educação onde passei a dar aulas particulares de música e a lecionar em escolas particulares. Além de tocar em alguns eventos.

Com o passar do tempo a rotina de um profissional independente, o convívio familiar e algumas pressões acabaram sugando a vivacidade de tocar e ensinar. Assim, liguei o piloto automático e acabei me engessando musicalmente. Fechei-me e desisti do som interno. Deixei a música mesmo vivendo dela. Não tinha mais prazer em tocar e meu ouvido também foi se distanciando tanto da musicalidade quanto dos parâmetros fundamentais para um profissional da música.

Fui vivendo uma vida sem muita perspectiva e o brilho da arte acabou se apagando. Cheguei a ter “amusia” e até os outros sentidos como olfato e paladar não eram tão aguçados como antes. As cores também perderam suas informações para mim e a falta de sensibilidade artística havia ocupado o lugar. Dava aulas, mas não tinha prazer.

Toda essa pressão e uma vida desequilibrada contribuíram para o desenvolvimento de uma doença silenciosa, psicossomática e degenerativa, além da obesidade. Retomar ao início e recomeçar o caminho que eu havia perdido foi crucial para que eu pudesse buscar uma melhora física dos sintomas degenerativos e me encontrar novamente como musicista e como mulher. Esse caminho não foi fácil, pois tive que abrir mão de muitas coisas e romper crenças limitantes. Manter o foco em minha fé e o apoio do meu filho e familiares foi fundamental.

Eu não estou fisicamente curada, pois essa degeneração ainda persiste, mas a “amusia” se foi! Ter a mente sadia, sentir o perfume de uma rosa, ter paladar ou me emocionar com uma música são pequenas sensações que eu achava não mais conseguir sentir. Poder sentar em frente ao meu piano, tocar, ter o prazer da sonoridade e do timbre do instrumento, praticar um estudo da minha adolescência ou até me desafiar em tocar uma música que nunca fez parte do meu repertório é de uma felicidade e satisfação que me motivam a continuar no caminho da arte.

Quais os principais desafios como uma educadora musical? Com quais idades você atua?

Ser um educador musical requer muito estudo não só do instrumento, mas da pedagogia em si. De como você passará o conteúdo para seu aluno e como esse aluno está preparado para receber essa informação e assim, aprender e não apenas compreender. Ser um educador é transformar vidas! Você precisa entender que está diante de um ser humano com histórias e emoções. Ensinar música não é apenas pegar um instrumento e repassar uma música para o aluno tocar. Você mexe com a sensibilidade dele, você o incentiva a estudar e a acreditar em si.

Também há a estrutura que envolve uma aula como local, instrumentos, equipamentos que muitas vezes são improvisados. Esse lado do educador é pura criatividade e um pouco de alquimia, pois transformar uma aula sem recursos em aprendizado é para poucos.

Atualmente, minha profissão se divide em educação musical num colégio particular para a educação infantil e ensino fundamental e as aulas particulares de instrumento onde leciono para várias faixas etárias. Destaco a alegria em ensinar um instrumento para a melhor idade. É uma turma deliciosa de se trabalhar! Sem pressa em aprender, são dedicados e as aulas sempre são cheias de ensinamentos. Ambas as partes saem ganhando em conhecimento. Constantemente vencem obstáculos como, por exemplo, da conexão e do celular numa aula por vídeo chamada.

E quanto aos desafios de ser mãe de um adolescente nos dias de hoje, o que poderia nos contar? Ele também é ligado à música?

Digo que voltei a ser adolescente com ele. Ser mãe nessa fase de adolescente é uma total aventura! Ele gosta sim, dos rocks dos anos 70/80 e tem sua guitarra, mas a música não é sua vocação. Ele ama carros e tem me ensinado muito sobre esse universo de motores, drifts, carros tunados e carros antigos…

Acredito que, como toda mãe, as redes sociais me assustam um pouco. Mas tenho conversado muito com ele e procuro ficar a par das suas publicações e dos amigos que ele conversa por vídeo chamada. Ele é um garoto muito inteligente e ao contrário da mãe, extremamente caseiro. Muitas vezes parece o Professor Pardal inventando coisas e procurando soluções para algumas situações rotineiras.

Como é participar de um ministério musical na igreja? Você ainda atua nesse sentido?

Participar do ministério musical e manter minha fé viva foi o reservatório de onde pude me alimentar nessa fase tão difícil que vivi. Ser um ministro é mais que tocar, você precisa imergir em águas profundas, viver uma intimidade com Deus para entender a atuação do Espírito quando estamos ministrando. Muitas vezes presenciei curas e manifestações sobrenaturais durante as músicas tocadas num momento de adoração. Saber conduzir esse momento estando conectado com aquilo que, na outra dimensão está acontecendo é ser o instrumento afinado para o Autor usar.

Algumas pessoas pensam que é só tirar uma música, ensaiar e pronto! Mas é mais que isso, requer muito tempo de estudo não só musical, mas bíblico e de um caminhar com Jesus. Não é só o momento de estar com sua banda tocando. Vai além…

Por isso eu prefiro os caminhos que poucos percorrem: tocar na rua onde muitas pessoas passam e se sensibilizam, visitar pessoas levando a música e, na atual situação, as “lives” onde você consegue atingir gente de diversos lugares.

Atualmente não participo ativamente do ministério musical, mas faço da minha vida um constante ministério exercendo uma função que fui escolhida desde criança.

Quais suas principais influências musicais no Brasil e no mundo?

Constantemente sofro influências que meus amigos mentores me indicam. As maiores de todas, sem dúvida, são Egberto Gismonti e Arismar do Espírito Santo, mas quem também me apresentou esses grandes nomes me influenciaram em estilos inusitados e maneiras de enxergar a música de um prisma totalmente distorcido, haha!

Outro nome que, ultimamente, tenho reaprendido a ouvir é Jacob do Bandolim. Mas também trago nomes de minha infância que não abro mão como João Alexandre, Jorge Redher, Nelson Bomilcar e o maravilhoso Jorge Camargo! Ao piano levanto nomes como Hércules Gomes, Duo Gisbranco, Amilton Godoy, Turi Collura e Cezar Elbert.

As influências internacionais vêm de bandas como Queen e Dream Theater, músicos como M. Shvangiradze e A. Holdsworth, o produtor Ramises B, o compositor M. Nyman e o maestro E. Morricone são nomes que você encontrará na minha playlist. É um balaio com estilos variados!

Quais instrumentos você toca e leciona? Quais métodos você utiliza?

Eu ensino piano, violão, ukulele, escaleta e flauta doce. Sobre métodos, gosto muito do Sistema CLASP de Keith Swanwick. Procuro entender a necessidade do aluno e apresentar os fundamentos da música de maneira mais natural possível. É incrível você ensinar seu aluno a ter intimidade com o instrumento e, somente depois, aprender as estruturas musicais ou executar uma técnica mais aprimorada. É uma satisfação ensinar a música preferida de seu aluno e vê-lo tocar. É realizador ver seu aluno emocionado em ler uma partitura quando, por suas próprias crenças, achava-se incapaz de conseguir.

É possível dar aulas virtuais? Como funciona e até que ponto isso é válido?

Sim! Quando surgiu a pandemia, migrei todas as minhas aulas para o modo virtual. Se o aluno tem um celulares e dados móveis já há possibilidade de se fazer uma aula com qualidade.

Além do material dinâmico, disponibilizo vídeos e suportes para dúvidas. Procuro uma interação constante com o aluno e ele não se sente abandonado ou inseguro em realizar seu estudo virtual. Essa conectividade transforma o aluno em amigo e assim, me conecto com pessoas de todas as idades e de muitas cidades do Brasil e até do exterior.

A personalidade de uma pessoa que toca ou canta é refletida através da música? Fale-nos um pouco sobre isso?

Wittgenstein (1968) disse: “Os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo”. A música é uma linguagem, ela é a expressão do que sentimos e vivemos. Quando você toca/canta, você transmite o que está intrínseco em sua alma e por mais simples que seja, não deixa de ser uma manifestação artística. Ao aprender música e desenvolver sua habilidade, você adquire bagagens e ferramentas para trabalhar suas emoções e assim, transmitir sua personalidade.

É através da música que muitos compositores manifestam suas inquietações políticas e sociais e os músicos transmitem suas ideias, crenças e alegrias. As mesmas músicas tocadas por músicos de diversos estilos têm efeito diferente para quem ouve. Ela se torna uma assinatura para alguns e um escape para outros.

O que poderia deixar como mensagem ao público em geral nesse momento de pandemia? O que é essencial e o que é supérfluo?

São tempos de total incerteza, muitas opiniões e diferentes maneiras de enxergar a pandemia. Eu tenho evitado aglomerações, mantido o isolamento social e as normas sanitárias para a prevenção. Conversando com um amigo que uma vez disse estar com medo da Covid-19, questionei se o que ele estava sentindo realmente era medo ou cautela. Ter a responsabilidade de não contaminar seus parentes e amigos não é medo, mas respeito ao próximo. É o princípio do amor e da essência do cristianismo. Eu deixo a mensagem do Apóstolo Paulo: “Que cada um de vocês esteja seguro de estar fazendo o melhor”. (Gálatas 6.4)

Deixe seus contatos para divulgação (redes sociais, YouTube, WhatsApp e etc.):

WhatsApp: https://api.whatsapp.com/send?phone=5511945595336

SoundCloud: https://soundcloud.com/carolinasaccomano?ref=clipboard

YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCrPVILFoVbgtpNZFDEDx0EQ

Facebook: https://www.facebook.com/carolasaccomano/

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/carolina-saccomano-9a16b3175

Instagram: https://www.instagram.com/carolina_saccomano/

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extraído: ENTREVISTA COM A MUSICISTA E EDUCADORA MUSICAL CAROLINA SACCOMANO | Revista Statto

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

ENTREVISTA COM VICTOR MORY: DJ FLORO – DO PERU PARA O BRASIL! - revista STATTO



Tivemos a honra de entrevistar o DJ Floro, muito conhecido nas noites cariocas e também como professor de espanhol na Casa de Espanha do Rio de Janeiro. Ele nos contou como teve sua vida transformada após um grave acidente em janeiro de 2020, quando infelizmente teve que amputar uma de suas pernas. Confira essa linda entrevista!

Victor conte um pouco sobre sua trajetória, quando veio para o Brasil, onde e o que estudou? Hobbies, profissão, etc.

Oi! Tudo bem, meu nome é Victor Mory, cheguei ao Brasil em 1993 e vim para fazer faculdade de administração de empresas na UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Depois que concluí decidi ficar por aqui para tentar trabalhar como administrador. Mas, na prática, não me dei muito bem com administração. E, ao mesmo tempo, comecei a trabalhar como professor de espanhol para ter uma renda extra e acabei gostando mais da profissão da docência do que da administração. Por isso decidi fazer faculdade de letras também, na Veiga de Almeida.

Nesse meio tempo também comecei a trabalhar como DJ de música latina, aproximadamente desde 2007 e tive a oportunidade de tocar em quase todas as academias de dança conhecidas do Rio de Janeiro e sempre música latina!

A comunidade peruana no Rio de Janeiro parece bem unida. Como vocês se relacionam no dia a dia? Eventos, indicação de trabalho, estudos…

Olha a comunidade peruana é bem unida sim, mas eu não estou por dentro das atividades do consulado. Para falar a verdade eu só ia ao consulado para regularizar às vezes documentação ou para seleções que tinham no Peru. Fora isso eu não frequento o consulado, mas sei por algumas pessoas que o trabalho consular do Peru aqui no Rio de Janeiro é bem unido, bem ativo, participa bastante das necessidades dos peruanos residentes aqui.

Você é tradutor e professor de espanhol e trabalhou muitos anos na Casa de Espanha do Rio de Janeiro. Quem geralmente é o seu público para as aulas e traduções? Com a pandemia agora as aulas são “on-line”? Como funciona?

Sim eu trabalhei na Casa de Espanha, que é um clube espanhol no bairro de Humaitá durante 15 anos com carteira assinada. E foi uma experiência muito boa, foi um trabalho muito legal e aprendi muito. Era um curso muito bom, que infelizmente fechou as portas em 2017. Eu dava aulas do nível básico, do nível A1 ao nível superior, o C2. Essas aulas geralmente eram destinadas para adolescentes e adultos. E também dávamos aulas pela Casa de Espanha para empresas, geralmente estrangeiras que tem sede no Rio de Janeiro no Brasil. Ou empresas brasileiras com sede em outros países da América Latina, então a gente treinava os funcionários. As traduções também, a maioria dos trabalhos que eu faço de traduções são artigos em português que serão publicados na América Latina. Às vezes também são teses de conclusão de curso, etc. E também trabalho com revisões. Às vezes os alunos já têm conhecimento prévio da língua espanhola e eles mesmos fazem a tradução usando vários recursos como “Google tradutor”, etc. E aí eu faço a revisão do texto final.

E com a pandemia realmente todas as aulas presenciais que eu tinha acabaram e devido ao acidente que eu tive também não tive como continuar. Mas comecei a me aventurar nesse mundo “on-line” de aulas e realmente, gostei. Gostei muito! Hoje em dia eu não me vejo dando aulas de outra forma. E durante a pandemia tive bastante aluno, porém agora que a pandemia deu uma estabilizada, grande parte dos alunos voltou ao trabalho presencial, então pararam de ter aulas. Então, estou com bastante tempo disponível, se vocês souberem de alguém que esteja interessado, podem me chamar (risos)!

Conte um pouco como surgiu o DJ Floro, tão conhecido nas noites cariocas. Onde você já tocou na cidade maravilhosa e em outras capitais e cidades? Quem é seu público mais assíduo?

Bom como DJ eu comecei um pouco acidentalmente, em 2006 eu morava numa casa grande e fazia festas no quintal da casa. Não festas, eu fazia churrascos para falar a verdade e eu colocava música latina. E as pessoas que eu convidava gostavam da “playlist”.  E um dia um amigo meu, peruano também, que tinha contatos numa casa de festas, numa “boate” e disse que o amigo dele tinha um dia livre para tocar e me perguntou se eu gostaria de fazer o trabalho como o DJ. No começo eu fiquei com certo receio, mas eu aceitei o desafio e foi aí que eu comecei, aproximadamente no ano de 2007.

E daí eu comecei a conhecer pessoas que frequentavam as festas, não só latinos como também brasileiros. E começaram a perguntar se eu gostaria de tocar nas academias, etc. E foi assim que comecei também a tocar em academias! Logo depois eu me juntei com outros amigos e começamos a criar nossas próprias festas, os próprios eventos. Alugando casas no centro do Rio de Janeiro, na Lapa principalmente. Foi assim que comecei…

Aqui no Rio de Janeiro, a maioria do meu público sempre foi de academias e um pouco (em menor medida), o público latino mesmo. E em São Paulo é o contrário, eu toco desde 2018 e comecei tocando uma vez por mês no final de 2018 e no meio de 2019, duas vezes por mês (um sábado sim, outro não). E no 2º semestre de 2019 comecei a tocar todos os sábados até janeiro de 2020 quando tive o acidente. Então em São Paulo é o contrário, a maioria do público onde toco é latino! Talvez porque em São Paulo tem um público latino muito maior que no Rio de Janeiro. É isso…

Em janeiro deste ano você sofreu um grave acidente que mudou sua vida. De quem foi à iniciativa da “vaquinha on-line”, para arrecadação do valor necessário para você colocar a prótese? Você tem recebido ajuda de amigos, familiares? Como estão as coisas?

Bom mais ou menos dois meses atrás eu já estava pensando em fazer essa “vaquinha”, desde julho eu faço reabilitação e faço pilates, então tanto os fisioterapeutas de pilates como os de reabilitação do coto (da perna amputada) já me falaram que já estava na hora de pôr uma prótese. E foi aí que eu comecei a pesquisar, pesquisar em clínicas de reabilitação. E aí pela primeira vez fiquei sabendo de todo um universo diferente. De joelhos pneumáticos, hidráulicos, eletrônicos, de canelas de encaixe, de “liners”, de pés… Enfim, todo um universo novo para mim, então eu fiz muitos orçamentos, fiz vários e cada orçamento, cada perfil depende muito do nível de atividade de cada um. Tem joelhos, pés, etc. Para pessoas sedentárias, para idosos, tem pés, encaixes, para pessoas de meia-idade, quem tem certa atividade, pouca atividade, específico para crianças, adolescentes, tudo isso. Então, diante do meu contexto pessoal, eu fiz o orçamento de um joelho que se adaptaria as minhas necessidades e foi aí que eu cheguei nesse orçamento, nesse valor. Porém, os preços dos joelhos aqui no Brasil são muito altos e eu realmente não teria condições de alcançar esse valor. Então algumas pessoas me falaram que existia esse recurso de fazer essa “vaquinha on-line” e foi aí que eu comecei.

Realmente foi uma mudança muito impactante, um choque muito grande. E como falei anteriormente, eu tenho recebido muito apoio de amigos, colegas de trabalho, alunos, ex-alunos e pessoas que vão às minhas festas, tanto no Rio quanto em São Paulo. As pessoas se solidarizaram, fizeram doações pessoais, agora estão fazendo doações nessa “vaquinha” também… graças a Deus! Eu tenho tido esse apoio, aqui no Brasil, pois, aqui não tenho parentes sanguíneos. O único parente que tenho realmente é minha mãe (sou filho único) e ela mora no Peru e já tem uma idade avançada. Praticamente a minha família aqui no Brasil são meus amigos! E graças também a algumas aulas e traduções, tenho conseguido me manter.

O ano de 2020 tem sido um desafio muito grande para muitas pessoas. Muitos perderam entes queridos, outros perderam suas fontes de renda. Ainda assim é possível tirar algumas lições positivas? Em seu caso especialmente falando Victor, é possível ver um lado bom apesar de tudo que você tem vivenciado? Onde você busca forças para prosseguir firme na jornada?

Bom realmente o ano de 2020 tem sido um grande desafio para muita gente, como você mesma mencionou. Muita gente perdeu a vida, os empregos, familiares, os negócios e eu ainda por cima perdi uma perna. Então, tem sido um pouco difícil, mas eu não vejo o acidente como algo necessariamente negativo. Eu lembro que outro dia eu estava indo ao hospital, onde eu sofri a amputação, e estava com um amigo e por coincidência o acidente foi bem perto desse hospital. E esse amigo me perguntou na hora que estávamos saindo (fui resolver umas questões de prótese, prontuário, documentação, etc.), aí ele me perguntou: – Victor foi nessa esquina que foi seu acidente? E de repente eu tive um “insight”, uma luz, ou revelação, não sei como chamar, e fiquei pensando na pergunta dele e eu respondi: – Olha eu não vejo esse lugar como acidente, eu vejo esse lugar como renascimento, sabe… Eu não vejo a data do acidente como algo negativo, eu vejo a data do acidente como um novo aniversário de vida! Porque realmente eu renasci, sabe, parece que antes do acidente eu era uma pessoa, e que agora sou outra pessoa… É por incrível que pareça, quando a agente tem tudo ao nosso favor, no caso eu tinha às duas pernas, eu não dava valor a muita coisa, sabe… O tanto quanto eu dou valor agora, que eu não tenho uma perna. Então, hoje eu me sinto uma pessoa diferente, uma pessoa nova! Talvez uma pessoa mais batalhadora, uma pessoa mais resiliente. E eu costumo dizer para os meus amigos que chorar não vai fazer minha perna crescer de novo, entendeu. E o que eu tenho que fazer de melhor agora não é me lamentar, para ninguém, Deus, o acidente, enfim… O que eu tenho que fazer agora é correr atrás.  E viver um dia de cada vez e pensar também nas possibilidades de como resolver, como me readaptar, entendeu. Então realmente o acidente me fez ver a vida de outro jeito, e realmente me sinto outra pessoa agora.

Você acredita em Deus? O que você poderia dizer a alguém que esteja passando igualmente por momentos difíceis e precisa se reerguer?

Eu acredito em Deus, não sou praticante de uma religião, católico ou protestante. Acredito em Deus sim, estudei numa escola cristã a vida inteira no meu país. E acredito que existe uma força, uma entidade, algo além de nós que criou tudo isso que a gente está vivendo hoje. E realmente eu rezei muito durante a minha estadia no hospital, depois do hospital, atualmente, rezo bastante para ter forças para continuar. Acredito que sem esse lado espiritual nosso, a gente não consegue fazer nada, sabe. A gente pode almejar, a gente pode querer, mas sem o espiritual, tudo fica mais difícil. Sem Deus, tudo fica mais difícil. E eu gostaria com certeza, de quando eu estiver reabilitado, quando estiver com a prótese, de conhecer pessoas que estão passando pelo mesmo problema e de alguma maneira contar como foi minha experiência, como foi a reabilitação, como foi o processo de adaptação com a prótese e, porque não ajudar? Com os contatos que tenho, com as “vaquinhas on-line” que conheço para ajudar a recolher recursos. Porque tudo que a gente ganha nessa vida, a gente não leva para outra vida, então a gente tem que passar adiante! E tudo que a gente aprende aqui, a gente tem que dividir isso com todo mundo. Isso que vai fazer a gente uma pessoa melhor…

Para quem deseja fazer aulas “on-line” precisam de um tradutor e também para quem queira ajudar na arrecadação de fundos para a prótese, como podemos te encontrar?

Meus contatos são:

INSTAGRAM: espanhol.insta

WhatsApp: 21 9.9267-1881

“VAQUINHA”: Solidariedade / Saúde / Caridade

http://vaka.me/1479655

Muito obrigado!


extraído:  https://revistastatto.com.br/lifestyle/entrevista/entrevista-com-victor-mory-dj-floro-do-peru-para-o-brasil/












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sexta-feira, 30 de outubro de 2020

CRÔNICAS – BIOGRAFIA NÃO AUTORIZADA DE GURU JAY! - revista STATTO

 


Em primeiro lugar é importante dizer que essa é uma minibiografia não autorizada do misterioso, enigmático, simpático, controverso e polêmico Guru JAY.

Alguns fatos e suposições são mera especulação, outros, diversão!

Para os desavisados, essa personagem fictícia (até que se prove o contrário), pode se parecer com um tio, um irmão, um sogro, pai, sei lá. Vai saber, não é? Mas não crie ansiedade, você está prestes a desvendar o mistério (ou parte dele).

Resolvi fazer essa minibiografia porque ele se recusa a dar entrevistas, mas fica dando spoiler do futuro livro por aí. Livro que está custando a sair, pois a jornalista contratada está com crise de meia idade.  Então, por enquanto contente-se com o texto a seguir…

Tudo começou no ano de (…), desculpe, não posso revelar o ano, mas o dia é 20 de maio de um ano qualquer. Nascia na cidade de Santo André, ABC paulista, uma figura extraordinária, do tipo como diria Washington Olivetto: muito QI e TNT do lado esquerdo (do cérebro)!

Fato é que ele veio de família humilde, desde cedo trabalhando e estudando muito. Se bem que agora ele mais disfarça. É do tipo simpático, que dá ordens e deixa a “job líder” sofrer as consequências de ser a menina dourada.  Que?  *(quem entendeu, entendeu… kkkkk)

Importante: não trago verdades, trago tretas e trotes (risos). Só leia o restante se entendeu o espírito da coisa, caso contrário: agradecemos a preferência, volte na próxima crônica. Até breve…

Para os corajosos, apimentados ou doidos mesmo, segue o restante da história:

Filho de pais religiosos, metódicos e sendo quase o caçula, surpreendeu pelo estilo empreendedor desde cedo. Junto com o irmão mais novo, já vendia pipas para juntar um din din. Anos mais tarde, depois de passar por renomadas empresas de sua área de atuação, abriu a própria empresa que existe até os dias de hoje.

Ser empresário, pai de uma família grande, manter o hábito de se aperfeiçoar e ainda dar oportunidades ao próximo é uma grande empreitada! Principalmente se o camarada for brasileiro e passar por diversas recessões. Descrevi um pouco dele.

Entre erros e acertos, guru Jay é uma figura diferenciada. Possui amigos e inimigos de longa data (risos). Isso não é para qualquer um. Até para ter inimigos, que às vezes são fãs enrustidos, é preciso ter um diferencial. Não é brincadeira.

Um aspecto marcante de sua personalidade é a resiliência. Embora ele pense que seja o charme. O charme vem em 3º lugar na verdade. Pois na frente estão: resiliência e persistência.

E em 4º e não mais importante é o otimismo!  A ordem dos tratores foi por minha conta, desculpe a ousadia.

Veja bem, otimista não é aquele camarada que vive rindo e não sofre por nada. O otimista é o que vive entre tempestades e além de não parar de navegar, consegue ajustar as velas na melhor direção em meio às circunstâncias mais desafiadoras.

Não, ele não é perfeito. Mas você também não, não é mesmo? Porém daqui há uns 20 ou 30 anos, quando alguém contar sua história, o que ficará mais marcante? O quanto você se esforçou para tentar acertar, errando e dando a cara a tapa, criando oportunidades para pessoas e etc… Ou como muitos fazem, simplesmente vivendo no seu pequeno mundo e não fazendo nenhuma diferença na vida de alguém?

Eu tive o prazer de acompanhar um pouco sua trajetória (ato falho, como assim se é uma personagem fictícia? Risos). E já vi muitos empreenderem, serem pessoas trabalhadoras, esforçadas e etc… Mas nunca vi de perto muitos passarem por algumas situações bem traumáticas e darem a volta por cima. Ele enfrentou alguns baques bem pesados, como o acidente de carro dos filhos, outro consigo próprio e a esposa (em outro momento), câncer na família, empresas em crise e etc…  E continuar otimista!

Poderia encerrar por aqui, mas ainda o vejo se aperfeiçoando, lendo, assistindo palestras, mantendo a mente ativa, o corpo (por meio de atividade física), se importando em tentar agradar. Alguns chamam de carência, ou dizem que ele está querendo aparecer…. Não tem problemas, mas ele de alguma forma realmente se importa com as pessoas. No meio de tantas desgraças que vemos no mundo, já vi alguns por muito menos largarem mão de tudo. Entende onde quero chegar?

Guru Jay na verdade é um homem comum, sujeito a dores, erros e acertos. Mas não passará batido de maneira alguma. Confesso que já fui mais “puxa saco” dele. Hoje eu o vejo de maneira mais sóbria e respeitosa, sabendo que ele é uma pessoa humana com suas incoerências, habilidades sociais, otimismo e muita alegria (e um pouco irritante às vezes)!

Guru Jay LEE, espero que um dia as pessoas entendam o que você estava tentando fazer. De uma maneira meio louca, simples e descontraída. Sabendo que pessoas como você, não passarão batidas e dificilmente serão esquecidas.

Parabéns pela vontade de fazer acontecer, parabéns pela coragem de baixar a guarda quando necessário. E parabéns também por não perder a fama de polêmico (nem sei porque dei parabéns, vai ficar insuportável).

Muito sucesso desejo para ti e espero que consigas viver também de maneira a exaltar o bom nome DO CARPINTEIRO DAS PLANÍCIES DA GALILÉIA! Que aprendestes de berço e espero que consigas enxergar a loucura do evangelho sem reservas ou explicação!

cê tá ligado que eu sei…”.

Sua não discípula, mas admiradora (extraoficial) Danny Doo!

*P.s. essa crônica é uma breve reflexão sobre como podemos valorizar mais as qualidades dos que estão ao nosso redor, ao invés de exaltar repetidamente suas falhas*

Da série: FLORES EM VIDA!

Dê flores, abraços, fale o quanto ama e admira seus amigos, enquanto estão vivos!


extraído: https://revistastatto.com.br/lifestyle/cronica/cronicas-biografia-nao-autorizada-de-guru-jay/





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sábado, 18 de julho de 2020

ENTREVISTA COM RONNY “ON-LINE” – NEGÓCIOS PELA INTERNET!



Entrevistamos uma pessoa que faz diversos negócios pela internet há anos, e nos dará dicas de quais os melhores sites, produtos e fórmulas de anúncios que mais chamam a atenção para empreender nesse momento de crise! E quais os golpes recentes e outros mais manjados para você não cair nas armadilhas da rede. Confira esse proveitoso bate-papo com Ronny Duarte, o “Ronny On-line”.
Ronny descreva como você iniciou sua atuação em empreender pela internet, foi uma necessidade pessoal? Quais produtos você escolheu no início e como ampliou sua atuação para uma diversidade maior, para os produtos que vende hoje pela rede?
Na verdade, não foi por uma necessidade pessoal ou questão financeira. Comecei pelo site da OLX que em tese é gratuito (além de opções pagas), é um dos melhores sites para se trabalhar. Comecei por minha paixão por carros! Sempre gostei muito de carros. Lembro que na minha adolescência não havia muitas opções de veículos, só os famosos nacionais. Por volta de 1995 a exportação abriu e chegou um carro que fiquei muito impactado na época: DAEWOO Espero, que era um carro muito completo e foi muito comercializado e utilizado aqui no Brasil, por sua beleza e era um carro que mais a classe média que comprava. Muito bonito! Esse carro ficou muito marcado e era usado por médicos, engenheiros e etc… Depois outros carros foram chegando e o DAEWOO foi perdendo espaço. E uma coisa interessante é que apesar de ser importado, toda a sua mecânica era da GM, ou seja, era fácil em termos de manutenção. Depois de muitos anos, meu pai comprou um carro desses e pagou muito barato, a versão automática, completo. Esse carro ficava encostado na garagem, pois era da minha madrasta Regina que não deu muita bola para o carro. E meus irmãos usavam de vez em quando, mas ninguém fazia a manutenção. Foi quando fiz uma proposta e meu pai me vendeu o carro. O primeiro DAEWOO da minha lista. Sonho concretizado. As vendas pela internet começaram a partir daí, pois depois senti vontade de ter outras versões e vi a facilidade de vender o DAEWOO e adquirir outras versões com extrema facilidade. Uma dica importante: faça anúncios com o máximo de detalhes e precisão sobre seu produto! Tive outros carros e fiz muitas vendas assim e descobri um nicho de negócios que deu certo! Eu era chamado na época de “o Rei do DAEWOO Espero” (risos), cheguei a ter oito versões e fiquei especialista. Segui a estratégia com outros veículos e tem dado certo até hoje. Seja detalhista e explore todos os pontos fortes de seu produto no anúncio!
Quando falamos em vendas, um plano estratégico do público que se deseja alcançar e como se reportará a esse público é importante.  Como você atua com seu público? Cada caso é um caso, ou no geral suas vendas são para o mesmo tipo de pessoas?
Tenho métodos, não sou uma empresa, mas procuro manter um padrão: fotos bem tiradas e focadas no produto. Focar nos pontos fortes, colocar o máximo de imagens possível. Hoje meu foco maior são vendas de carros e rodas. Mas vendo de tudo também: imóveis, produtos, eletrônicos, eletrodomésticos e etc.
Tire as medidas de seu produto, todo anúncio precisa ter riqueza de informações. Crie um ambiente nas fotos, visite outros anunciantes e veja os melhores. As fotos e detalhes são muito importantes e fazem a diferença. O segredo é esse aí: imagens de qualidade, boas informações e a quantidade de anúncios (principalmente gratuitos), faça o máximo de anúncios possível e com qualidade. E as vendas virão!
O que é importante se ter em mente ao escolhermos um produto e o público a alcançar?
Basicamente um pouco do que respondi na anterior, ter em mente um foco específico do produto e um bom anúncio composto por boas imagens e riqueza de detalhes.
E saber enxergar as oportunidades! Um dia desses encontrei uma bicicleta ergométrica na rua (descarte para reciclagem), aparentemente em bom estado. Só precisei fazer alguns ajustes e anunciar. Do valor real para um valor menor, especificar o que estava ou não funcionando e ganhar dinheiro em cima disso. Ou seja, às vezes existe dinheiro jogado na rua e ninguém percebe. Foi só um exemplo real, mas existem muitos produtos que você pode aproveitar e fazer dinheiro a sua volta. Enxergar as oportunidades é importante!
Quais sites são interessantes no momento para se divulgar um produto e como eles atuam? São pagos, gratuitos, plataforma de fácil utilização?
Existem inúmeros sites para anúncios, porém gosto muito de três: Olx, Web Motors e Mercado livre. A Web Motors é mais para veículos e a tratativa é direta com o cliente.
Na Olx existe a opção gratuita e paga, para qualquer tipo de produto! Gosto muito desse site… E a tratativa também é direta com o cliente. Simples e fácil. Qualquer pessoa consegue utilizar ambas as plataformas.
Mercado livre não difere muito dos outros, porém tem um sistema a parte para gerenciar as vendas e mercado pago. O cliente faz o pagamento para o Mercado livre e você recebe do próprio site.
Os sites onde a tratativa é direta com o cliente costuma ser melhor, onde o risco de golpes é menor.
Quais os principais pontos a serem observados ao elaborarmos um anúncio de vendas?
É muito importante fazer uma pesquisa apurada antes de anunciar e ofertar por um preço justo. Por exemplo, veículos hoje em dia são vendidos pelo valor médio e não o valor de tabela.  Sempre temos que ter uma ideia de preços que já são praticados no mercado, isso serve para qualquer produto. E seguir os padrões já mencionados anteriormente: falar bem do produto, boas imagens e não fugir da média de valores. Se o anunciante está pedindo um valor acima da média que não se justifica por um diferencial do produto, dificilmente a venda vai acontecer.  É importante ter isso tudo em mente para ter êxito nas suas vendas.
Quanto ao atendimento e atenção, dedicação a esse tipo de trabalho, é para qualquer pessoa? O que será um diferencial para ter êxito nas vendas on-line? 
É muito interessante dizer que no mundo do trabalho em si, quando você ama o que você faz tudo se torna mais fácil. Se você ama vendas, as vendas estão no seu DNA, tudo se torna mais interessante. Assim como se a medicina está no seu DNA você será um ótimo médico. Isso vale para tudo, uma pessoa que ama mecânica, todo o seu trabalho terá um diferencial.
Mas é possível sim você trabalhar com vendas mesmo que você não tenha essa paixão toda. Desde que você siga alguns procedimentos, algumas linhas de conduta, é possível ter retorno. Grandes sucessos? Não sei, pode ser possível! Se você fizer ótimas fotos, procurar fazer um texto bem direcionado é possível sim ter bons retornos. Desde que você não maltrate o seu cliente. Por exemplo, se ao atender o seu cliente, você for mal-humorado ou arrogante, você vai eliminar todo o seu esforço anterior.  Agora é claro que se você amar vendas e tiver um bom direcionamento e técnicas, o sucesso é inevitável. Isso com toda certeza!
Infelizmente existem pessoas mal-intencionadas em vários segmentos e negócios. O que um comprador precisa saber para não cair em golpes por parte de um vendedor on-line?
Uma coisa importante é nunca efetuar pagamentos logo de cara. Sempre desconfiar também de preços muito abaixo do valor médio já praticado pelo mercado. É preciso ter coerência também com relação ao aspecto físico dos produtos, como exemplo carros. O comprador obviamente precisa ter coerência de saber que um automóvel de 15 ou 20 anos de uso não terá as mesmas condições mecânicas e físicas de um automóvel novo. Após a verificação com o mecânico é importante fazer um laudo, laudo de transferência veicular (é obrigatório). Quem faz é o vendedor e quem paga é o comprador, porque o comprador precisa desse laudo para fazer a transferência lá na frente. Existe também o laudo cautelar (esse não é obrigatório), não é exigido pelo DETRAN, informações sobre um histórico mais preciso sobre o veículo (em caso de seguro futuro do veículo). No caso de veículo é sempre importante verificar se está no nome do vendedor, débitos do mesmo, com número da placa e RENAVAM você puxa informações no site do DETRAN (restrições e débitos). E com recibo em branco do veículo para fazer a transferência no cartório e etc.
Agora com relação a outros produtos on-line, sempre checar valores, dê preferência para comprar ao vivo e utilizar os sites somente para intermediação. Compre preferencialmente quando pode ver ao vivo e testar! Dê preferência aos sites que contém os telefones dos vendedores para vocês agendarem de ver o produto pessoalmente (sempre que possível), é a melhor opção.
Em contrapartida existem também pessoas que se dizem interessadas em algum produto e aplicam golpes para recebê-los sem pagar por eles. Quais os golpes mais manjados e os mais recentes que você poderia nos informar e detalhar?
Em relação ao site do Mercado livre é importante ficar atento, pois existem pessoas que simulam o pagamento (se passando por compradores interessados). Às vezes a pessoa liga e diz que tem determinado crédito no Mercado livre (saldo) e te ligam dizendo que compraram, enviam no seu e-mail páginas clonadas dizendo que a pessoa comprou e pagou (páginas clonadas simulando o site do Mercado livre). É muito importante você checar na plataforma real do Mercado livre, pois só verificar o que recebe por e-mail pode ser fraude de golpistas.
Sempre cheque a informação de recebimento na própria plataforma do Mercado livre que mostrará de fato se tal pessoa efetuou ou não o pagamento referente a determinado produto. Inclusive esses golpistas além de enviar um e-mail com página clonada para “provar” que pagaram pelo seu produto, te ligam e dizem que vão enviar um Uber para retirar o produto.
Nunca entregue seu produto sem checar essa informação no próprio site do Mercado livre. Tem que tomar muito cuidado nesse sentido. Se o pagamento realmente foi efetuado, tem que aparecer na sua área de gerenciamento dentro do site oficial.
Outro tipo de golpe tanto na Olx, Web Motors ou Mercado livre, que alguns golpistas se passando por compradores fazem é te ligar via WhatsApp ou celular e te enviam um torpedo e dizem que precisam validar seus dados e anúncio e te pedem o código enviado via torpedo, que na verdade é uma tentativa de clonar seu WhatsApp. Eles leem seu anúncio e te enviam esse torpedo para supostamente “validar” seu anúncio. Geralmente quando você faz anúncios com produtos de maior valor. Os sites em hipótese alguma te enviam torpedo ou ligam pedindo tal código, isso é golpe!
O vendedor tem que ficar muito atento com as formas de pagamento também. Algumas pessoas te enviam comprovantes falsos de transferência e te encaminham via WhatsApp.
Sempre cheque se o dinheiro realmente está na sua conta. Nunca entregue seu produto ou chaves de veículo (nem transferência em cartório) sem checar sua conta! Existem golpes e mais golpes simulando pagamento também! Instale o App do seu banco e verifique se o valor realmente está na sua conta, não como saldo vinculado, mas dinheiro liberado na conta! Senão pode ser golpe! Depósitos em caixa eletrônico, comprovante somente no papel não garante o pagamento. Verifique sempre sua conta.
Existem produtos mais fáceis de vender, liquidez certa, já outros exigem uma venda mais elaborada, com persistência e bom atendimento. Que produtos você trabalha ou já trabalhou que exigiam menos esforço e quais os que mais pedem por dedicação no atendimento? Entre o perfil elaborado ou de venda de impacto, quais valem mais a pena em sua opinião?
Eu me descobri um vendedor! Hoje eu trabalho com vendas diversas, embora meu foco seja veículos e rodas, mas atuo com vendas de múltiplos produtos. Imóveis mesmo é um deles, ontem mesmo me ligou uma corretora e disse: você é um ótimo corretor! Eu fiquei feliz, é legal receber elogios. Não tenho formação de corretor, mas procuro trabalhar bem as vendas, os detalhes e acabo tendo bons resultados.
Falar no que dá mais lucro, claro os imóveis dão um retorno bem interessante, demora mais a venda, mas o retorno é maior. Veículos, temos alguns que vendem mais rápido e outros mais demorados, idem para rodas. É muito relativo, mas é interessante. No meu caso eu dou atenção a todos os itens. Meu desempenho é igual, eu não desisto.  Você não pode ligar para a palavra não, acreditar no que está fazendo, refazer os anúncios, focar bastante nos sites gratuitos, grupos de vendas de rede social e disparar anúncio. Tem que acreditar, focar sempre e não desanimar. Eu trabalho e dou atenção para todos os produtos, porém os itens que mais vendem são os mais baratos e o caixa está sempre em movimento. É interessante. E quando sai uma venda mais elaborada o retorno é maior!
Que mensagem você pode deixar as pessoas que estão buscando por uma ideia de negócio em meio a essa pandemia? Visando não só esse momento crítico, pois o cenário virtual veio com tudo agora:
Você consegue começar com pouco ou até sem nenhum investimento. Primeiro pensar naquilo que você acredite, o segredo é acreditar naquilo que está vendendo.  Se a pessoa tiver condições de fazer algum investimento, por exemplo, roupas, tem a região do Brás, José Paulino, que você pode comprar roupas num custo acessível, se você gosta de roupas.
Se você gosta de eletrônicos, pesquise, vá atrás, compre um pouquinho, faz um teste. Faça anúncios, pode marcar a entrega no metrô. Muita gente faz isso, no próprio metrô. Pessoas de outras regiões, fácil de agendar e entregar de uma forma econômica.  Passa a maquininha de uma forma discreta e faz a entrega (às vezes nem passa a catraca) e consegue agendar de entregar em várias estações diferentes no mesmo dia.
Se você não tem como fazer nenhum investimento nesse momento, veja, por exemplo, o que você tem na sua própria casa. Tem duas TV´s? Anuncia uma, algum equipamento eletrônico, caixa de som, algum brinquedo, uma bicicleta ergométrica. Faça uma relação do que pode vender, faça boas fotos, deixe tudo limpinho, anunciem de forma detalhada, muitas pessoas começam assim.
Até na parte de alimentação, muitas pessoas começam assim, se você gosta de cozinhar! Fazer anúncios do seu produto. Tem muita gente vendendo assim nas redes sociais, grupos de WhatsApp, sites de anúncios.
Nesse momento da pandemia, as pessoas estão muito abertas a isso. Muito receptivas a esse tipo de compra e venda. Basta você encontrar algo que gosta e faça um teste. Toda panela tem a sua tampa, é ir para cima e acreditar! Acreditar que aquilo é um produto interessante, que vai ajudar e fazer bem a outra pessoa que está do outro lado! Isso é bom, é reconfortante!!!
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