Blog de variedades da jornalista e escritora Daniela Duarte da Silva. Publicações você encontra na UICLAP, CLUBE DE AUTORES e AMAZON. Seja bem vindo! Danny Doo
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Trechos do livro"O arroz de palma" de Francisco Azevedo.
"Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema...
...Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir...
...Mas a vida... sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida.
Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele, o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente...
...Já estão aí? Todos? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto: é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte.
Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Manière; Família ao Molho Pardo (em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria). Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seria assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.
Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu.
O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro.
Aproveite ao máximo.
Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete."
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Confissões do funcionário 59



quarta-feira, 21 de setembro de 2011
"Você não tem inimigos externos !
"Inimigos nosso são os pensamentos errôneos que todos nós temos, e que lançamos ao ar, atraindo pensamentos semelhantes no próximo.
Na realidade, ninguém pode ser inimigo nosso, pois Deus habita dentro de cada um de nós.
Seja alegre e otimista.
Não perca tempo em olhar para quantos lhe feriram, não agiram como você desejava, guardar mágoas é perda de tempo...
Olhe para frente e caminhe confiante e alegre, praticando o bem e ajudando a todos.
Dê a mão a cada criatura que lhe aproxima, diga sempre uma palavra de conforto e carinho, tenha para todos um sorriso de bondade e de verdadeira felicidade. Assim passará a construir seu clima permanente de vida!
Deus sabe tudo."
domingo, 18 de setembro de 2011
*Poeminha encantado - Danny Doo

Dedico à todas as amigas, mulheres, meninas...
Para quem conseguiu vencer o complexo de Cinderela, onde o desejo secreto é um mundo perfeito...
A beleza está na ausência de perfeição* Encantadora é a realidade por nos deixar livres para escolher...
Tô inspiradinha né... (rs)
Bom, agora ficarei mais ausente por email pois o trampo está puxado!
Bjkas em todas e sucesso sempre!
Segue...
"Aprendi que meninas boazinhas colecionavam Barbies e brinquedinhos.
Eu colecionava experiência de irmã mais velha, cuidando dos pequeninos...
Hoje, enquanto algumas já tem babys e marido;
Quero viver um dia de cada vez, sem pressa para ter filhos.
Já beijei príncipe que virou sapo e sapo que virou príncipe.
Criei meu castelo para enfim morar sozinha.
E finalmente despedi as fadas madrinhas...
Depois de refletir um pouco conclui: Ouvi várias histórias,
Mas só quero escrever a minha."
Danny Doo - diretamente da Doolãndia*
p.s.: As mulheres fingem orgasmos para salvar a relação, os homens fingem relação para salvar os orgasmos!" kkkkkkkkkkk
sábado, 17 de setembro de 2011
Andando entre cacos...
Grande abraço! E como dizia uma amiga: Uma beija em todos! E obrigada...
Danny Doo set/2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011

Muitas pessoas se desfiguram para obter êxito. Outros renegam suas origens e criam uma falsa ilusão de terem surgido de um lugar, uma origem, uma família completamente oposta a que realmente tiveram...
Outros criam uma realidade que só existe em sua mente, idealizando seu mundo, sua própria existência como algo além do que é. Ilusionistas e iludidos de sua própria idealização.
E existe outro grupo, que sabe exatamente qual seu lugar no mundo e mesmo assim almeja melhorar seu interior, suas relações com o próximo, independente da existência ou ausência de laços sanguíneos, entendem que somos na verdade parte de uma grande família global.
Bom mesmo é reconhecer seus valores benéficos e os responsáveis por eles ao longo de nossa existência. Todos nós já possuímos inúmeros mestres, para o bem ou mal, eu prefiro ficar com os mestres do bem, da boa orientação, correção carinhosa, ou um simples exemplo de vida de dedicação ao próximo sem manipulações apenas almejando o bem!
Temos chances de ao longo de nossa jornada terrestre, aprender novas maneiras de pensar, repensar alguns valores e ações. Curioso pensar que os mestres mais marcantes são os mais singelos... Sutis, gentis até para nos orientar e corrigir... E assim nos moldar sem imposições, apenas dando belos exemplos de humildade e gentileza no lidar até com os discípulos mais rebeldes.
Agradeço a cada um que tive e tenho. Interessante perceber que alguns que eu pensava serem mestres ainda são meninos... E outros que eu na minha estupidez e falta de lucidez, imaginava serem meros coadjuvantes, foram e são até hoje, meus melhores orientadores!!!!!!!!!!
Aos mestres com carinho... E nem preciso dizer, mas digo, Jesus é sem dúvida o Mestre dos Mestres!
Danny Doo – diretamente da Doolãndia*
sábado, 19 de março de 2011
Os injustiçados, mundo afora, esperam a chegada da cavalaria. E a cavalaria, bem ou mal, somos nós
Intervir ou não
Os injustiçados, mundo afora, esperam a chegada da cavalaria. E a cavalaria, bem ou mal, somos nós
NA FOLHA de 6 de março, um médico líbio, Mohammed Ahmad, entrevistado pelo correspondente Marcelo Ninio, desabafa: "É um massacre, estão atingindo civis, estão nos atacando de todas as direções. Por que a comunidade internacional não intervém?".
A Líbia é apenas um exemplo. A cada dia, junto com as notícias, chega até nós o grito dos que estão sendo perseguidos e exterminados, dos que apodrecem nas masmorras, dos que, indefesos diante de poderes abusivos e absolutos, estão sendo pisados, escravizados, torturados. Eles colocam sua última esperança na improvável chegada da cavalaria. E a cavalaria com a qual eles sonham, bem ou mal, somos nós -somos também nós.
Vamos brincar de Pôncio Pilatos? Ou vamos à luta pelos injustiçados que moram longe de nossa rua, de nosso país e de nossa cultura? E, nesse caso, quais injustiçados escolheremos?
Por temperamento, sou intervencionista -embora muito menos hoje do que no passado, talvez por confiar menos na minha força física. De qualquer forma, se vejo uma briga, tendo a me meter -para afastar os que estão brigando e também para tomar partido. Mas tomo partido como?
Admito que, na maioria das vezes em que decidi me meter, eu realmente não tinha como saber de que lado estava a razão. Por isso mesmo, os supostos "nobres" motivos de minha escolha permanecem sob suspeita. Por exemplo, escolhi o lado do mais fraco: é uma opção generosa, mas quem garante que o mais fraco tinha razão? E se, de fato, eu tivesse escolhido o lado dos que mais se pareciam comigo, como se a razão só pudesse estar com alguém que tivesse a minha cara?
A dificuldade de intervir decorre de contradições que são inseparáveis do próprio espírito da modernidade ocidental.
a) Acreditamos na universalidade da espécie humana; para nós, ser "homem" é mais importante do que pertencer a uma nação ou a uma etnia. Em tese, o que acontece na Líbia ou em Ruanda nos é próximo e nos concerne tanto quanto o que acontece no quintal de casa -portanto, interviremos, não é?
b) Certo, interviremos e pesaremos na balança em nome de nossos valores. Apoiaremos quem quer democracia e escutaremos o grito da mulher que tenta fugir de sua tribo porque não quer que seu sexo seja mutilado ou da adúltera que será apedrejada.
Mas o fato é que a defesa dos valores nos quais acreditamos será hesitante e, de uma certa forma, culpada pelo seguinte sofisma: se todos, por diferentes que sejam de nós, são tão homens quanto a gente, qual seria o mérito especial de nossos valores, salvo o mérito (duvidoso) de eles serem os nossos?
c) Desde o começo da modernidade, acreditamos também que o que acontece no mundo não é efeito da vontade divina, mas da ação dos homens. Por exemplo, não somos dominados pela Providência, mas pela vontade de tiranos contra quem podemos, portanto, nos rebelar.
Há uma contrapartida: assim que a razão moderna reconhece que tudo vem dos atos e das intenções dos indivíduos, ela se torna desconfiada e paranoica. Em suma, a notícia boa é que podemos modificar o curso da história, a notícia ruim é que somos sempre suspeitos de modificá-lo pelas piores razões.
Somos condenados a uma alternativa entre duas posições igualmente incômodas. Quem não intervém é um covarde que renega sua humanidade e deixa os indefesos sem defesa e os injustiçados sem justiça.
Quem intervém é provavelmente um aproveitador que, sob o manto de uma certa grandeza moral, está promovendo interesses escusos ou, no mínimo, impondo ao mundo seus valores particulares. Algumas consequências disso? Aqui vai.
Desde o sítio de Sarajevo, em 1992, até o massacre de Srebrenica em 1995, a imprensa ocidental denunciou a covardia das potências que não impediam o genocídio. Depois dos bombardeios da Otan em 1998, os mesmos comentaristas denunciaram o imperialismo das potências que se atreveram a intervir.
Se amanhã as botas dos soldados da Otan ou mesmo da Liga Árabe pisarem o chão da Líbia, aposto que Mohammed Ahmad será entre os primeiros a se indignar e eventualmente a lutar contra o ocupante estrangeiro.
Nota: Quem puder (o filme está em poucas salas, infelizmente) assista a "Restrepo", documentário de S. Junger e T. Hetherington. É uma extraordinária lição de sobriedade na hora de pensar em intervenções militares "civilizatórias".
ccalligari@uol.com.br
sábado, 12 de março de 2011
Naqueles dias de aflição, estivemos à beira da extinção...
Começo o texto, dizendo que a vida é mais breve do que pensamos...