
Tudo começou quando resolvi me mudar para o apartamento conjugado de uma amiga no bairro do Flamengo. A idéia surgiu quando me vi exausta demais para voltar do Catete, onde fazia faculdade, até Jacarepaguá todos os dias. Enfim, era uma idéia para ganhar mais qualidade de vida.
No início tudo caminhou muito bem, a idéia tinha sido aceita pela dona da casa e pelas 2 amigas que dividiam o ap. Uma das amigas é minha prima, que na época já estava lá há 1 ano com as outras duas. Todas estávamos animadas com a idéia das festas e coisas em comum que desfrutaríamos, e apesar do apartamento ser bem pequeno, nos divertimos muito lá.
Mas nem só de festas, risadas e diversão vivem as mulheres. E tudo começou a ficar maluco quando uma de nós, ou duas de nós (ai ai ai) começou a ficar na famosa “tpm”, hora de ligar o sinal de alerta. (risos)
Imagine você, o que é ser acordado as duas da manhã, por nossa amiga (dona da casa) sempre bem falante, chegando da casa de amigos hiper animada para bater papo. E isso quase sempre acontecia. E como nossa anfitriã tem muitos amigos e é bem animada, sempre queria trazer mais uma amiga para dormir. Ou seja, estávamos sempre fazendo sala.
A faculdade e o trabalho estavam me deixando um pouco cansada, porém a proximidade de dormir por lá ajudava muito. Mas tinha que enfrentar a dinâmica de horários diferentes das outras amigas. A Joana trabalhava na parte da tarde, então sempre estava com pique de papear as 2 da manha com a Julia (dona da casa). Minha prima Melissa dava aulas de informática, num esquema free-lance e eu estava sempre com sono! (rsrsrsrs)
Então começamos a enlouquecer! Eu brigava por umas horas tranqüilas de sono, enquanto a Jô queria ver tv. A Melissa apesar de ser minha prima não queria tomar partido (e estava certa, pois era amiga de todas). Todas que estavam ali pagavam um pequeno aluguel e fazíamos compra. Então as obrigações e direitos eram iguais. Uma loucura! E pra piorar, a dona da casa estava cada vez mais irritada com a situação, pois nos queria por perto, porém num lugar maior. O que não era possível.
Entre brigas, caras feias, reconciliações, todas se salvaram e somos amigas até hoje. Passaram-se 2 anos já e cada uma seguiu seu rumo. E quando olhamos para trás fica uma lembrança engraçada e intensa. Como cabíamos as quatro naquele conjugado maluco? Quatro mulheres, quatro mundos.
Passamos por momentos difíceis também e nos apoiamos muito. Eu fiquei doente fisicamente na época, tive problemas no pulmão. A Joana tinha um problema no rim e estava para fazer uma arriscada cirurgia. A Julia (a dona da casa) faz terapia e toma remédio controlado, porém andava faltando nas sessões; o que a deixava mais agitada. E minha prima estava se aborrecendo com a falta de grana pelo trabalho instável e relacionamentos afetivos insatisfatórios. Enfim, éramos todas muito frágeis e sobreviventes. Na verdade éramos fortes e não sabíamos.
A vida andou e hoje cada uma seguiu seu caminho. Joana fez a cirurgia, se recuperou lentamente e hoje está muito bem. Mora no interior, um lugar bem mais tranqüilo e está mais feliz. Minha prima deu uma guinada de 360 graus. Voltou para a casa dos pais no início. Reencontrou um antigo amor, se casou e hoje tem uma filhinha linda. Eu finalmente terminei a faculdade e estou terminando a pós. Minha saúde está muito melhor e estou com planos de ir para o exterior até o final do ano. A Julia, nossa querida maluca anfitriã, está mais calma e se concentrando mais em cuidar de si mesma. Enfim, o destino sempre encontra uma resposta perfeita para tudo...
Mas hoje quando me lembro de nós, vivendo tudo aquilo, percebo como a vida é incrível! Pois nossa perspectiva sonha, mas o coração nem sempre acredita que se torne realidade. E dou graças à Deus por ter cuidado de nós em tudo. É óbvio que a vida nunca será redonda, mas ela pode sim, se tornar a cada dia um grande milagre!
Obrigada às 3 doidinhas que conviveram com a doidinha aqui, naquele mini-mundo rosa.
Daniela Duarte ou Danny Doo para os amigos
– Diretamente da DOOlãndia
* os nomes de minhas amigas e prima foram trocados para preservar a identidade, porém o meu é real



