sábado, 18 de julho de 2020

ENTREVISTA COM O CASAL “GRITO DE LIBERDADE, DO BRASIL PARA O MUNDO”: ERICK RIBEIRO E DÉBORA ANDRETA - Revista STATTO




O Projeto “Grito de Liberdade – do Brasil para o Mundo” nasceu em 2016 com o objetivo de mostrar o cotidiano de um casal que largou suas vidas, para viajar a bordo de um Motorhome em busca de novas culturas e experiências. De repente, o que era para ser um caminho para a descoberta interior, se tornou um propósito de vida!
Débora Andreta – Life Coaching e formada em enfermagem.
Comece a transformação em sua vida a partir do autoconhecimento, aprenda a identificar seus pensamentos e a blindar suas emoções para alcançar seus sonhos. Sua vida cada vez mais perto da plenitude tão sonhada e planejada por você”.
Erick Ribeiro – Mentor Financeiro (Curso Rota Financeira Inteligente) e formado em engenharia civil
Garanto que você não pensará no dinheiro como pensava antes. E a partir do momento que trabalharmos juntos, te auxiliarei a colocar o dinheiro numa rota certa para ser FACILITADOR de seus PROJETOS, SONHOS e VIAGENS”.
Conte-nos um pouco sobre a trajetória de vida de cada um de vocês? Crenças, onde foram criados, como se conheceram?
De bem com a vida Erick Ribeiro, cofundador do projeto “Grito de Liberdade”, criador do “Método AAII das Finanças” e curso “Rota Financeira Inteligente”, com 34 anos de idade, mas com corpinho de 26 e rostinho de 40. Visão empreendedora, treinador e mentor financeiro e empresarial, palestrante, engenheiro civil, master em “Gestão de Negócios Imobiliários”, gestor empresarial e analista em melhoria de processo, nasceu numa comunidade da periferia de São Paulo mais conhecida como favela.
Adora um novo desafio e já viajou mais de 17 países, em busca de conhecimento e novas experiências, além de suas formações acadêmicas, é fotógrafo nas horas vagas e apaixonado em viver momentos únicos com sua esposa Débora Andreta.
Em suas viagens pelo mundo descobriu seu propósito de vida, que é ajudar as pessoas a transformar suas vidas financeiras, planejar e realizar seus sonhos. Acredita que sonho sem planejamento, ação e consistência, é igual à fantasia. Porém SONHO mais Planejamento, Ação e Consistência é igual a Resultados e Realizações.
Débora Andreta, enfermeira especialista em “Saúde Familiar”, nascida e criada em família humilde, atuou como pesquisadora e também líder de equipe em “Redes Especializadas na Prevenção e Promoção de Saúde”, desde sua formação há 10 anos. Quando, apesar de estar adequada a vida que a sociedade acredita ser o ideal, sentia-se insatisfeita com seus resultados e estilo de vida.
Foi então que em 2016, Débora, juntamente com seu esposo, Erick Ribeiro, até então engenheiro civil e hoje consultor financeiro, saíram do Brasil em busca de seu propósito de vida. Quando na estrada, a bordo de um Motorhome, descobriu o porquê de seus incômodos internos, quebrou paradigmas e superou seus próprios traumas, sentindo o gosto de uma vida cada vez mais intensa e com liberdade. Após o encontro interno consigo, percebeu que muitas pessoas vivem aprisionadas da mesma forma. E percebeu que tinha um grande desejo de ajudar essas pessoas a superarem os seus próprios traumas, para darem o seu “GRITO DE LIBERDADE”, nome dado ao projeto iniciado pelo casal em 2016.
Agora além das especialidades já citadas, Débora conta com formações em “Life Coaching”, “Master Practitioner em Programação Neurolinguística”, “Analista Comportamental”, entre outras, para guiar pessoas que se encontram estagnadas e sem rumo a viver uma vida com Propósito e Liberdade.
O encontro foi na faculdade, mais especificamente no pagode próximo a faculdade (kkkk), quando vi aquela “loirona” dançar não resisti e fui logo chamá-la para dançar, pronto, logo ali já tomei meu primeiro “toco”, mas nunca fui de desistir na primeira tentativa, então fui alvejado pelo segundo “toco”, mas tudo bem continuei por ali até que consegui seu telefone. O resto é história e já se passaram 12 anos, sendo 8 anos já casados.
Um projeto de vida como o “Grito de Liberdade” é bastante desejado por muitas pessoas, mesmo as que não o confessam, esse desejo lá no íntimo de se aventurar pelo mundo. Se pudessem exemplificar, quais seriam os pilares que as pessoas basicamente precisam fazer, para transformar esse desejo em realidade?
Acreditamos que qualquer pessoa que tem um desejo ardente, em seu coração, mais conhecido como sonho, pode sim realizá-lo. Parece clichê o que irei dizer agora (Erick).  Porém uma das partes mais importantes para alcançar algo na vida e ter clareza daquilo que se quer, ou simplesmente do lugar que se deseja chegar. Eu sei que essa resposta nem sempre é fácil de ser respondida, porém posso te falar com propriedade que no início você não conseguirá ver totalmente aonde quer chegar. Ou, o que quer conquistar, mas tenha sempre em mente que o destino final é muito importante, porém você jamais chegará lá se não conseguir fazer nem a próxima curva. Então, preocupe-se com isso, e dê o seu máximo em cada curva e tarefa, que tenho certeza que chegará onde quer. Como eu tenho tanta certeza disso? Eu cheguei até aqui fazendo isso, então você também consegue. Outra coisa que irá te ajudar muito em sua caminhada é entender que você é o único responsável por seus resultados, sejam eles bons ou ruins. Então, não se faça de vítima e resmungão, chame a responsa para você! Arregace as mangas e faça o que tem quer ser feito todos os dias para alcançar seus objetivos. Não dependa dos outros, faça simplesmente sua parte e verá os resultados brotarem em seu jardim. E uma parte que coloco no top list, é não esperar ter muito dinheiro para saber administrar, mas sim aprender a administrar o que tem para ter muito dinheiro. Tenha suas finanças organizadas, viva com 70% daquilo que ganha, invista os outros 30% em seu futuro, na multiplicação do seu patrimônio, construa um “Tanque Financeiro” equivalente a 12 meses do seu custo de vida. Pois caso ocorra algum imprevisto, você não passará por desespero financeiro, e sim conseguirá ter paz financeira para focar em seus projetos e buscar seu “Grito de Liberdade”.
Erick você é um consultor financeiro, que inclusive conquistou a própria autonomia financeira muito jovem. Poderia nos contar como foi seu percurso, o que você fez, do que abriu mão para chegar nesse patamar? Mesmo que tenha crescido e vivido num país onde a economia é extremamente oscilante?
Realmente ter vivido e nascido em um país e uma comunidade menos privilegiada, vamos assim dizer, foi um fator que de certa forma, pode ter me atrasado na conquista de meus objetivos. Porém, isso nunca foi uma barreira para mim, pois nunca me fiz de vítima e reclamão, sempre foquei onde queria chegar e não media esforços legais para que isso acontecesse. Mas, aqui existe um fator primordial em minha caminhada, que agradeço todos os dias de minha vida, que são os ensinamentos, princípios e educação que meus pais me deram, pois mesmo que eles nunca tenham tido a oportunidade de frequentar uma escola na vida, sempre me incentivaram a fazer as coisas com princípio, respeito, honestidade, coragem e sem limitações emocionais. Por exemplo, se você quer algo vá lá e conquiste! Você pode, faça com intensidade, verdade e lute por aquilo que quer, pois se você não o fizer ninguém irá fazer por você. E não se importe se alguém falar que você não irá conseguir, essa é uma limitação deles e não sua.
Outra coisa que entendi muito cedo quando comecei a trabalhar com nove anos de idade nos empreendimentos da família, no ramo alimentício, mais conhecido como Boteco (kkkk) e depois passando a ser engraxate, servente de obras ou trabalhando em agropecuárias entre outros trabalhos que já fiz ao longo de minha jornada, é que tudo tem um começo e que nem sempre será fácil e a sua condição atual não determina seu futuro; mas sua decisão presente sim, irá construir o próximo capítulo de sua vida futura.
E claro não poderia deixar de falar na parte financeira, esse é um dos pontos chave para minha virada. Entendi muito cedo que precisamos primeiro aprender a administrar o que temos, para depois ter muito dinheiro e não o contrário, ter muito dinheiro para aprender a administrar. Essa é uma de minhas fórmulas de sucesso financeiro, inclusive além de mentorias personalizadas, hoje temos também um curso totalmente online o “Rota Financeira Inteligente”, onde ensino técnicas que criei e aprimorei durante minha trajetória, para ajudar nossos queridões e suas famílias a transformarem suas vidas financeiras. Se quiserem saber mais é só entrar em contato conosco pelas redes sociais. Outro fator importante é: nunca dependa de uma única fonte de renda, sempre tenha rendas extras, dessa maneira conseguirá alavancar seu patrimônio, conquistar mais rápido seus objetivos financeiros e estará blindado caso aconteça algum imprevisto no caminho.
Débora, conte-nos um pouco sobre sua trajetória como enfermeira e como isso contribuiu para que, com seu feeling e experiência cuidando de pessoas, te ajude hoje como uma Life Coach?
Minha jornada na área da saúde iniciou como assistente administrativa, onde minhas habilidades em gestão de pessoas já foram diferenciais para minha jornada com o desenvolvimento humano. Após minha formação em enfermagem, iniciei como pesquisadora o que me incentivou a estudar mais sobre as diversas vertentes relacionadas ao ser humano. Mas, foi ao trabalhar em uma “Unidade Básica de Saúde”, que percebi que não gostava muito da parte técnica da enfermagem, mas sim da área de promoção e prevenção em saúde, o que me aproximou de forma única das famílias acompanhadas. Nessa época, também era responsável pela área de planejamento familiar, onde ministrava orientações e palestras em grupo, além de trabalhos de acompanhamento familiar, juntamente com a assistente social da unidade. Nesse período, aprimorei minhas habilidades de ouvir, compreender e direcionar pessoas, buscando sempre a empatia e sem excluir os seus conhecimentos empíricos. Uma jornada que me ajudou muito em minha atuação como “Life Coach” com “PNL” ou “Mentoria”, pois me ajudou a reforçar a minha visão de não julgamento, mas sim de auxilio e direcionamento, levando em consideração a experiência de vida de cada um e de sua visão do mundo, que com certeza será diferente da minha. Ter a oportunidade de fazer parte da trajetória de vida de alguém é um privilégio e uma honra. E como mentora, tenho muito respeito pela história de vida de cada um e acredito profundamente que independente dos traumas e limitações a que as pessoas possam ter sido submetidas em suas vidas, elas são capazes de alterar o presente para ter um futuro de acordo com o sonho delas. E eu ajudo nessa jornada de autoconhecimento e descoberta de propósito, para que ela tenha a escolha de manter o que quer em sua vida e mudar o que não serve mais, para conseguir alcançar o que deseja.
Apesar de hoje se falar muito em inteligência emocional e autoconhecimento, fomos ensinados a deixar isso de lado, como se não fosse tão importante quanto às outras áreas palpáveis da vida, como conhecimento em geografia, história ou matemática, porém ao se deparar com os desafios da vida, suas emoções e a forma como você lida com elas, determinarão suas ações e reações perante cada situação, te aproximando ou afastando de seus objetivos. Sempre falamos com nossos queridões que não adianta viajar o mundo para fugir dos seus problemas, pois muitos deles são internos e você “se levará” para qualquer lugar que for, se você não aprender a lidar com suas emoções, você poderá estar em qualquer lugar do mundo e ainda assim, só conseguirá enxergar problemas pelo caminho. A sua jornada se inicia dentro de você!
Poderiam traçar uma linha do tempo, dizendo os principais países já que estiveram e contar um pouco da experiência (se ficaram em casa ou Motorhome, tempo de permanência, como ganhavam dinheiro) em cada um deles?
Passamos por 17 países até agora, sendo 12 deles na Europa e 10 com nosso Motorhome. Nosso primeiro vôo foi em março de 2016, saindo do Brasil rumo à Irlanda, nossa primeira parada por praticamente 1 ano, para aprender o inglês. Por lá, eu Erick, trabalhei como KP (Kitchen Porter) basicamente lavador de louças, pois não queríamos mexer em nossas economias e investimentos no Brasil, tudo isso fazia parte de planejamento inicial, aliás, ficaria muito mais fácil aprender o inglês vivendo com a cultura local. E foi lá também que descobri o talento para fotografia e passei a atuar como fotógrafo de casamentos, fazendo renda extra, um dos meus pilares para a riqueza (kkk). A Débora iniciou fazendo faxina em casas de famílias, seguindo a mesma linha de nosso planejamento financeiro e de objetivos, e por lá também iniciou um dos seus primeiros “Gritos de Liberdade” de sua vida, que foi cantar nas ruas de Dublin, atuando como “Busker”, digo isso, iniciando seu “Grito de Liberdade”, pois a Débora apesar de cantar muito (nem sou Fã né!) ela sempre foi muito envergonhada quando ela era o centro das atenções. Mas isso foi vencido e as ruas de Dublin foram agraciadas pela sua voz e talento, porém quando tudo por lá já estava massa demais, decidimos recalcular nossa rota e comprar nosso Motorhome na Holanda em março de 2017. Essa história é bem engraçada, pois compramos nosso Motorhome pela internet sem nunca ter entrado em um Motorhome na vida, mas depois contamos essa história em detalhes e também quem quiser saber um pouco mais entre lá em nossas redes sociais. Então começamos pela Holanda, seguimos para Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Áustria, Suíça, Liechtenstein, um país com um dos maiores PIBs da Europa, com apenas 37 mil habitantes que nem sabíamos que existia e que só tem Porsche na rua (kkkk)! França, Espanha e Portugal e depois de avião para Inglaterra. Por quase todos esses países que passamos, nosso sustento na estrada foi mantido por grande parte da primeira fase, pelas economias geradas e mais uma vez nossa boa administração financeira. Sempre pensando a médio e longo prazo. A Débora também cantou em cinco países e que sempre renderam ótimos frutos financeiros. Depois dessa fase e até hoje vivemos sem patrocínio financeiro nenhum, vivemos apenas com recursos próprios, fruto de investimentos que temos no Brasil e exterior. Por todos esses países que passamos na primeira fase, ficamos “full time” no Motorhome, raramente dormimos na casa de algum amigo ou conhecido. Na verdade, as pessoas adoram vir nos visitar no Motorhome, para ver como é e sentir a sensação de liberdade, acordar cada hora em um lugar e país diferente. E foi nessas visitas que entendemos que a viagem era um preparo, que virou um presente e hoje é a cereja do bolo, porém o que nos movia e nos move até hoje, é conhecer pessoas, suas histórias e ajudá-las a darem seu “Grito de Liberdade” geográfico, financeiro e emocional. Essa é e tem sido nossa melhor experiência.
Quais os prós e contras de viajar de Motorhome?
Olha aqui poderia ficar discursando vários pontos, mas vou me ater apenas em alguns: a parte boa de viajar de motorhome, sem dúvida nenhuma é ter a liberdade geográfica de acordar em diferentes lugares, paisagens, países e claro com sua casa a tiracolo. Tipo, “caraca”, não precisa arrumar as malas todas às vezes porque já está tudo ali pronto a seu dispor. Viajar com Motorhome também é muito vantajoso, pois você sai do raio dos turistas, conhece a cultura local, pequenas vilas e isso te traz uma bagagem riquíssima, a parte econômica também em nosso caso faz diferença, pois viajar de Motorhome é muito mais econômico do que os meios tradicionais. Os pontos contra não são muitos, mas, viajar e viver dentro do Motorhome exige muita disciplina, organização e com isso uma parte muito operacional em todos os sentidos, que às vezes se torna desgastante. Pois não é uma casa comum que você aperta a descarga e pronto foi tudo embora e você nunca mais veja a “Me@@@ que fez kkkk”, existe um trabalho sujo a se fazer. Antes de dormir você precisa nivelar o carro para não dormir com a cama desnivelada, a quantidade de água sempre é limitada, mas se puder listar uma pior de todas é o banho. Temos chuveiro sim no Motorhome, porém nunca será como um banheiro de uma casa comum, disso sentimos muita falta, sabe aquele banho com mais pressão na água e um pouco mais à vontade? Então, é desses que estamos falando. No mais, a viagem e vida no Motorhome é superconfortável e somos suspeitos para falar, pois já viajamos assim há quase 3 anos né?!
Com a bagagem já acumulada nos países que já estiveram, poderiam nos dizer se existem países onde o povo brasileiro é mais aceito, ou se adapte melhor em termos de moradia, trabalho e relacionamento interpessoal?
Adoramos grande parte dos países que moramos e passamos e poderíamos falar um pouquinho de cada um em particular, mas se tivéssemos que escolher um, sem sombra de dúvidas seria Portugal, pela facilidade do idioma, existem sim diferenças culturais, mas eles nos recebem com tanta alegria, receptividade e a maioria deles sempre está pronto a te ajudar, o clima de Portugal também é ótimo comparado como o restante da Europa, mais quente, mais dias de sol, menos frio e paisagens de tirar o fôlego. Gostamos tanto que fizemos de Portugal nossa base geográfica na Europa, se tornando nossa segunda casa.
Vocês pensam em ter filhos? Existe um planejamento ou é um sonho distante? Como imaginam a criação deles (as): num único lugar ou no mesmo ritmo que vivem atualmente?
Pensamos sim em ter 2 filhos e já estão em nossos planos de curto prazo, e queremos criá-los livres, sempre em movimento. Conhecendo novas culturas, experimentando diferentes tipos de comidas, expostos a natureza, diferentes idiomas, aprendendo um pouco a cada parada sem limitações, dizendo para eles que sim eles podem ser e conquistar o que eles quiserem. Bom depois dessa explicação nem precisamos falar que queremos tê-los na estrada né!
Como fazem para lidar com a saudade da família? Vocês conseguem encontrar as pessoas mais próximas com qual regularidade?
Essa é uma questão que às vezes nos pega, mas com ajuda da internet hoje esse relacionamento fica muito mais próximo e fácil. Ligações por chamada de voz ou videoconferência são bem frequentes entre nossos familiares, e quando a saudade aperta um bocadinho mais, pegamos um vôo e pronto, depois de algumas horinhas estamos lado a lado. Essa parte é bem curiosa também, pois os pais da Débora agora têm um pretexto a mais para fazer viagens internacionais (kkkk), eles já nos visitaram na França e Portugal e ficaram conosco dentro do Motorhome, pensa a logística e calor humano (kkkk). E assim a balança da saudade fica cada vez mais equilibrada e saudável.
Que mensagem podem deixar as pessoas nesse momento de incertezas tanto no aspecto emocional, com o confinamento, quanto econômico e de saúde?
Primeiro tenha em mente que o mundo é cíclico, altos e baixos, talvez agora estejamos vivendo a baixa, mas isso irá passar e você voltará a viver os dias de alta. Aproveite esse momento para se reinventar e fazer aquilo que sempre teve vontade de fazer seja na área profissional, conjugal, pessoal e familiar. Aproveite também para rever e organizar suas finanças, caso você esteja passando por dificuldades nessa área, não é porque você perdeu o emprego, ou perdeu seu próprio negócio e sim porque enquanto você os tinha não soube administrar aquilo que tinha, então aprenda e administrar suas finanças e faça sobrar de 20 a 30% do seu salário todos os meses e com esse dinheiro comece a construir seu “Tanque financeiro” equivalente a 12 meses do seu custo de vida atual. Para quando surgir algum imprevisto, enfermidade ou acontecimento abrupto como esse que estamos vivendo, você esteja muito mais preparado, esse também é um conhecimento que compartilho e ensino passo a passo no curso “Rota Financeira Inteligente”.
No âmbito emocional, foque naquilo que você pode controlar, pois você até pode se manter informado do que está acontecendo ao seu redor, mas se alimente daquilo que te faz crescer e te ajuda a alcançar seus sonhos. Ao colocar toda a sua energia em coisas que você não pode controlar, será paralisado pelo medo e ainda estará perdendo um tempo valioso com o excesso de informação não proveitosa para sua mente. Outra dica é, tenha paciência e aproveite para se desenvolver e desfrutar de momentos importantes com as pessoas que você ama.
Para mais informações se inscrevam em nosso canal e também confiram nossas páginas: https://www.instagram.com/gritodeliberdade_/
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sexta-feira, 26 de junho de 2020

ENTREVISTA COM FABRÍCIO MARTINS – BARBEARIA NOVA SÃO PAULO - revista STATTO




Empresário e sócio da Barbearia Nova São Paulo em Taubaté (interior de São Paulo), Fabricio Martins nos contará um pouco de como tem driblado a pandemia, como é atuar no ramo de beleza e estética e peculiaridades da profissão de barbeiro.
Você trabalha com a autoestima das pessoas, é um serviço que exige muita empatia, bom atendimento e técnica. Como você vê sua profissão? Conte-nos um pouco do dia-a-dia.
Tenho para mim, que minha profissão de barbeiro exige muito conhecimento e profissionalismo. Tem que ter muita empatia com todos os clientes para que a sua barbearia venha ter um grande sucesso e grandes amigos.
Com a pandemia muitos comércios em regiões centrais fecharam as portas. Vocês que estão localizados em bairro, foram afetados?  Como está o movimento da clientela nesse período? Estão conseguindo trabalhar?
Sim, pelo fato de estarmos localizados em bairro estamos conseguindo trabalhar sim, embora os rendimentos tenham tido uma queda, temos até conseguido novos clientes graças a Deus!
Conte-nos um pouco sobre a Barbearia Nova São Paulo, quem são os barbeiros, cursos que fizeram e o ambiente que proporcionam aos seus clientes?
A nossa barbearia procura trazer aos clientes uma grande recepção e conforto, para que todos se sintam em seu ambiente. Hoje como barbeiro principal atendo eu mesmo com todo preparo e qualificação. Não só para cortar cabelo e fazer a barba, mas para receber bem a todos os nossos clientes. A maioria das pessoas que tem passado pela barbearia Nova São Paulo que fizeram o seu curso comigo, tem aprendido que ser um barbeiro não é só cortar cabelo e sim ser um grande conhecedor de seus clientes e sempre à disposição deles com muito amor e simpatia. Ministro cursos com esse lema: técnica e carisma!
Como é a vida no interior de São Paulo, filhos, esposa, ensino nas escolas, saúde?
Minha vida tem sido com muita luta, alegrias, paz ao lado da minha família aqui no interior desde que chegamos. É bem sossegado para criar filhos, minha esposa é minha amiga e parceira, meus filhos uma bênção de Deus e as escolas são muito boas no ensino. Professores atenciosos, as escolas estão de parabéns!
Conte-nos um pouco quem é o Fabricio Martins?
Eu Fabricio Martins sou uma pessoa que busco e prezo muito por Deus em minha vida e vejo que ele tem me proporcionado grandes vitórias e conhecimento para que eu possa enfrentar essas grandes jornadas que já passei na vida. Prezo muito pelo caráter, dignidade e paz interior, buscando resolver tudo com sabedoria.
Quais são os serviços que vocês oferecem aos clientes? Qual o público e faixa etária que atendem?
Nossa barbearia oferece cortes diferenciados, cortes blindados fio a fio, mechas quifis ponpordor, cortes navalhados, cortes todos na tesoura, cortes estilo social e também fazemos diversos freestyle para nosso público. O público varia, de empresários a trabalhadores, crianças, idosos. Atendemos a partir dos 6 meses por diante. Ministramos cursos também!
O que você diria aos comerciantes, pais de família nesse momento que estamos vivendo no Brasil e no mundo?
Posso dizer que nesse momento tenham muita paciência e inteligência para lidar com toda essa situação e sempre ponha Deus na frente. Tudo dará certo. E vocês pais de família possam ter não só hoje, mas sempre, todo o cuidado com você e seus familiares, dedicação e amor e principalmente Deus!
Deixe seus contatos, redes sociais e etc:
Facebook página:
Whatsapp: (12)99233-6057
Endereço: Rua João Pereira da silva N.485 – Parque Sabará / Taubaté SP      Email.      fabriciodasilvamarins109@gmail.com





















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quinta-feira, 25 de junho de 2020

ENTREVISTA COM VITELIO BRUSTOLIN - Revista STATTO




PHD em estratégia e desenvolvimento de políticas públicas. É Lemman Fellow, tem pós-doutorado em Harvard, nas áreas de Defesa e Segurança Cibernéticas.  E veja como foi sua incrível trajetória de Erechim (RS – Brasil) à Cambridge (EUA)!
Possui formação em Ciências Jurídicas (Direito) e Ciências Sociais. É Mestre e Doutor em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento. Concluiu o pós-doutorado em Harvard, nas áreas de Defesa e Segurança Cibernéticas. Professor de Estudos Estratégicos, Direito das Relações Internacionais e Organizações Internacionais no INEST-UFF (Universidade Federal Fluminense). Recebeu bolsa de pesquisa da Capes para o Pós-doutorado em Harvard. É Lemman Fellow.  Atua, também, como consultor ad hoc do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) para a Presidência do Brasil.
Conte-nos um pouco sobre quem é o Vitelio, família, infância, amigos. E de como foi sua incrível trajetória de Erechim (RS) à Cambridge (EUA)?
Essa é uma pergunta ampla. Um grande amigo e mentor costuma repetir o adágio de que nunca somos os melhores juízes de nós mesmos. Acho que ele tem razão. Nasci em Erechim, uma cidade de 100 mil habitantes, na Serra Gaúcha. Meu pai era militar e costumava ser transferido com frequência. Fazia parte da carreira dele. Quando eu completei 10 anos, nós já tínhamos mudado de cidade umas oito vezes. Por causa disso, foi difícil manter os amigos durante a infância. Acho que fui aprendendo um pouco com cada lugar, com cada nova escola. O meu único irmão, Renan, nasceu quando eu tinha 9 anos. Nossos pais trabalhavam muito e, por isso, fui como um segundo pai para ele. Comecei a trabalhar formalmente aos 14. Trabalhava todas as manhãs e tardes, pegava um ônibus e fazia 30 quilômetros para estudar em outra cidade, às noites. Publiquei o primeiro livro aos 20. Nunca a minha assinatura tinha tido qualquer importância. O livro a tornou relevante. As pessoas liam O Anjo Rebelde, uma obra de 200 páginas, em dois dias. E vinham pedir autógrafo. Aprendi que as minhas ideias tinham valor. Comercial, mas também intelectual e emocional. Até hoje o livro vende bastante e tenho medo de nunca mais escrever algo que faça tanto sentido. Me formei aos 21 e, no mesmo ano, me mudei sozinho para o Rio de Janeiro. Sem parentes, sem nunca ter estado naquela cidade; com pouco dinheiro. Tinha passado em concursos públicos no Sul. Renunciei para ficar no Rio. Trabalhei duro. Estudei mais. Fiz mestrado. Chegava, quase sempre, cansado às aulas, após ter virado as noites lendo. Passei em mais alguns concursos. Fiz doutorado. Ralei muito. Fui aceito em Harvard. Passei no concurso para professor-doutor da UFF. Fui selecionado para ser professor de Columbia, em Nova York. Comecei a prestar consultoria científica para o governo do Brasil. Voltei para Harvard para fazer pós-doutorado e para lecionar. Atualmente mantenho o vínculo com Harvard e com a UFF.
Você recebeu o Prêmio Shinagel por Melhor Artigo, pela Universidade de Harvard. Conte-nos um pouco sobre seu artigo?
Foi há 7 anos e eu estava ainda no doutorado. Tinha ganhado uma bolsa para Harvard, após competição internacional para ser aceito e competição nacional a fim de conseguir recursos para cobrir as despesas. Cambridge é um dos lugares mais caros dos Estados Unidos e os custos sempre foram altos, especialmente no entorno da Harvard Square. O artigo foi escrito em inglês e tratava sobre como esse idioma se tornou o “latim” da nossa era, sendo adotado como o idioma da ciência, assim como o latim o havia sido, no passado. Quando saiu o resultado, eu percebi que tudo seria possível, mesmo para um rapaz saído do interior do Rio Grande do Sul. O Prêmio me rendeu uma bolsa complementar de estudos e uma viagem por locais importantes da Nova Inglaterra. No dia em que recebi o Prêmio, postei uma foto nas mídias sociais, agradecendo ao nosso País: “Uma oportunidade de retribuir ao Brasil pelo apoio aos meus estudos no exterior. Vamos ganhar mais prêmios, desenvolver mais a ciência e construir uma realidade melhor, brasileiros!”
Como pesquisador pelo IPEA, seu trabalho de consultoria foi para a Presidência do Brasil, nos anos de 2014 e 2015. Poderia nos dizer como foi para você em termos de resultados? Foi o que esperava?
Essa pesquisa foi conduzida por oito cientistas brasileiros, selecionados em edital de concorrência nacional. Fiquei muito feliz quando vi o meu nome no Diário Oficial, entre os oito. Foi uma experiência importante, pois eu havia apenas concluído o doutorado e já tinha a possibilidade de retribuir um pouco ao País por ter investido nos meus estudos. O time de cientistas era brilhante. Todos se tornaram meus amigos. Juntos mapeamos a Base Industrial de Defesa do Brasil. Foi o primeiro e único mapeamento governamental da BID feito no País. Fomos visitar chão de fábrica, conversar com empresários, entrevistá-los, em vários estados do Brasil, nas empresas que escolhemos. Analisamos dados privilegiados, das bases de dado do governo. Fizemos pesquisa de ponta. O resultado é um livro de quase mil páginas, que vem influenciando pesquisas e políticas públicas industriais. Ele está disponível, para acesso gratuito aqui: https://scholar.harvard.edu/brustolin/pub
Como é seu trabalho na Brustolin Intelligency & Strategy, empresa fundada em 2015 e que está sob sua direção?
A Brustolin Intelligence & Strategy é uma empresa especializada em análise estratégica, projeção de cenários e capacitação profissional nas áreas de Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento. Dentre alguns clientes e trabalhos realizados, destaca-se a Marinha do Brasil, através de uma consultoria para a análise estratégica de contratos de offset para a aquisição de tecnologias. Os projetos envolvidos nessa consultoria para a Marinha foram de alta tecnologia, como o submarino nuclear brasileiro e o Sistema de Monitoramento da Amazônia Azul. Também prestamos serviços para a Força Aérea do Brasil, com a capacitação de oficiais sobre questões políticas e orçamentárias na Defesa Nacional. Além disso, prestamos serviços para outras instituições de renome, dentre as quais, Columbia University, Fudanção Ezute e IBMEC.
O Programa de Talentos Lemann Fellowship é a principal iniciativa da Fundação Lemann, que contribui com a formação de pessoas de alto potencial, comprometidas com o desenvolvimento do Brasil e com a superação de nossos principais desafios sociais. Como tem sido fazer parte dessa Rede?
A Fundação Lemann vem apoiando as minhas pesquisas desde o doutorado. Me concederam uma bolsa de estudos complementar em Harvard. Além disso, em 2018 e 2019, me ajudaram com recursos para obter dados para a pesquisa de pós-doutorado em Harvard, na área de Defesa e Segurança Cibernéticas. Sempre que posso, participo dos encontros da Fundação. O Jorge Paulo Lemann é muito ativo e, às vezes, tenho a oportunidade de lhe perguntar algo ou lhe pedir algum conselho. Lembro que ele me cumprimentou pessoalmente quando soube que eu lecionaria em Columbia. A Rede Lemann é composta por pessoas inspiradoras. Algumas vieram de lugares distantes – até mais que, a minha querida Erechim. A maioria dessas pessoas são jovens talentos, que conseguiram chegar nas melhores universidades do mundo através de muito esforço e indo contra a corrente das dificuldades. Considero muito importante o trabalho que a Fundação promove, de filantropia. Esse é um conceito que está começando a amadurecer no Brasil, mas que já tem dado muito certo no mundo todo.
Sua formação é muito robusta. Você se dedica bastante à sua formação. Consegue tempo para lazer, sair com os amigos? Quais suas atividades favoritas para relaxar?
Eu sou um cara bem simples. Faço piadas bobas. Falo com todo mundo. Encontro com os meus amigos sempre que posso, e mudo de assunto quando as conversas ficam muito científicas ou técnicas. Procuro relaxar, porque nessa profissão, a gente trabalha muito. Sobre as atividades, durante os dois últimos invernos em Cambridge, precisei começar a meditar, porque as temperaturas, que chegam a 30 graus abaixo de zero, e as nevascas, tornam a vida bem difícil. Algo parecido com o isolamento que muitos estão precisando fazer agora. Também por conta disso, comecei a pegar mais pesado com a musculação, indo à academia todos os dias. Os exercícios me ajudam a manter o equilíbrio. A ciência demonstra que os gregos e romanos estavam certos sobre o conceito de “mens sana in corpore sano”. O cérebro é uma parte importante do corpo; ele funciona melhor quando nos exercitamos. Eu costumava correr, mas depois de uma lesão no joelho, passei a pedalar. Procuro andar de bicicleta todos os dias. Já fiz natação, canoagem, e outras atividades, mas atualmente ciclismo e musculação são os meus principais esportes. Com o isolamento, tenho malhado com elásticos e pedalado com um bike trainer, dentro de casa. Sinto falta de sair cedo com a bicicleta e ver o sol nascer, mas tenho meditado mais cedo, por conta dessa impossibilidade.
Recentemente você teve a publicação de um artigo científico – sobre a conceituação de guerra, guerrilha e terrorismo – na Revista da EGN, artigo este que segundo você, tomou muitos meses de trabalho, dedicados a ler Clausewitz em alemão, inglês e português. Já está tendo a resposta que esperava, por parte de colegas da mesma área? Fale-nos um pouco sobre o tema.
Esse artigo científico demandou dois anos de trabalho. Primeiro foi necessário ler a imensa obra “Vom Kriege”, de Clausewitz em alemão, inglês e português. As ideias de Clausewitz foram, então, contrastadas com descobertas científicas recentes sobre o comportamento de animais sociais, com foco nos seres humanos (perspectivas arqueológicas e antropológicas: Azar Gat; perspectivas políticas e tecnológicas: Jared Diamond; perspectivas biológicas e comparativas: Frans De Waal). Essa metodologia foi empregada para formatar a conceituação de terrorismo e a sua diferenciação de guerra e de guerrilha, já que a definição desses fenômenos tem sido um problema para a ciência, as relações internacionais e os sistemas jurídicos há décadas. O artigo está todo em inglês estadunidense. Ele tem sido bem recebido no meio acadêmico. Espero que essa contribuição ajude Estudos Estratégicos, Relações Internacionais, Direito Internacional e outras áreas do conhecimento a avançarem. É o terceiro artigo científico deste ano. Dois deles estão com a publicação atrasada, por conta da pandemia. Estou trabalhando em mais dois. O artigo pode ser acessado, gratuitamente, aqui: https://academia.edu/resource/work/42296865
Conte-nos sobre sua experiência em Harvard. Além de ter feito o pós-doutorado você também leciona lá?
O meu vínculo com Harvard tem foco em pesquisa científica, mas venho tendo a oportunidade de lecionar algumas classes, ao longo desses anos. Acho engraçado que alguns dos meus alunos internacionais prefiram ter aulas comigo do que com alguns colegas estadunidenses, porque acham o meu inglês mais fácil de entender. A pronúncia do inglês na região de Boston é muito marcada pelo sotaque local. Além disso, o fato de a pronúncia do idioma nos Estados Unidos ser mais rápida e peculiar do que o inglês britânico, também acaba dificultando a vida de muitos estudantes internacionais em seus primeiros meses ou anos em Harvard. No mais, são alunos maravilhosos, empenhados, interessados em aprender e evoluir. Querem fazer o seu tempo ali valer a pena para as suas vidas. Acho que as abordagens que temos em Harvard e nas universidades de ponta no Brasil não são muito diferentes, pelo menos nas áreas em que trabalho. Há mais recursos físicos e de infraestrutura em Harvard, mas os melhores alunos são bons em qualquer lugar.
Eu gosto muito de Earl Nigntingale, e li recentemente uma citação dele em sua rede social que diz: “Nunca desista de um sonho por conta do tempo que vai levar para alcançá-lo. O tempo vai passar de qualquer forma”. Quais são seus pensadores, escritores ou mestres favoritos?
Essa pergunta vai ser difícil de responder. Eu tive uma infância e uma adolescência em um lugar frio. Meus pais tinham uma pequena biblioteca. Sempre li muito. Descobri Platão quando ainda era pré-adolescente. Fiquei fascinado por Apologia de Sócrates, o Banquete e a República. Cheguei a escrever uma peça de teatro sobre o julgamento de Sócrates. Descobri Nietzsche quanto tinha uns 13 ou 14 anos. A visão dele de mundo mexeu muito comigo. Zaratustra, Para Além do Bem e do Mal, Genealogia da Moral, enfim, quase tudo o que ele escreveu, mas principalmente o conceito de “além-homem”, ou “Übermensch”, no alemão. Na literatura, os russos foram determinantes. Crime e Castigo e Irmãos Karamazov, do Dostoievski, me influenciaram a fazer Direito. Guerra e Paz, do Tolstoy, me influenciou nos Estudos Estratégicos. Kafka, com suas 300 palavras em alemão e seu jeito de escrever Metamorfose, mudou a minha própria forma de escrever. Hemingway, com o seu estilo jornalístico de escrever literatura e seus incríveis o Velho e o Mar, o Sol também se Levanta, Por quem os Sinos Dobram. Mario Puzo, cujo Godfather eu li quatro vezes. Oscar Wilde, com o seu Retrato de Dorian Gray. Fernando Sabino, com o Encontro Marcado. Drummond e Fernando Pessoa, com quase tudo o que escreveram. Do Pessoa, gosto especialmente do que ele produziu sob o heterónimo de Alberto Caeiro. Shakespeare, Lovecraft, Guy de Maupassant, Guimarães Rosa, Clarice Lispector. Mario Quintana, cujo qual, alguns poemas sei recitar. Erico Verissimo com o Tempo e o Vento. Garcia Marquez, com Cem Anos de Solidão. Há tantos outros nomes, tantos outros textos. Para o meu trabalho atual, sem dúvida, Clausewitz e toda a corrente do realismo clássico são fundamentais: Colin Gray, Michael Howard, Peter Paret. Gosto do que o Stephen Hawking escreveu como divulgação científica, especialmente, Uma Breve História do Tempo e o Universo numa Casca de Noz. Azar Gat e Jared Diamond também são fundamentais. Descobri Harari há alguns anos. Presenteio meus amigos com o seu Sapiens, sempre que posso. Vou parar por aqui. Não quero cansar os leitores desta entrevista. Há muitas coisas boas para serem lidas, algumas delas são as obras que mencionei.
Eu o conheci pessoalmente por volta do ano de 2007, quando você atuava no Degase (Departamento Geral de Ações Sócio Educativas) do Rio de Janeiro. Na época eu fiz uma breve reportagem sobre o lugar. E gostaria de saber, com sua ampla vivência e contato com jovens, desde jovens em conflito com a Lei, até alunos de Harvard, o que acha que nós aqui no Brasil temos melhorado ou ainda temos muito a melhorar para a juventude em nosso país?
Trabalhei em muitos lugares e aprendi um pouco com cada um deles. A experiência de fazer um trabalho para ajudar pessoas em conflito com a Lei a se ressocializarem me transformou. Depois disso, cheguei a ser voluntário em uma ONG para ajudar pessoas com deficiência. Acho que acabei entendendo melhor a condição humana, as desigualdades e o sofrimento. A gente aprende um pouco todos os dias, estamos sempre evoluindo, tentando melhorar. Acredito que conhecer algumas realidades diferentes da minha me ajudou a me tornar um professor melhor. Já fui mais exigente. Quando fazemos um doutorado, somos obrigados a atender o mais alto grau de exigência. Somos cobrados por uma banca de doutores e nos cobramos muito. A realidade da sala de aula, no entanto, não pode ser inflexível. Há fatores e circunstâncias que nós, professores, desconhecemos na vida dos alunos. É preciso que se mantenha um nível de qualidade na formação que proporcionamos, mas é também necessário que haja compreensão e colaboração. Esse equilíbrio é difícil de ser alcançado e nem sempre acertamos, mas precisamos manter a humanidade e a humildade no que fazemos, caso contrário, as coisas perdem o sentido. Quanto a melhorar, há dados a respeito. Eles demonstram que, quando a Educação é priorizada, os países avançam. O Brasil se beneficiaria muito ao adotar essa diretriz.
Prof. Vitelio Brustolin, Ph.D. in Public Policy, Strategy and Development

domingo, 24 de maio de 2020

RESENHA DE SÉRIES: GREENLEAF



Greenleaf é uma série de drama de televisão americana, com 4 temporadas fortes e carregadas de suspense, controvérsias e até crimes e dramas familiares.
Criada por Craig Wright, e produzida por Oprah Winfrey e Lionsgate Television, também tem Clement Virgo atuando como produtor executivo e diretor. É estrelada por Keith David, Lynn Whitfield e Merle Dandridge.
A série mostra abertamente assuntos como: sexo, adultério, abuso e corrupção em uma mega igreja liderada pela família Greenleaf. Localizada na cidade de Memphis, às margens do Rio Mississipi.
Mas a trama traz um importante debate entre fé cristã e raça: a comunidade negra evangélica e o racismo nos EUA.
A hora da cura: Um funeral faz Grace (protagonista) retornar à propriedade da família 20 anos depois, onde ela descobre que um segredo antigo continua fazendo vítimas inocentes…
Essa série começa muito densa, pesada logo nos primeiros episódios. Embora o pano de fundo seja uma igreja evangélica, o mais chocante é perceber que esses problemas de ordem moral, mental e emocional da vida real, acontecem em qualquer entidade religiosa ou espiritualista (como visto nos noticiários de TV). E em qualquer família, independentemente de seu poder aquisitivo.
Cada personagem é um mundo à parte, que faz refletir seus medos, dramas e história de vida. E ao mesmo tempo, essas personagens se entrelaçam como na vida real.
O mais belo da história é percebido nas entrelinhas. Mesmo em meio a tantas controvérsias e sofrimento, é possível ter fé em uma mudança. E isso vai ocorrendo aos poucos, entre altos e baixos.
No final, entre mortos e feridos, sobra a família, a fé, a integridade em querer ser melhor, vista em personagens que não se esperava isso no início da trama.
É sem dúvida uma história fictícia polêmica e que procura mostrar evidências da realidade. Não muito recomendada para pessoas rigorosas ou melindrosas. Pois é uma trama que arranca a ferida sem anestesia.
É humana, é chocante, surpreendente!
E já está disponível na Netflix.