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quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

LOUCURAS DE LADY LITA - revista STATTO

 




Eu cresci mirando sua beleza. Parecia uma estátua que tinha em nossa sala, uma deusa do Olimpo. Circulava pela sala com seu “penuar” amarelo florido e era chamada de “madame” pelo marido. Dá para entender como se criam os mitos…

A criança cresceu e notou que aquela deusa era um tanto excêntrica. Temperamental, ora dando risadas e outras esbravejando por algum motivo, enfim como uma mulher comum.

Tempos depois surgiram outros filhos que roubaram a brisa de filha única e o castelo da deusa ficou cada vez mais tumultuado (risos). Pois a vida cotidiana é bem distinta das séries que a criança assistia com sua mãe. “Jeannie é um Gênio”, “Samanta a Feiticeira”, “Barco do Amor”, “Os Imigrantes”, “Mulher Maravilha” e etc.

Embaladas por B-52 (The B-52’s – Legal Tender (Official Music Video) – Youtube) e outros sons típicos da década de 80, elas viviam numa espécie de mundo mágico, mesmo com as loucuras do dia-a-dia.

Para incrementar ainda mais o cenário, no apartamento do andar de baixo vivam alguns parentes próximos com crianças, então era realmente tudo que uma criança queria! Momentos mágicos e turbulentos embalados a muita brincadeira e sonhos…

Mas sua mãe tinha algo diferente, talvez por ser muito jovem, dizia coisas engraçadas mesmo sem querer. Do tipo “só se eu virar bolacha”, quando a criança teimava que queria comer bolacha mesmo que a mãe dissesse que já tinha acabado aquele pacote. E não era falta de condições para comprar outra, era o jeito juvenil (da mãe) de se expressar mesmo!

O tempo passou, os filhos cresceram, a vida mudou. Mas hoje mesmo que cada um more em sua própria casa, quando olho para trás acho graça de muitas fases de nossa convivência. Na adolescência, meus irmãos “alugavam” a Lady dizendo que ela estava muito roqueira, muito isso, muito aquilo. Sempre achando graça de alguma faceta sua.

Pessoas exóticas mesmo que o tempo passe, as intempéries da vida ocorram notamos lá no fundo sua essência diferente.  Sempre lendo algo interessante, estudando, ou fazendo cursos breves, assistindo algum documentário, ela é curiosa, inquieta.

Quando mais nova era uma apaixonada por piscina e ensinou aos quatro filhos a nadar! Nadava muito e sempre caminhou bastante. Tenho fortes lembranças de nossas andanças quando criança. Hoje ela está um pouco menos ativa fisicamente, mas ainda ama a natureza, passear ao ar livre, flores, paisagens…

Fez curso de pintura, pintou várias telas, virou avó, e está concluindo a faculdade de pedagogia, pois sempre é tempo de recomeçar e fazer algo que se goste ou deseje de verdade.

Mudou-se de residência várias vezes com o marido e filhos, trabalhou em alguns negócios da família, e vamos combinar que não é fácil, mas criou quatro filhos (dois homens e duas mulheres), se renovando, adaptando-se a cada geração (filhos) e diferenças de idade e personalidade entre eles.

Eu só desejo que você conquiste ainda mais coisas de que sente vontade e sei que tem muitos sonhos ainda! De coração leve, renovado e pronto para novos desafios sempre!

Obrigada pela avó preocupada e sempre presente que você é. Parabéns por sua vontade de se manter atualizada e de alguma forma em movimento, mesmo dentro dos seus limites físicos devido às dores de fibromialgia e artrose. Você ainda é bem gata e nova! Ficou uma coroa de sessenta, enxuta hein… (risos).

Despeço-me com outra música que me lembra muito de você: Talking Heads – The Lady Don’t Mind (Official Video) – Youtube

E agradeço por tudo que fez e ainda faz por todos nós, minha mãe!

Você é Lady, mas não é a Gaga! Ufa…

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extraído: LOUCURAS DE LADY LITA | Revista Statto


BLOG DANIELA DUARTE

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A APOSTASIA DO REI SALOMÃO - revista STATTO



A APOSTASIA DO REI SALOMÃO

11/01/2021 às 11h18


O rei Salomão foi o terceiro rei de Israel, filho de Davi e Bate-Seba. Governou sobre Israel aproximadamente entre 971 e 931 a.C. Salomão é conhecido por sua sabedoria, e por ter sido o rei que construiu o primeiro Templo de Jerusalém e reinou por 40 anos em Israel.

“Amou Salomão muitas mulheres estrangeiras, mulheres das nações de que havia o SENHOR dito aos filhos de Israel: Não caseis com elas, pois vos perverteria o coração, para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão pelo amor. Tinha setecentas mulheres, princesas e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração. Sendo já velho, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era de todo fiel para com o SENHOR, seu Deus, como fora o de Davi, seu pai.”  (1 Reis 11:1-4).

Um escolhido

Teu filho Salomão é quem edificará a minha casa e os meus átrios, porque o escolhi para filho e eu lhe serei por pai (1 Crônicas 28:6).

Procurando fortalecer suas relações com o poderoso reino situado ao sul de Israel, Salomão, “Fez aliança com Faraó, rei do Egito, e tomou por mulher a filha de Faraó. Trouxe-a a cidade de Davi”. 1 Reis 3:1. Do ponto de vista humano esse matrimônio, embora contrário aos ensinos da Lei de Deus, parecia resultar em bênção, pois a esposa pagã de Salomão se converteu e a ele se uniu no culto ao verdadeiro Deus. Além disso, Faraó prestou relevantes serviços a Israel tomando Gezer, matando os cananeus que moravam na cidade e dando-a “em dote a sua filha, mulher de Salomão“. 1 Reis 9:16. Salomão reconstruiu e fortificou essa cidade, e assim muito fortaleceu o seu reino ao longo da costa do Mediterrâneo.

Salomão adorava a Deus

E disse: Ó SENHOR, Deus de Israel, não há Deus como tu, em cima nos céus nem embaixo na terra, como tu que guardas a aliança e a misericórdia a teus servos que de todo o coração andam diante de ti; (1 Reis 8:23).

Mais uma vez foi derribada a barreira pelo casamento de Salomão com outras princesas pagãs. Ele pensava que sua sabedoria e o poder de seu exemplo levariam suas mulheres da idolatria à adoração do verdadeiro Deus, e também de que as alianças assim formadas atrairiam as nações em derredor em íntimo contato com o povo de Deus.

Juntamente com essa instrução o Senhor especialmente advertiu aquele que fosse rei de Israel, que não adquirisse para si grande número de cavalos nem fizesse o povo voltar ao Egito, para adquirir mais cavalos, pois o Senhor lhes havia dito: “Nunca mais voltareis por este caminho. Tampouco adquirirá para si mulheres em grande número, para que o seu coração não se desvie. Não acumulará para si grande quantidade de prata ou de ouro“. Deuteronômio 17:16, 17

Salomão conhecia essas advertências. E por um tempo ele foi obediente. Seu maior desejo era viver e governar de acordo com os estatutos dados pelo Deus de Israel. Sua maneira de conduzir os negócios do reino era oposto aos costumes das nações idólatras do seu tempo, nações que não temiam a Deus.

Por muitos anos Salomão andou em retidão. Foi-lhe dada sabedoria celestial para governar o povo de Deus com imparcialidade e misericórdia.

Mas aos poucos sua vida foi obscurecida e marcada por atos que demonstravam clara apostasia. A história registra que aquele que tantas vezes havia dado a outros sábios conselhos voltou-se da adoração do verdadeiro Deus para se inclinar diante dos ídolos dos pagãos.

No tempo da velhice de Salomão suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir a outros deuses, e o seu coração não era completamente leal para com o Senhor seu Deus, como foi o de Davi, seu pai. Salomão seguiu a Astarote, deusa dos sidônios, e Milcom, abominação dos amonitas. Assim fez Salomão o que era mau aos olhos do Senhor, e não perseverou em seguir ao Senhor, como Davi, seu pai. Nesse tempo edificou Salomão um alto a Camos, abominação dos moabitas, sobre o monte que está diante de Jerusalém, e a Moloque, abominação dos filhos de Amom. Assim fez para com todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam incenso e sacrificavam a seus deuses“. 1 Reis 11:4-8.

Aquele que no início do seu reinado havia demonstrado tanta sabedoria e bondosa simpatia em restituir um indefeso bebê à sua infortunada mãe degradou-se tanto a ponto de concordar com a construção de um ídolo ao qual eram oferecidas crianças como sacrifícios vivos!

Aquele que em sua juventude fora dotado de prudência e entendimento, e que no vigor de sua varonilidade fora inspirado a escrever “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele conduz à morte” (Provérbios 14:12), em seus últimos anos afastou-se para tão longe da pureza que chegou a aprovar os licenciosos e revoltantes ritos associados à adoração de Camos e Astarote.

Trouxe maldição sobre sua casa

Pelo que o SENHOR se indignou contra Salomão, pois desviara o seu coração do SENHOR… visto que assim procedeste e não guardaste a minha aliança, nem os meus estatutos que te mandei, tirarei de ti este reino e o darei a teu servo. (1 Reis 11:9-11)

Será, porém, que, se de qualquer modo te esqueceres do SENHOR teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te inclinares perante eles, hoje eu testifico contra vós que certamente perecereis. (Deuteronômio 8:19)

MENSAGEM FINAL:

Mas aquele que perseverar até o fim será salvo” – (Mateus 24:13)


extraído: A APOSTASIA DO REI SALOMÃO | Revista Statto

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SUA GRAÇA ME BASTA! - revista STATTO

 


Ao longo da história da humanidade, reinos se levantaram e caíram…. Verdadeiros impérios que pareciam eternamente duradouros chegaram ao seu fim. E ainda assim vivemos como se nossas vidas, tudo que nos cerca fosse a única realidade existente.

Épocas passadas, eras futuras, tudo é muito impressionante se olharmos sob o ponto de vista de nossa finitude!

Reinos, impérios, dinastias, governos, são todos temporários. E em meio a essa história cronológica da humanidade tivemos um marco importante, inusitado, que aponta para outro reino que não é terrestre.

Esse marco fez o calendário mudar, com as iniciais A.C e D. C. e o mais impressionante é que não se trata de um reino limitado a riquezas, poder, status, coisas “desse mundo”.

Muitos questionam sua vinda, outros o comparam a outros mestres e líderes da humanidade. Mas só ELE foi impactante o suficiente para gerar essa quebra no tempo cronológico da história.

Não estou falando de religião, defendendo placas, denominações, coisas de homens…. Estou apontando para sua fala, sua mensagem. O seu legado aqui neste mundo!

Agora no mês de dezembro celebramos sua vinda ao mundo dos homens, seu nascimento. Mas seus feitos não se limitam a essa data, ele cresceu, morreu e ressuscitou!

“VEIO PARA O QUE ERA SEU, E OS SEUS NÃO O RECEBERAM. MAS, A TODOS QUANTOS O RECEBERAM, DEU-LHES O PODER DE SEREM FEITOS FILHOS DE DEUS, A SABER, AOS QUE CREEM NO SEU NOME, OS QUAIS NÃO NASCERAM DO SANGUE, NEM DA VONTADE DA CARNE, NEM DA VONTADE DO HOMEM, MAS DE DEUS.” –  JOÃO 1:11-13

O que isso quer dizer? A princípio ELE viria para “seu povo”, os judeus, mas estes não o reconheceram como o Messias. E o inesperado aconteceu: ELE veio também para os gentios (todos que não faziam parte dessa nação de Israel, povo hebreu), ou seja, todos nós!

Esses dias tenho assistido a minissérie “Terra Prometida” disponível no Netflix e é impressionante como o cenário, as vestes, atuação dos atores, nos transportam para outra época (antigo testamento no caso). E é impressionante ver como esse povo presenciou inúmeros milagres, vistos as claras e não de forma subjetiva. E mesmo assim muitos não creram na promessa, eram murmuradores, perdiam tempo com brigas e disputas inúteis.

Ou seja, presenciar milagres, ver a ação de Deus, não nos isenta de passarmos por dificuldades. Porém não isenta também da responsabilidade de fazermos uma escolha no dia-a-dia mesmo.

Sempre que ao invés de agradecermos pelo pão de cada dia, pela saúde dos filhos, do cônjuge e etc., decidirmos reclamar de tudo, estamos fazendo uma escolha.

E como aquele povo no deserto, poderemos ficar “rodando em círculos” e perdermos o melhor desta vida, que é vivê-la sabendo que temos um Ser Superior, um Deus, que olha por nós!

Abaixo vou transcrever a letra de uma música que se você puder ouvir no Youtube, sei que será tocado de forma poderosa em seu íntimo!

O Que Sua Glória Fez Comigo

Fernanda Brum

Link: https://www.youtube.com/watch?v=9fZph9kZkgM

“Eu me rasgo por inteiro
Faço tudo, mas vem novamente
Eu mergulho na mirra ardente
Mas peço que tua presença aumente

Aumenta Senhor, aumenta Senhor

Aumenta, Senhor, o fogo em nós
Acende o fogo em nós, Senhor

Eu me rasgo por inteiro
Faço tudo, mas vem novamente
Eu mergulho na mirra ardente
Mas peço que tua presença aumente

E se eu passar pelo fogo, não temerei
Na tua fumaça de glória eu entrarei
Longe do Santo dos Santos não sei mais viver

Quem já pisou no Santo dos Santos
Em outro lugar não sabe viver
E onde estiver clamará pela glória
A glória de Deus

Quem já pisou no Santo dos Santos
Em outro lugar não sabe viver
E onde estiver clamará pela glória
A glória de Deus

Diga assim comigo
Glória, glória, glória, glória
Diga santo, diga Santo, Santo
Santo, Santo, Santo…”

Que a maravilhosa graça de nosso Senhor e Salvador JESUS cristo SEJA com todos vós!

FELIZ NATAL!


extraído: SUA GRAÇA ME BASTA! | Revista Statto

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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

ENTREVISTA COM A ENFERMEIRA VALDELÍCIA SANTIAGO - revista STATTO

 


Apresentação:

Valdelicia poderia traçar um histórico de sua jornada profissional até os dias atuais?

O interesse pela área da saúde sempre existiu. Sempre me atraiu e muito. Sinto-me confortável em um ambiente que para alguns é o “caos”. Trabalhei em vários segmentos até iniciar como recepcionista em uma Instituição. E o que era interesse se tornou paixão. Fui adquirindo conhecimento administrativo, como tratar as pessoas e fui me interessando cada vez mais pela enfermagem. Decidi ingressar no curso de auxiliar de enfermagem. E nos estágios senti que era esse meu caminho. Trabalhar na área da saúde foi uma escolha. Estar próxima ao paciente, prestando cuidados é uma das atuações importantes e primárias da profissão. Prossegui nos estudos. Fiz faculdade, me formei em Bacharel em Enfermagem. Fiz duas pós voltadas para o ensino. Uma específica em Docência na Saúde. E hoje acompanho estágios como supervisora, dou aulas teóricas, cursos…. Ser docente não é um trabalho do tipo free lance. É minha profissão. Acompanhando alunos em estágio posso continuar na prática e estar próxima aos cuidados prestados ao paciente/cliente. Participar da formação de novos profissionais é enriquecedor porque de alguma maneira sinto que estou deixando uma parte minha com cada aluno, e fico com partes desses alunos comigo. Enriquecendo assim meus conhecimentos. É uma troca replicar conhecimento, estou em constante aprendizado! E posso dizer com toda certeza que me sinto privilegiada em poder dizer que amo o que faço e faço o que amo. Ser docente é um aprendizado infinito. Porque através dos meus alunos estou sempre buscando aprender…. É estimulante. Gratificante em muitos aspectos… É extremante maravilhoso ouvir alguém me chamando e dizer “oi para o” fui seu aluno… Mas eu continuo buscando novas atualizações. Esse ano já estou prestes a realizar o Curso de PICC (Cateter Venoso de Inserção Periférica) e pretendo fazer Pós em Estomoterapia.

E na vida pessoal, como conseguiu desempenhar o papel de mãe, esposa, filha e agora avó? Conciliar de maneira equilibrada a vida pessoal e profissional, estando na área da saúde é possível?

Sim. Hum…. É preciso encontrar o meio termo. Há fases que fiquei totalmente voltada para o trabalho. É claro que ainda existe a necessidade de descanso. Em alguns momentos é preciso abrir mão de reuniões familiares, de passeios e viagens… Mas é possível equilibrar o trabalho, família e vida pessoal. Claro que pode acontecer algumas cobranças do parceiro em alguns momentos. Mas é possível sim. E é preciso. Você precisa ter um descanso porque o envolvimento emocional é intenso muitas vezes. Precisamos de um tempo para cuidar de nós. E ter algo para fazer fora da profissão. Ler, praticar esportes, viajar, realizar atividades que de certa maneira nos afasta da nossa rotina.

Você se considera uma profissional muito exigente? Como é o olhar de uma profissional de seu gabarito em relação a nova safra de profissionais da área?

Sou mais exigente comigo. Mas sou exigente também com o profissional que estou participando da formação. Esse é meu momento. Cuidar da vida de outra pessoa exige responsabilidade. Vou ser bem sincera, há momentos que fico preocupada ao observar alguns da nova safra. Mas posso dizer que também está surgindo muitos bons profissionais. Que querem e sentem vontade de fazer a diferença. E eu procuro transmitir da melhor maneira possível à necessidade dos novos fazerem a diferença.

As novas gerações romanceiam a área da enfermagem. Já as antigas sabem o quanto foi sacrificante atuar na profissão.  O que a enfermagem representa para você?

Acredito que tanto no passado como no presente a profissão tem seu lado de sacrifício para atuarmos. Alguns acreditam que na profissão não faltará emprego. Eu gosto e costumo dizer para os meus alunos, os novos profissionais e mesmo para as pessoas, que não somos anjos. Somos profissionais capacitados para cuidar de pessoas. Temos uma profissão. Costumo brincar que atuar na área é preciso ter muita força e vontade. A enfermagem é a profissão que eu escolhi paralela à docência voltada para enfermagem. E costumo dizer: se mil vezes pudesse escolher, mil vezes escolheria enfermagem. Uma pessoa me perguntou esses dias porque escolhi a enfermagem. Uma profissão que me deixa tão próxima a dor e ao sofrimento. Mas não é só dor e sofrimento. E não se trata de querer aliviar a dor do outro, porque em alguns momentos somos impotentes e nada podemos fazer. Envolve ciência, pesquisa, aprendizado, cuidado. Para cuidar você precisa conhecer. Você precisa saber. E aliado a todo conhecimento ainda posso segurar a mão de alguém em um momento difícil.

Em sua opinião por que a área da enfermagem, principalmente técnica e auxiliar, não é bem remunerada?  O mesmo ocorre com enfermeiros padrão (com nível superior)?

Procurar uma única razão é complicado. Nesse aspecto podemos abrir um leque de razões. Nos dias atuais temos muitos profissionais da área em busca de uma colocação. Este ano muito se falou sobre isso. Esperamos que a classe seja valorizada tanto em aspectos financeiros como em respeito pela própria profissão. Imagina que em muitas instituições a enfermagem não tem nem mesmo uma sala para repouso. O que temos é a esperança de que os órgãos que nos representam lutem por essa conquista de salários dignos, condizentes com a profissão!

Quais as melhores lembranças que a área te proporcionaram? Consegue citar algumas?

São muitas. Algumas marcam mais que outras. Sem parecer “piegas”, mas ver um paciente voltar e te agradecer pelo cuidado. Um filho retornar para casa, um pai, uma mãe é gratificante. A pessoa está frágil e confia nos cuidados da enfermagem. Posso citar a mais recente. Paciente com AVCH, há meses hospitalizado, sem falar e numa manhã como outra qualquer vou cumprimentá-lo e ele me diz “oi” movimentando os lábios. Não dá para descrever a alegria desse momento. O que faz a diferença é o olhar do paciente ou do familiar. Os olhos são espelhos da alma e não mentem. E ver o agradecimento no olhar da outra pessoa e tudo.

E das lembranças mais difíceis? Poderia mencionar uma?

Uma mãe idosa com um filho internado na oncologia em estado terminal segurou as minhas mãos e perguntou se seu filho seria curado. Eu lhe disse para pedir para Deus fazer o melhor por seu filho…  Saí do quarto e chorei! Para uma mãe, filho não tem idade. Como mensurar a dor de uma mãe? Na verdade, eu ainda choro nos dias atuais. Um aluno uma vez observou: – “Pro”, a senhora ainda chora? Respondi que ainda tenho canal lacrimal. Kkkkkk. Completei… O dia em que a dor do próximo não me atingir então é hora de me afastar da profissão.

Teve uma moça há alguns anos, com traqueostomia, eu realizava a aspiração e aproveitava para falar com ela. Ela só se manifestava pelo olhar. Quando precisei deixar o setor fui me despedir dela e ela chorou, nem preciso dizer que saí chorando. Nesse momento de fragilidade o paciente confia em você. Se sente seguro. Daí a importância do cuidado humanizado, que precisamos colocar em prática.

O que você tem visto nos hospitais, clínicas ou casas de repouso, em relação a proteção das equipes contra a COVID-19? Os EPIs, precauções, medidas de segurança tem sido eficaz até que ponto?

Percebo que existe sim preocupação em relação à equipe e o uso de EPIs é cobrado realmente. Até onde pude observar as devidas precauções tem sido tomada. Para as medidas de segurança ser eficaz, é preciso que o profissional assuma a sua parte. Higienização das mãos, o uso correto dos EPIs e todos os cuidados de precaução precisam ser tomados. Na verdade, a eficácia depende muito de cada um de nós. Porque você pode ter acesso a todos os EPIs, mas se não fizer uso correto, higienização das mãos e etc., o resultado será negativo. Eu particularmente acredito que é uma questão holística, que envolve cada um de nós. E uma fase de conscientização. De mudança de hábitos.

Você perdeu muitos amigos, conhecidos e etc. da área e/ou fora dela para a COVID-19?

Sim. Da área perdi pessoas conhecidas, pessoas do meu convívio. Soube de pessoas ligadas a colegas e amigos. Eu vivi a COVID-19 com meu irmão que ficou em estado grave e com meu filho que é da área (tratou em casa). Quando vai chegando mais perto da gente é assustador. Tem sido dias difíceis.

Qual mensagem gostaria de deixar as pessoas nesse momento ainda um pouco incerto, onde cuidar das emoções, do físico e das finanças tem sido um grande desafio?

Vai passar. Tudo passa. E isso também vai passar. É preciso que aprendamos a viver um dia de cada vez…. Na verdade, já há alguns anos eu costumo dizer: um segundo de cada vez! Porque em um segundo nossa vida pode mudar. Precisamos ter calma, paciência, encontrar força e coragem nesse caos todo. Descobrimos na pandemia que muitas coisas que pareciam importantes não eram tão importantes assim. Mas é preciso que no final, mesmo com todas as dores que tivermos vivenciado, o saldo seja positivo. É um momento de mudanças, de conscientização tanto de nós profissionais como de toda a sociedade.

extraído: https://revistastatto.com.br/lifestyle/entrevista/entrevista-com-a-enfermeira-valdelicia-santiago/




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