Blog de variedades da jornalista e escritora Daniela Duarte da Silva. Publicações você encontra na UICLAP, CLUBE DE AUTORES e AMAZON. Seja bem vindo! Danny Doo
Conversamos com a Karine de Sousa Moura, profissional da área de saúde, graduada em enfermagem, especializada em Centro Cirúrgico e Central de Material e Esterilização.
Nossa entrevistada tem uma bela trajetória profissional, é enfermeira em centro cirúrgico, enfermeira assistencial e administrativa. Docente em enfermagem, com docência no ensino superior. Acupunturista em formação e com toda sua correria do dia a dia, nos concedeu esta bela entrevista.
Como você descobriu sua vocação na área da saúde? Quantos anos tinha?
Acredito ser um chamado de força maior, sempre brinco com os alunos, “você não escolhe a enfermagem, a enfermagem escolhe você”. Minha mãe diz que desde a primeira infância ela percebia em mim essa inclinação para o cuidar.
Conte-nos um pouco sobre seu início de carreira, dificuldades de conseguir trabalho, estudos e etc:
Minha primeira formação foi como auxiliar de enfermagem em meados do ano 2000, logo após o término do curso me tornei mãe. O principal obstáculo foi a idade e falta de experiência, pois o primeiro emprego foi na área da enfermagem. No mesmo ano que consegui o primeiro emprego iniciei a graduação, e tive que conciliar com trabalho e maternidade, essa foi a maior dificuldade pessoal.
É possível conciliar bem a vida pessoal trabalhando na área da saúde? Existem opções melhores dentro desta área para quem deseja equilibrar melhor o tempo entre o trabalho e a família?
Acredito que o início seja um pouco mais movimentado, o ânimo profissional neste momento está elevado e talvez acabamos por não perceber a sobrecarga e a diminuição dos relacionamentos familiares. Com o tempo ampliamos nosso leque profissional, descobrindo novos horizontes, e tornar possível o equilíbrio entre profissão e família.
Como foi sua trajetória em centro cirúrgico? Como começou e até onde chegou? Quanto tempo levou para sentir que tinha chegado lá?
Iniciou como circulante de sala, e chegou a enfermeira assistencial e administrativo. A fase de transição não durou muito logo estava na ponta de uma equipe cirúrgica. Experiência fantástica em um setor de alta complexidade que em alguns momentos não se alinhava com a estabilidade humana e o equilíbrio emocional, porém a formação técnica e científica favorecia na administração e resolução de conflitos.
Como você decidiu se tornar docente na área? Conte-nos um pouco como é para você?
Observando as dificuldades no setor de atuação e a falta de capacitação profissional, surgiu um estímulo para contribuir na formação de novos profissionais. O que inicialmente seria uma atribuição paralela logo se transformou em uma paixão e atribuição oficial.
Você se considera uma professora exigente? O que almeja para seus alunos?
Sim, me considero exigente, agradeço a Deus a oportunidade da atuação hospitalar antes da docência, pois foi um período de preparo e acúmulo de experiências profissionais. Devido a essa vivência, acabo cobrando um pouco mais dos meus alunos exigindo o máximo de comprometimento e qualidade. Desejo um futuro brilhante para os meus alunos, com crescimento profissional e pessoal em ascendência.
Você começou muito jovem na área e alcançou uma posição de destaque. Mas gostaria de saber como você gostaria de terminar seus dias na área? Fazendo o que exatamente e onde?
Aos 38 anos ainda não parei de desbravar as várias possibilidades de atuação em enfermagem. Atualmente estou cursando uma pós em acupuntura (estou apaixonada) e penso em terminar meus dias profissionais ministrando aulas e proprietária de um espaço terapêutico.
Falando um pouco sobre atualidade, como você vê a epidemia do Corona vírus por sua experiência em hospitais e tempo de carreira? É realmente preocupante? O que as pessoas devem fazer para se proteger?
Me frustro com as questões culturais de nosso país, pois o momento trata-se de uma pandemia e a situação é realmente preocupante, se parássemos para avaliar com rigor e empatia a situação da Itália, por exemplo, estaríamos assimilando o processo de disseminação com maior seriedade. Claro que o desespero deve ser desencorajado, mas as medidas preventivas deveriam ser mais efetivas entre a população. Tenho conversado com outros profissionais, e observo que a falta de informação causa transtornos e equívocos com relação ao vírus.
Minha recomendação inicial é não banalizar a situação encarando como uma gripe comum, deve-se aumentar a frequência da lavagem das mãos, evitar contato como beijos, abraços e apertos de mão, evitar sair de casa e aglomerações, se possível, realizar seu trabalho em home office. E recomendação principal é o bom senso.
Em suas aulas eu tive o prazer de aprender muitas coisas relacionadas a imunidade e suas consequências. Fale-nos um pouco sobre isso, traçando um paralelo com o lado emocional, condição física e estilo de vida:
Infelizmente se pararmos para refletir e associar qualidade de vida e imunidade, torna-se preocupante. Qual é a nossa realidade? Vivemos para trabalhar e trabalhamos para viver, não equilibramos lazer, atividade física, cultura e alimentação, apertando o botão de STOP apenas quando a própria saúde entra em colapso, a mente deve estar sã para que a engrenagem corporal funcione de fato.
Qual a principal mensagem que você gostaria de deixar para as pessoas, com base em toda a sua vivência, experiência de vida e dedicação ao trabalho, muitas vezes até sacrificando sua qualidade de vida:
Sacrifícios valem a pena, tanto nas realizações profissionais quanto pessoais, obtive muitas vitórias, mas as principais são os meus filhos e tudo que pude proporcionar a eles junto a meu marido. Valeu muito a pena todas as vezes que recebi a gratidão e o reconhecimento dos meus pacientes, e hoje o sucesso dos meus alunos.
Como você vê a área da enfermagem? A classe é unida ou tem algo a melhorar?
A enfermagem está alcançando muitas conquistas e a área é promissora. Infelizmente a falta de união e ética entre os profissionais reduzem a velocidade desse progresso. A conscientização da importância da atividade profissional deve ser entendida e exercida, com técnica, conhecimento, empatia, humanização, união e ética.
Qual o principal recado que você gostaria de deixar aos estudantes da área da enfermagem, sejam eles auxiliares, técnicos ou universitários, que estão buscando um lugar ao sol:
Sejam persistentes, busquem o conhecimento, aprimorem-se, moldem-se, dediquem-se, assumam postura técnica que a oportunidade vem.
Deixe um depoimento livre que gostaria de deixar registrado:
Gostaria de agradecer a oportunidade e o carinho que me foi dedicado! A enfermagem é uma profissão extremamente necessária cuja funções não poderão ser substituídas por máquinas, pois cuidados dependem do toque, da sensibilidade humana e da empatia pela dor do outro. Agradeço principalmente a Deus por ter me capacitado e aos meus pais por terem me apoiado! Gratidão
Em momento tão oportuno, conversamos com o médico cardiologista e clínico geral, Dr° Rogério M. Ruiz, para saber um pouco mais sobre sua trajetória e também para recebermos informações mais confiáveis sobre a pandemia do Coronavírus.
Formado pela Universidade de Mogi das Cruzes – SP;
Cardiologista pela RB Sociedade Portuguesa de Beneficencia;
Pós-Graduado em Cardiologia Clínica e Avançada – IES SPaulo;
Pós-Graduado em Clínica Médica e Metabolismo – IES S.Paulo
Gestor Programa de Consultórios Satélites do Grupo Amil Saúde (Unidade CS LAPA1);
Membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia e Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo;
Coordenador do Instituto de Educação em Saúde – IESSP;
Atualização em Diabetes pelo Joslin Diabetes Institute (Harvard Medical School);
Foi professor de Bioética na FTML – S Paulo
Autor do Livro “Acontece cada VIDA na COISA da gente”
Coautor do Livro “O Marketing também veste branco”
Diretor da HD Home Doctor Serviços Médicos Ltda
Dr° Rogério, por sua especialização em cardiologia com pós em cardiologia clínica e avançada e diabetes, podemos dizer que seu público maior nos consultórios, seja a terceira idade? Conte-nos um pouco sobre algumas de suas especialidades?
A maior parte do público que frequenta meu consultório é da terceira idade. Posso estimar em aproximados 60%. O que mais acomete esta população é Hipertensão Arterial em primeiro lugar. Também temos comorbidades, ou sejam doenças que coexistem em um mesmo paciente. Muito frequente a tríade: Hipertensão, Diabetes e Dislipidemia (“colesterol alto”). Depois temos, em menor expressão, as arritmias, as valvopatias. Correndo por fora temos que registrar uma crescente demanda de pacientes com transtornos de ansiedade, onde os sintomas podem simular as cardiopatias, consequentemente estes pacientes vem ao consultório de cardiologia.
Como esse público tem efetivamente se preparado para se proteger da pandemia do Coronavírus em sua análise? Quais os outros grupos de risco?
Os idosos, cardiopatas, pneumopatas e imunodeprimidos compõem o principal grupo de risco. Entenda-se que o risco não é de se contrair a COVID19. Para este risco todos temos a mesma exposição. Quando se fala em risco cabe ressaltar que é o RISCO DE MÁ EVOLUÇÃO da DOENÇA claro que após sua instalação. Muitos acham e interpretam este risco como sendo de contaminação.
As pessoas, mesmo do grupo de risco, não estão preparadas para proteção. Se quer entendem a real necessidade de proteção. Como mencionei, pensam apenas em proteção da contaminação e não da evolução.
Existe um mito circulando entre as pessoas de que, quem não se encaixa nos grupos de risco, não tem que se preocupar muito. Como isso interfere negativamente para a proliferação e problematização da estrutura no sistema de saúde?
Ocorre que um indivíduo jovem pode não ser uma POTENCIAL VÍTIMA, mas sem dúvida é um REAL TRAFICANTE ao transportar o vírus de um lado para o outro. Como não tem cura ainda, o máximo que podemos fazer é combater a disseminação, e as pessoas as quais você se referiu na pergunta são os impeditivos para tal ação.
Historicamente o mundo já vivenciou muitas epidemias (que é mais regionalizada) e pandemias (em proporções globais) similares? O que as diferencia do que estamos vivendo agora em sua opinião?
A mídia e o excesso de “fake news”. A gripe espanhola, suína, aviária, o surto de ebola… Todos foram graves e fatais, mas não se tinha notícia em tempo real.
A própria PESTE NEGRA em séculos passados dizimou muitos europeus, mas até a informação cruzar continentes ela, como todas estas viroses são meio que autolimitadas.
Hoje morre um chinês e alguém faz selfie antes mesmo de se ter a autópsia confirmando o diagnóstico e isto se espalha. O curioso é que se um japonês morre às 19h nós ficamos sabendo aqui às 7h, ou seja, devido ao fuso horário ficamos sabendo antes dele morrer “morreu hoje às 19h um portador…. “ E aqui ainda é de manhã…
Vivemos na era dos dados. Informações sobre perfis valem mais que dinheiro. Quando você preenche um cupom para ganhar desconto em qualquer coisa, até mesmo remédio, na verdade está trocando informações sobre você mesmo por dinheiro do desconto. Tem gente má intencionada. Empresas lucram, mercados financeiros, políticas públicas, enfim…. Com esses dados em mãos tudo passa a ser passivo de manipulação, e estes dados podem ser usados por exemplo, para se causar terror, pânico ou alivio… Depende da intenção.
Quanto tempo você imagina que ainda temos pela frente até as coisas começarem a se normalizar? É possível fazer essa análise? Pois estamos num país tropical e a maioria dos casos que antecederam a chegada do vírus no Brasil, estão em países com clima diferente.
Para falar a verdade, penso que temos vantagem frente a China, EUA, Itália…. Porque como eles estão vivenciando isso há 3 meses, já estão buscando uma solução, que em breve virá. Pegamos o trem já em andamento. Por que ninguém fala sobre isso? Será que só eu tive essa percepção? Talvez não interesse acabar com o pânico…. Política? Economia? Não saberia mais o que pensar.
Como as pessoas devem efetivamente proceder? Existe uma preocupação real, ou como alguns ainda dizem por aí, se trata também de um pouco de sensacionalismo? Como equilibrar as emoções e o lado racional num momento como esse?
O fato: precisamos conter a disseminação. Medidas básicas são necessárias, mas ao mesmo tempo negligenciadas. Deixar ou tentar não viver essa paranoia. O assunto é grave, mas não é o fim do mundo.
Vai morrer gente? Sim. Mas a mesma classe de pessoas que morreu nas demais epidemias já vividas pela humanidade. O grupo de risco já abordado na primeira pergunta.
Reparou que nesta não tem relatos de crianças? Elas são vulneráveis ao contágio, mas não morrem…. Quem morre são os fisiologicamente debilitados, quer pela idade ou por condição clínica.
Dr° Rogério, fale-nos um pouco sobre sua trajetória profissional?
Médico, formado em 1996, na sequencia ingressei na Cardiologia pela Benef. Portuguesa S Paulo, fiz vários cursos de especialização e pós-graduação, participo ativamente das sociedades de cardiologia paulista, brasileira, americana e europeia. Inclusive no final deste mês deveria comparecer a Chicago para um congresso americanos e o mesmo também foi, de maneira sensata, suspenso devido a COVID-19.
Trabalho 90% do tempo em consultório privado e 10% com palestras e aulas.
A área da saúde exige uma constante atualização. É possível equilibrar bem a vida pessoal e a profissional?
Sim, exige atualização. Temos a nosso favor a internet, porque seria impossível sem ela o acesso a tanta atualização. Diz-se que “Medicina é ciência das verdades transitórias”. Fato… O que foi verdade há 5 anos pode não ser mais hoje.
Na vida pessoal, como gosto de ler e me dou relativamente bem com o mundo digital não tenho tido problemas neste equilíbrio. (Acho…)
Além de médico, o Dr° também tem formação em Teologia. Fale-nos um pouco sobre essa outra trajetória?
Fui criado em meio ao Cristianismo e suas doutrinas. Nasci e vivi com estes conceitos, os quais trago até hoje. Não compactuo com quem pensa que a fé é antagônica a ciência. Vejo que com responsabilidade a ciência nos aproxima da fé.
Uma vez me perguntaram, se como médico, eu acreditava em Deus, céu, inferno, concepção virginal, ressurreição de Cristo e tudo o que envolve o Cristianismo. Imagino que talvez você quisesse perguntar isso, mas foi discreta…. Tudo bem, eu repondo.
Creio sim. Acredito nestes conceitos. Acredito pelo fato de não conseguir entender… se eu conseguisse entender não seria necessário acreditar. Simples assim. Minha relação com o Cristianismo é de crença, de fé, ou como queira: de acreditar.
E quais seus hobbies, paixões, interesses pessoais?
São vários… Motocicleta, música, leitura, comida …. Me interesso por tanta coisa que chego a perder o interesse por outras….
Que mensagem o Dr° gostaria de deixar ao público em geral?
Crédito da foto: Hudson Motta Entrevista por Daniela Duarte
*Confira as fotos no final da matéria!!!
Conversamos longamente com a atriz e apresentadora Luah Galvão, uma profissional da comunicação, que tem muita habilidade para dialogar com o público e um carisma imenso. Luah é um rosto conhecido na mídia, participando de vários comerciais. Além de ser palestrante motivacional, faz expedições pelo mundo e busca sempre pelo novo!
“Quando pequena queria ser cientista, estar em um laboratório como aquele das histórias do professor Pardal, na adolescência me apaixonei pelos caminhos desvendados por Jacques Cousteau, no final do colégio pensei em muitas coisas; de arquitetura à educação física, passando por ciências sociais, entre outras. Acabei caindo na faculdade de direito e meu desencantar com as leis, me levou à publicidade, que me levou ao mundo das artes, que me levou para a comunicação, em um encadeamento interessante, onde cada elo foi necessário para ver o todo”.
Conte-nos como surgiu e o que é o projeto Walk and Talk?
Em primeiro lugar, obrigada por esse espaço de compartilhamento, é um prazer enorme estar por aqui.
Bom, vou iniciar contando um pouco sobre esse projeto de viagens que batizamos de “Walk and Talk” (LINK: www.walkandtalk.com.br) cujo propósito foi: pesquisar o que move, inspira e motiva pessoas das mais diferentes raças, credos e culturas.
Para realizar essa pesquisa, eu e meu companheiro Danilo España, demos uma Volta ao Mundo, passando por 28 países nos 5 continentes. A ideia inicial era viajar por 6 meses visitando 16 países, mas, a viagem acabou durando mais de 2 anos, e quase dobramos o número de países visitados. Ao total, foram mais de 160 destinos onde conversamos com muita, muita gente. Em nossas mochilas – gratidão à Curtlo ( LINK: https://www.curtlo.com.br) que nos apoiou – levamos apenas uma pergunta: “O que te motiva?”. Queríamos descobrir qual é essa força que nos faz acordar todos os dias e seguir adiante.
E sobre como surgiu a ideia do projeto…
Na época antes da viagem, eu vinha questionando minha profissão. Me sentia com o copo lotado, as atividades eram muitas e eu andava esgotada. Em paralelo, queria reavaliar o sentido daquilo que eu fazia e descobrir o meu sentido de propósito. Achei que “dar um tempo” e viajar para lugares desconhecidos, saindo da minha “zona de conforto”, me traria um bom ambiente para minhas reflexões e descobertas.
O Danilo por outro lado, trabalhava na aviação, mas queria se aperfeiçoar na área da fotografia, buscando novas técnicas e habilidades, nessa que era para ele, uma área de muito interesse. Além disso, o Danilo também tinha um sonho antigo de atravessar o mundo conhecendo novas culturas. Tanto para ele, quanto para mim, a viagem seria um ambiente perfeito para nossas necessidades de reflexão e expansão.
Somamos à nossas vontades, o embasamento de um curso maravilhoso que fazíamos semanalmente com o Prof. Viktor D. Salis – especialista em mitologia e antigas civilizações. Nesses encontros, com o formato de simpósios, várias provocações eram feitas sobre o sentido da vida, autodesenvolvimento, propósito, motivação, investigação dos nossos talentos e habilidades, etc.…, temas que mais tarde, fariam parte do centro da nossa pesquisa.
Posso dizer então que ambos já tínhamos uma vontade de mudança, e os simpósios foram o empurrãozinho que estávamos precisando. Durante a fase de planejamento do projeto, que aliás durou quase 1 ano, o Prof. Viktor nos ajudou em inúmeros aspectos, inclusive montando a rota da nossa viagem conosco. Foi ele quem nos ajudou a escolher uma multiplicidade de países que representassem um grande espectro cultural, para que a gente pudesse entender melhor o sentindo da motivação à partir de povos bem diversos.
Depois de muito planejamento e muita construção, embarcamos para essa que foi mais do que uma viagem pelo mundo, foi para nós, uma grande mudança de paradigma.
Como conseguir conciliar o trabalho como atriz e palestrante com esse projeto itinerante?
A Volta ao Mundo teve dois momentos:
Durante o primeiro ano de viagem fiquei 100% focada no projeto. Me dediquei apenas às contrapartidas que havíamos prometido aos nossos apoiadores e ao compartilhamento das nossas vivências e experiências nas redes que o Walk and Talk tinha na época. E isso não era pouca coisa. Produzíamos materiais internos e externos para empresas parceiras, vídeos, matérias para nosso blog “O que te motiva” na Revista Você S/A (blog que hoje migrou para Exame LINK: https://exame.abril.com.br/blog/o-que-te-motiva/), enviávamos diariamente boletins para uma rádio, sem esquecer dos conteúdos para nossas redes. Foi bastante trabalho. Vivíamos as experiências durante o dia e produzíamos os materiais durante a noite.
Já no segundo ano de viagem, como o recurso reservado já estava chegando no fim, resolvi avisar alguns clientes importantes que estaria disponível para trabalhos de curto prazo. Tive a sorte de fechar alguns bons trabalhos, voltando pontualmente ao Brasil. Na época, o dólar estava bem abaixo de hoje; eram incríveis R$ 1,78. Com esse câmbio, eu podia não só bancar minha passagem para o Brasil, como os valores que ganhava, tinham uma excelente conversão para o dólar.
Se não me engano, nesse segundo ano voltei umas 5 vezes ao Brasil. Eu voava, programava um dia para descansar do fuso horário, trabalhava durante os dias programados e voltava logo em seguida. Nunca passei mais do que 6 dias no Brasil, o que me ajudou a não desconectar do projeto. Enquanto eu trabalhava, o Dan seguia no exterior tocando nossas contrapartidas. Funcionamos como um bom time, e o recurso que conseguia nas viagens para o Brasil, nos ajudou a ficar esse ano extra viajando. Foi cansativo, mas muito bom!
Num de seus depoimentos, você cita que enquanto viaja e interage com novas pessoas e culturas, você amplia suas habilidades na área da comunicação buscando novas formas de interação muito mais ligadas à essência das pessoas e à real conexão. Fale-nos um pouco sobre isso?
Essa pergunta é bem interessante…
Saímos do Brasil falando inglês e espanhol, mas nem todas as pessoas ou culturas podiam compreender as línguas que levávamos na “mochila”, então, o interessante foi ter que desenvolver outras formas de comunicação. Usamos muito da linguagem corporal, gestos universais, desenho e a própria linguagem do amor. Inclusive, acho que o que mais fizemos foi usar todas as formas de comunicação ao mesmo tempo: parte em frases ou palavras, parte em gestos, olhares, desenhos, tudo junto e misturado… Lindo de se ver e de se compreender!
Sobre a “linguagem do amor”, ela também funciona! Tivemos alguns casos bem pontuais – que nunca mais vamos esquecer – de interações com pessoas com as quais foi a conexão com o coração que permitiu nossa interação.
Vou tentar explicar melhor… existe uma linguagem que se estabelece muito além dos códigos tradicionais de comunicação que estamos acostumados. Quando ativamos nosso coração, o bem querer parece que transborda no olhar e em nossa energia, e por empatia, mesmo sem que nenhum dos lados da relação possa compreender sequer uma palavra, a conexão é estabelecida.
Somos todos humanos e como humanos, podemos nos entender através do carinho, respeito amizade, empatia; através do amor.
Legal comentar também que hoje em dia existem diversos aplicativos – que ainda não existiam na época da Volta ao Mundo, que ajudam na tradução simultânea. Isso é um grande avanço no mundo na interação e nos salvou diversas vezes em uma viagem para o Myanmar que fizemos no final do ano passado (2019).
Acredito que seja apenas o começo de muitos avanços tecnológicos que vamos experimentar na área da comunicação, aproximando cada vez mais pessoas ao redor de todo mundo.
Se pudermos nos valer da tecnologia, sem esquecer da conexão real e da empatia, acho que teremos um grande futuro na interação entre nós humanos.
Em seus depoimentos e textos em que compartilha suas experiências e sensações sobre o mundo, você sempre passa muita leveza e positividade. A Luah na vida pessoal e profissional, como encara seus desafios e dificuldades?
kkkkkkkkk… Então, tenho mesmo um “q” de Pollyanna no meu ser. Todos em minha família tem um pouco dessa ingenuidade misturada com um tom vibrante de alegria.
Mas olha só, sou filha da Graça e do Felicio… pois é, esses são os nomes dos meus pais. Acho que não dava para ser muito pessimista vindo dessa mistura… rsrsrs
Como todos, também tenho meus dias de tristeza e desilusão profundas. Mas em geral, sou do tipo que enxerga mais o copo cheio que vazio. Me considero também alguém que enxerga muita beleza na vida, na natureza e nas pessoas.
Sinto que a vida reage conforme agimos sobre a mesma. Nossos pensamentos e ações formatam a jornada em que transitamos. Quando nossa mente projeta negatividade, é isso que acabamos colhendo. Da mesma forma, se agimos com mágoa, ressentimento, dúvida, medo, agressividade, etc… adivinhem qual será a resposta da vida?
Não é à toa que o princípio da “ação e reação” é mais do que uma simples “regra”. Ele é uma das grandes Leis da física – conhecida como a terceira Lei de Newton. Muitos povos do mundo que conhecemos levam isso muito a sério, como se essa Lei fizesse parte de suas bases culturais e filosóficas. Muitas pessoas têm essa noção arraigada em seus comportamentos e de fato não fazem ao outr@ ou ao meio, aquilo que não gostariam de fosse feito com el@. Sinto que tenho muita aderência a esse princípio.
No mais, tento manter sempre meus pensamentos mais construtivos que destrutivos, olhar mais o caminho e a chegada do que os obstáculos, e procuro sempre ver o lado bom e belo das coisas e situações. Acho que isso me ajuda a manter minha própria motivação e inspiração com a vida.
Com tantas histórias e bagagens que você vem colecionando, o que poderia dizer as pessoas nesse momento de certa forma tão delicado, com a pandemia do Coronavírus?
Estou respondendo essa matéria em um momento em que ainda estamos no início do surto no Brasil, então, vou expressar o meu sentimento e pensamento de agora.
Sinto que esse momento está nos trazendo uma oportunidade de auto avaliação e autodesenvolvimento como talvez nunca tenhamos tido desde a virada do século. Acho que essa tem sido uma parada importante diante de um mundo que estava em uma aceleração além de nossa conta.
O que mais eu escutava nos últimos anos, principalmente ano passado (2019) eram frases como: “Para esse trem que eu quero descer!!”, “Não vejo sentido naquilo que faço”, “Não tenho tempo pra nada”, “Meu trabalho me consome”, “Minhas 24 horas viraram 16”, “Sinto um vazio imenso dentro de mim”, “Não tenho tempo para minha família”, “Estou perdido”, etc..
Em paralelo, percebi diversos amigos e conhecidos passando por situações muito difíceis de depressão, Burnout, crises de ansiedade e pânico. Parecia que a nossa sociedade havia descarrilhado. Enquanto humanos, estávamos vivendo vidas com cargas e pressões muito acima do limite de nosso corpo, mente e emoções. Então, para além da dor daqueles que têm sofrido em hospitais em todo o mundo, essa crise tem nos dado tempo, para revisar a nossa vida, nossos comportamentos, nossa relação com o outro, nossa conexão com a natureza e principalmente, essa crise tem nos dado tempo para olharmos para nós mesmos.
Em paralelo, se eu começar a falar sobre a regeneração da natureza em si, vão mais muitas linhas nessa entrevista. A Terra tem nos mostrado diariamente quem realmente é o verdadeiro vírus dessa história.
O estilo de vida experienciado por nós humanos – principalmente nos grandes centros, estava fadado ao colapso. Ou está, caso não possamos aprender as lições desse momento. Ao meu ver, o que temos em nossas mãos no momento, é uma CHANCE. Apenas uma OPORTUNIDADE de reavaliarmos a nós mesmos e nosso coletivo, buscando novas alternativas de uma vida menos angustiante, e sim mais verdadeira e sustentável.
Agora é hora das grandes jornadas e aventuras, mas com um novo destino: para dentro. O tempo é para as viagens internas, que podem apresentar cenários tão novos quantos os de uma Volta ao Mundo. Aliás, sempre digo em nossas palestras que durante o mochilão, “a cada passo que eu dava para fora, três eram dados para dentro”.
Que possamos então, atravessar essa fase com todos os cuidados necessários para que nosso corpo não padeça. E enquanto indivíduos, que possamos aproveitar essa oportunidade para rever todas as nossas ações e comportamentos buscando nosso desenvolvimento pessoal e a evolução de nossas consciências. Se todos fizerem sua lição de casa, nosso coletivo terá a chance de saltar para um futuro mais humano, sustentável e consciente.
Poderia traçar um panorama de suas principais viagens e datas? E uma lição principal que pode aprender com cada uma delas?
Quando saímos para o projeto Volta ao Mundo, não podíamos imaginar que nossas viagens pesquisando outros temas continuariam. Achamos que seria um projeto de uma viagem só. Mas quando voltamos ao Brasil, menos de um ano depois já estávamos com o “bichinho da viagem” provocando a gente de novo. E então outras viagens se seguiram:
Volta ao Mundo – viagem pesquisando motivação | entre 2011 e 2013
Caminho de Compostela – 52 dias peregrinando o Caminho de Santiago pesquisando histórias de superação | 2014
Expedição Peru – viagem por várias regiões do Peru com o olhar sobre o tema resiliência | 2015
Lov Talks – projeto livre falando sobre amor (em amplo sentido) | 2017
Airplane Mood – viagem para Myanmar e Tailândia | 2019 – essa viagem surgiu como resposta a uma necessidade de um detox digital, de dar um tempo nas vidas corridas e contemplar novamente as belezas de uma cultura ainda não explorada por nós, que foi no caso o Myanmar.
O que diria as pessoas que tem o mesmo sonho que o seu (hoje concreto) de viajar pelo mundo, mas que por algum motivo ainda não conseguiram se organizar, seja devido compromissos, falta de grana, falta de coragem e etc?
Em primeiro lugar: não desistam dos seus sonhos. Por mais tempo que demore para ser realizado, o sabor da conquista de um sonho é inigualável… é bom demais.
De qualquer modo, antes de se dedicar à construção de um sonho, vale a pena pesar a importância que ele tem em sua vida. Saber se esse sonho é algo prioritário, ou apenas um devaneio momentâneo, se perguntar se você tem vocação para realizar o tal sonho, e até recursos suficientes para iniciar o plano. É muito bom fazer uma série de perguntas para o seu eu antes de dedicar sua energia a projetos que muitas vezes podem parecer sonhos, mas podem ser apenas desejos passageiros, ou até vislumbres de um possível pesadelo.
Respondendo todas as perguntas importantes, o próximo passo é o planejamento. Tudo aquilo que sonhamos está apenas no mundo das ideias até que a gente comece a investir nosso tempo e nossa energia para tirá-lo do papel. Nenhum sonho ganha a realidade sem uma série de ações práticas. E aqui não falo apenas das viagens, mas de todo e qualquer sonho que possamos ter. Desde uma graduação, uma Pós, uma festa de casamento, uma mudança de casa, cidade, aprender uma nova atividade, etc… Sem planejamento e muita energia, uma grande parte dos sonhos morre na praia.
Agora, voltando ao mundo das viagens ou das viagens pelo mundo… muitas vezes, nossos sonhos podem ser adaptados à nossa realidade do momento, tanto em termos de tempo, quanto ao nosso tamanho de bolso.
Certa vez encontrei uma pessoa que seguia nosso projeto no aeroporto, e ele comentou que ficava de olho em nossas dicas, pois seu sonho também era dar uma Volta ao Mundo. Na época ele trabalhava no aeroporto de Guarulhos e não tinha condições financeiras para fazer algo do tipo. Conversamos, seguimos conectados e ele se encorajou a começar seu sonho aos pouquinhos. Tempos depois conseguiu viajar para o Peru. Se não me engano, era sua primeira viagem para fora do Brasil.
O encantamento diante do novo e a felicidade em tocar novas culturas foram tão grandes, que alguns anos depois ele viajou de novo, dessa vez para realizar um incrível projeto pelo mundo. Ele conseguiu!! A primeira viagem gerou a coragem e o maravilhamento suficientes para que ele tivesse forças para seguir sonhando… e planejando.
Durante a viagem, ele usou plataformas digitais de hospedagem em casas de família, fez também vários amigos ao longo do percurso que também o ajudaram com a acomodação. E assim, ele e rodou diversos países do mundo. E realizou seu sonho. E foi feliz. Passito, passito…
Não desista nunca de seus maiores sonhos! Eles nos movem adiante e quando realizados, nos transformam em todos os sentidos.
Você já participou de muitas convenções, trabalhos na mídia e institucionais como atriz e apresentadora. Quais foram os mais importantes e marcantes de sua carreira?
Tive uma jornada bem interessante nos últimos anos fazendo trabalhos em várias das áreas da comunicação, cada uma pedindo uma especificidade e técnicas diferentes. Aprendi um monte.
Sobre trabalhos que me marcaram e foram importantes para mim…
Difícil selecionar, viu!
Mas vamos lá… o que veio primeiro em minha lembrança foi uma novela infantil chamada “Acampamento Legal”. Esse era um programa diário exibido todas as noites na Record. O enredo era ótimo e me diverti um monte gravando. Gostei muito de desenvolver meu personagem batizado de Zezé Batuta – uma bruxinha do bem que aprontava várias!
Ainda na TV, tive bastante orgulho também em participar do Telecurso TEC da TV Cultura – um programa educativo todo voltado à formação técnica e ao empreendedorismo.
Na área de eventos, tive alguns momentos sensacionais e de muita responsabilidade. Não vou mais me esquecer da abertura oficial do pavilhão da Dinamarca no Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos, ao lado – literalmente, de toda família Real Dinamarquesa. Na mesma época, conduzi a abertura do Rio Media Center, que contou com a presença de diversas autoridades nacionais e internacionais da mídia de diversos países. Ambos momentos durante os Jogos Olímpicos me exigiram muita responsabilidade.
Um outro evento que meu coração não vai esquecer, foi o Prêmio do Itaú Unicef que apresentei no final de 2018, onde as histórias dos premiados foram tão impactantes que me emocionei diversas vezes ao longo da apresentação. Pude perceber como nós brasileiros, somos mesmo um povo criativo, guerreiro, batalhador, donos de projetos incríveis de impacto que ajudam inúmeras comunidades ao redor do Brasil. Saí de lá com uma grande esperança no futuro.
Mudando para a área de criação, fiquei muito feliz com um projeto que desenvolvi para uma empresa multinacional, onde levamos vários executivos para uma imersão na cultura indígena. Ao longo de 3 dias de evento nos aprofundamos nos valores dessa cultura e tivemos a oportunidade de vivenciar um momento lindo dentro de uma das tribos brasileiras.
Outro projeto que gostei muito de desenvolver e organizar, foi uma pesquisa sobre positividade, encomendada por uma marca de expressão global. A equipe que montamos ficou quase 1 ano trabalhando em rede. Nesse projeto, não só fizemos descobertas muitos importantes sobre o tema, como tivemos a oportunidade de um grande desenvolvimento pessoal dos integrantes do grupo.
Não posso esquecer de mencionar também uma marca do leste de Minas que venho trabalhando ao longo dos últimos 4 anos. A marca, que é uma grande rede de supermercados da região, me possibilitou uma série de gravações fora do país, além de ter um líder que faz o máximo para contribuir com a sua comunidade e sociedade locais. O impacto positivo de sua marca em sua área de atuação e sua forma de liderar me geram um grande orgulho de pertencer.
Enfim, tenho inúmeras lembranças de muitas marcas e principalmente pessoas que vou carregando no coração. Mas sinto que a parte que mais gosto na minha profissão, enquanto comunicadora que sou, são as múltiplas possibilidades de conexão com o outro e as possíveis formas de transformação à partir dessa conexão.
Esses dias mesmo, fazendo um trabalho de motivação com 300 jovens de uma Escola Estadual, chorei ao receber os relatos enviados pelos alunos nos dias que se seguiram ao projeto. Isso para mim me move adiante!
Você e o Danilo España, seu parceiro de viagens e de vida, ministram palestras embasadas no projeto Walk and Talk. Como vocês fazer para adaptar os temas para cada público ou empresa e gerar um conteúdo único?
Para muitas pessoas talvez seja mais natural criar uma determinada palestra e replicá-la da mesma forma em diferentes lugares para públicos diversos. No nosso caso, por termos visto e vivido aspectos muito diferentes do mundo, isso talvez fosse um desperdício. Para cada apresentação nos informamos ao máximo sobre o perfil do público ou empresa, e buscamos construir uma narrativa única com base na solicitação ou briefing do cliente. Na construção da nossa narrativa, selecionamos histórias e conteúdo específicos, dessa forma potencializamos a mensagem que queremos transmitir, buscando estar em sintonia com o propósito do evento.
Com certeza nosso trabalho é bem maior do que se tivéssemos produtos de prateleira, mas uma das grandes vantagens que esse processo nos proporciona, é esse alinhamento mais vivo com o propósito de cada apresentação.
Para encerrar: “A vida é muito curta para ser pequena”. E com essa frase de Benjamin Disraeli, termino essa gostosa entrevista que me fez voltar ao mundo que vivi tão intensamente e que tanto agora precisa de nossa esperança para ser novamente vivenciado.